13 jun09:38

Santa Catarina a dois passos de abrir o mercado do Japão para carne suína

Janaína Cavalli | janaina.cavalli@diario.com.br

Na fila há 30 anos, Santa Catarina está muito perto de entrar no maior mercado importador de carne suína do mundo.

O Ministério da Agricultura do Japão aprovou, esta semana, a compra do produto catarinense. Faltam apenas duas etapas para um acordo oficial, mas o setor está otimista e acredita que fará os primeiros embarques dentro de dois meses.

Enori Barbieri, presidente da Cidasc, órgão de estímulo à agroindústria do Estado, projeta exportações de 10 mil toneladas e um incremento de US$ 50 milhões em faturamento mensal.

Uma boa medida do impacto da entrada no mercado japonês está nos números da carne suína catarinense no primeiro quadrimestre: a média mensal de embarques foi de 14,9 mil toneladas e o faturamento girou em torno de US$ 39 milhões.

A agroindústria local ainda contaria com uma vantagem logística, já que 90% frango consumido no país asiático é produzido em SC.

— A participação de mercado que alcançamos com o frango no Japão nos dará credibilidade para o aumento das vendas da carne suína.

Barbieri acredita que o Estado poderia conquistar 10% do mercado japonês de imediato. Mas, em uma década, poderia chegar aos patamares da carnde de frango. O país asiático tem um consumidor exigente, com demanda por cortes nobres e caros. Além disso, seu mercado é gigante também em volume. Apenas este ano, deve importar em torno de 1,3 milhão de toneladas.

Esta virada poderia mudar o rumo da suinocultura catarinense, que enfrenta uma crise. O baixo preço do suíno, aliado à alta de matérias-primas, traz prejuízos aos produtores. E, desde fevereiro, a Argentina, quinto maior mercado global para SC, impôs barreiras à carne do Estado. O país vizinho comprava 3 mil toneladas mensais. Hoje, praticamente não importa mais nada.

Mário Lanznaster, presidente da Cooperativa Aurora, segunda maior produtora do Brasil, diz que o setor está no fundo do poço. A principal razão é o preço dos insumos.

— Vínhamos pagando muito caro pelo milho e, agora, o quilo do farelo de soja subiu de R$ 0,60 para R$ 1. É impraticável — disse.

Lanznaster enxerga a abertura do mercado japonês como uma grande notícia para a suinocultura catarinense também porque os países asiáticos costumam ser cautelosos e demorados em relação à exportação de carne. Na sua análise, o Japão abrirá as portas de outros mercados do continente, como a Coreia do Sul. De imediato, a Aurora espera exportar 300 toneladas por mês para o Japão.

A liberação da carne catarinense ainda depende do sinal verde de uma comissão de risco, que regulamentará o acordo, e uma audiência pública.

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