08 jun20:23

Animação "Madagascar 3" tem ritmo frenético

Daniel Feix | daniel.feix@zerohora.com.br

Após a ponte aérea Nova York-África, os animais falantes de Madagascar agora estão na Europa. Tentando de tudo para voltar ao seu zoológico nos EUA, eles viajam de trem pelo continente, juntam-se à trupe de um circo, fazem trapézio com os alpes ao fundo, visitam o Coliseu de Roma, alucinam nas ruas de Mônaco – tudo num ritmo frenético, que em uma sessão em 3D pode tontear os pais que levarem os filhos ao cinema.

Mas Madagascar 3 – Os Procurados vale a pena. O filme em cartaz no cinema de Chapecó diverte o público de todas as idades, embora combine mais com as crianças crescidinhas que já curtem a música de Katy Perry e estão dispostas a entrar na sala de cinema para vivenciar não uma fábula infantil ordinária, e sim uma aventura alucinante que às vezes parece menos um filme e mais um videogame.

Inicialmente, o objetivo do leão Alex (voz de Ben Stiller no original), da zebra Marty (Chris Rock), da girafa Melman (David Schwimmer) e da hipopótama Gloria (Jada Pinkett Smith) é resgatar os mesmos pinguins e macacos vistos nos títulos anteriores. É para isso que eles saem do continente africano e “dão uma passadinha” em Monte Carlo – não ligue para verossimilhança, o roteiro está recheado de situações assim.

>> Programação do CINEMA de Chapecó

Graças ao ótimo uso do 3D, as perseguições a que a bicharada é submetida no início do filme fazem o espectador se sentir dentro de uma montanha-russa. O estrago nas ruas do principado motiva a policial francesa Chantel DuBois (Frances McDormand) a sair atrás da turma – daí o subtítulo original Os Mais Procurados da Europa. É na fuga que eles se infiltram entre os animais de um circo, com direito a um número de trapézio que Alex divide com a onça Gia (Jessica Chastain) e a um drama pessoal do tigre Vitaly (Bryan Cranston).

Ainda mais interessante do que a correria inicial são os aspectos visuais – a abundância de cores e a riqueza de detalhes fazem com que a Dreamworks, produtora responsável pelo filme, se aproxime do patamar técnico da Disney/Pixar como não conseguira nem em Shrek, nem em Kung Fu Panda.

A direção é de Eric Darnell, roteirista dos dois primeiros longas da franquia, e de Tom McGrath e Conrad Vernon, figuras carimbadas de outras produções do estúdio. O roteiro é de Darnell e Noah Baumbach (de A Lula e a Baleia). Na versão dublada, as vozes mais conhecidas são as de Heloísa Perissé (Gloria) e Marcos Frota (o leão-marinho bigodudo Stefano).

Avanço técnico, alvo definido

Além de elevar a Dreamworks a um novo patamar técnico, Madagascar 3 deixa mais evidente com quem os animadores de Hollywood querem lidar. Se com Toy Story (1995) os desenhos passaram a ser “para crianças e adultos” e com Shrek (2001) os jovens descolados também foram fisgados, Madagascar 3 aprimora a comunicação com o público adolescente – de espírito, não de idade.

A rigor, não é uma faixa tão diferente da que consome os filmes de ação, aí incluídas as séries de super-heróis, cada vez mais o principal público-alvo de Hollywood. No caso das animações, o grande avanço se dá pelo 3D: não há longa animado que faça tão bom uso das três dimensões como Madagascar 3.

Soma-se à estética de videogame (ou montanha-russa) a fofice dos personagens e o apelo pop – além de Katy Perry, a trilha tem The Clash, LMFAO e referências a Piratas do Caribe –, e pronto:há uma fórmula irresistível para quem tem de 10 a 14 anos. De espírito, é claro.

Como pode ser uma delícia ter de 10 a 14 anos ao longo de duas horas de filme, só o que se pode fazer é aproveitar.

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