10 jun14:29

Made in Chapecó

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

Mariana Batistello, 24 anos é mãe de Valentina, 7 anos, Monalisa, 9 e Felippa (Pipa), 3 anos. As filhas são duas bonecas Blythes e uma Lati Yellow que conheceu quando cursava Design de Moda em Chapecó. Aquilo que parecia brincadeira rendeu a chapecoense uma oportunidade de ganhar dinheiro. Hoje ela exporta roupas de boneca para seis países.

Ela lembra que viu pela primeira vez as bonecas quando precisou fazer um trabalho de aula. – Estávamos organizando um Fashion Dolls e a maioria das minhas colegas iriam usar a Barbie. Eu queria outra boneca, foi aí que encontrei na internet as Blythes e me apaixonei – lembra.

As bonecas não são baratas, custam entre R$ 300 e R$ 2 mil.

–  Quanco comprei a Valentina eu estava de mudança para morar com o meu namorado e havia deixado um dinheiro com ele. Quando pedi o valor para comprar a boneca ele foi contra– lembra Mariana. Assim como o namorado ninguém da família apoiava a ideia de Mariana. – Minha avó dizia tu vai comprar uma boneca Mariana, pra quê? – conta.

O sonho começou a se realizar quando o namorado deixou a quantia na casa da mãe de Mariana.

– Corri para a internet e fechei o negócio – lembra.

Isso foi em 2009 e logo após a compra Mariana começou a ter sintomas de gravidez. –  Assim que a Valentina chegou fiquei melhor – contou a designer.

É comum esse tipo de boneca ter mãe, madrinha, tias, amigas. Mariana conta que achou isso estranho no começo, mas depois percebeu que era uma maneira de interagir e criar amizade com outras colecionadoras. – É um universo a parte. Tem até meninas especializadas em customização de maquiagem e cabelo – conta.

Foi então que Mari resolveu reunir ‘ a brincadeira’ com aquilo que mais gosta de fazer: costurar. Ela começou a fazer roupas para a Valentina e produzia fotos com ela e postava em um site na internet. Outras ´mães´ gostaram e pediram se ela faria para vender.

No começo Mariana tinha medo de ser taxada como costureira de roupa de bonecas. Com criatividade e persistência ela provou o contrário. Hoje, além de costurar, ela desenvolve modelos diversificados e estampas exclusivas para as roupas.

Depois de concluir o curso de Designer de Moda, Mari decidiu investir em uma marca e criou a Pequena Valentina. Atualmente a micro empreendedora produz uma média de 60 peças e fatura cerca de R$ 1,5 mil por mês. As peças custam a partir de R$ 6 uma meia-calça até uma média de R$ 30 um vestido ou moletom.

Além da venda na internet, através do site da marca Pequena Valentina para todo o Brasil, Mariana, exporta para países como Estados Unidos, França, Canadá, Cingapura, Israel e Espanha.


Colecionadoras em Santa Catarina

Em Chapecó, segundo Mariana, são mais de 10 colecionadoras de Blythes. No estado o número passa de 60, entra meninas e meninos. Para se manter atualizadas e para que as madrinhas possam ver as afilhadas são realizados encontros. Esse ano foi realizado um encontro no mês de abril em Joinville e outro no começo de junho em Blumenau.

- Já organizei 12 encontros em Chapecó e colecionadoras de outros estados vieram pra cá – lembra Mariana que esteve em Porto Alegre, no início de maio, onde participou de um encontro com outras colecionadoras.


As Blythes

Quando foram lançadas em 1972, as bonecas de 28 cm assustavam os compradores por causa do tamanho da cabeça e olhos exagerados. O que seria o diferencial da marca, já que os olhos mudam de cor e posição ao puxar uma corda amarrada atrás da cabeça, acabou tirando a boneca das prateleiras um ano depois do lançamento.

Vinte e cinco anos depois a jornalista americana Gina Garan ganhou uma Blythe de presente e a fotografou em diversos lugares, resultando no livro “This is Blythe” e no ressurgimento da boneca.

Em 1999 as neos Blythes foram produzidas pela empresa Takara, com autorização da Hasbro, detentora da marca. Elas fazem sucesso entre profissionais do mundo da moda, artes e fotografia.


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