12 jun15:15

Crônica de Viviane Bevilacqua: O melhor do frio

Viviane Bevilacqua | viviane.bevilacqua@diario.com.br

O frio nem começou ainda e só o que se fala é nas delícias gastronômicas que apetecem no inverno.

— Gente, já está funcionando aquele café colonial maravilhoso lá do bairro Kobrasol — avisa uma colega.

— E o mocotó do Zequinha, lá no Centro, também!

— A feijoada da turma, lá na praia, sai quando?

— Ah, com esse tempo, nada melhor do que bolinho de chuva e chocolate quente, e um bom filme no vídeo…

— Já combinamos: no próximo fim de semana a pizza é lá na nossa casa. E vocês se encarregam dos vinhos…

Vocês já perceberam que a gente só pensa em comida, no inverno?

É impressionante, mas só de pensar em frio já vem à mente uma xícara de café fumegante e uma mesa cheia de delícias super calóricas…

Se combinamos de sair, é para ir a um restaurante. Ou ao cinema e depois a um barzinho. Ou uma reunião na casa de amigos, onde a mesa é o ponto de encontro. Festa sem comida e bebida não é festa.

Se ficamos em casa, já pensamos logo em abastecer a geladeira e a despensa para o fim de semana.

Aí, lembramos que gula é pecado e, pior do que tudo: engorda!

Invariavelmente, fazemos a mesma promessa de todos os anos: desta vez vou me controlar. Não quero engordar e depois não ter mais uma roupa que sirva!

Que atire a primeira pedra quem consegue passar o inverno inteiro sem engordar um quilinho sequer. Duvido que exista alguém, a não ser aqueles sortudos que têm o tal “metabolismo acelerado” e que não engordam nem querendo. Mas essa é uma minoria, que não entra nas minhas estatísticas.

O que se vê, na maioria das vezes, é gente que engorda no inverno correndo atrás do prejuízo, lá na primavera, para chegar mais alinhada no verão. Não à toa, as academias ficam superlotadas a partir de setembro…

Para aliviar minha consciência, procuro uma explicação científica para esta vontade de comer mais nesta época do ano. E encontro: “No inverno, em função das temperaturas mais baixas, nosso organismo gasta mais energia para se manter aquecido. Esse aumento no metabolismo basal varia em torno de 20 a 30%. Por isso, nossa fome aumenta”.

Ufa, que alívio! Já me sinto menos culpada!

Encontro outra explicação também: “A verdade é que os brasileiros não gostam do inverno, então se deprimem e a produção de serotonina, um neurotransmissor que promove a sensação de bem-estar, diminui. Para suprir esta sensação de tristeza e desânimo, as pessoas, principalmente as mulheres, acabam descontando na comida e engordam”.

Essa já não serve pra mim. Adoro frio, amo o inverno.

Já me disseram que a melhor maneira de resistir à tentação da gula é não ter alimentos “engordativos” em casa. Ou seja: nada de pães especiais, bolos, tortas, bolachinhas, pipocas, chocolates, empadinhas, pastelões…

Já tentei fazer isso. Enchi a geladeira de frutas, verduras, legumes e sucos, para aguentar o fim de semana, que seria de chuva e frio.

Comi bergamota. Uma, duas, três. Muita água, para encher a barriga. Café com adoçante. Chá. Biscoito água e sal.

Funcionou por algumas horas.

Acabei a noite numa casa de massas e, confesso, recuperei minha alegria de viver!

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