14 jun14:05

Estiagem começa a ir embora em SC

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Depois de sete meses a estiagem em Santa Catarina começa a dar sinais de que está indo embora. As lavouras secas de milho e soja foram colhidas e o verde das pastagens toma conta da paisagem. Os rios começam a voltar ao seu leito normal e os açudes, que antes estavam secos, agora já estão quase cheios.

- Já recuperou uns 80% – calcula Valdir Gunewald, gerente de uma propriedade rural no interior de Descanso, onde o Diário Catarinense registrou o açude seco e com rachaduras no final de fevereiro.

Ele disse que houve perda de praticamente toda a lavoura de 10 hectares de milho, mas que agora a pastagem está boa e rebanho de 400 bovinos está recuperando o peso que perdeu quando a grama estava seca.

– Acabou a estiagem- avaliou Grunewald.

De acordo com o meteorologista da RBS, Leandro Puchalski, não dá para dizer que a estiagem terminou. Mas dá para dizer que ela dá sinais de que está indo embora.

– Com o fim do La Niña entramos num período de neutralidade climática- explicou.

O La Niña é o resfriamento das águas do Oceano Pacífico que influencia as chuvas em Santa Catarina.

Com isso desde novembro do ano passado iniciou uma estiagem no estado, que iniciou pelo Oeste e foi avançando para outras regiões, até atingir 148 municípios em situação de emergência, segundo dados da Defesa Civil catarinense.

Puchalski lembrou que, em abril, houve uma boa sequência de chuvas, o que está se repetindo em junho. No final de semana foram registrados bons volumes de precipitação no estado e, uma nova chuva deve chegar ao Oeste entre sexta-feira e sábado.

O engenheiro agrônomo do escritório regional da Epagri em Chapecó, Ivan Baldissera, informou que em junho já choveu 68 milímetros, mais do que os 48 milímetros de maio. A média dos dois meses é de 170 milímetros. Baldissera disse que já houve recuperação de rios e pastagens mas teme que um frio intenso possa prejudicar novamente os agricultores.

Para o diretor de Resposta aos Desastres da Secretaria de Defesa Civil do Estado, major Aldo Batista Neto, as chuvas recentes ajudam a agricultura, os córregos estão retomando seus níveis, mas ainda não dá para dizer que a estiagem terminou.

– Deu um fôlego, mas não é o suficiente- afirmou.

Ele destacou que os lençóis freáticos ainda não se recuperaram. Neto disse que a Defesa Civil continua monitorando os municípios em emergência, que já representam uma população de 789 mil pessoas e perdas de R$ 715 milhões. Ele afirmou que já foram investidos R$ 10,5 milhões no atendimento aos municípios, com água mineral apoio no transporte e a distribuição de kits com duas bombas de água e quatro caixas de água com cinco mil litros cada. A Defesa Civil também está retomando um projeto de ações de prevenção, como redes de água e reservatórios. Para isso o Governo do Estado vai buscar financiamento de R$ 60 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.


Hidrelétricas ainda com níveis baixos

As chuvas deste mês estão ajudando a recuperar o nível dos rios, mas ainda não o suficiente para normalizar a situação das hidrelétricas localizadas no rio Uruguai. Itá e Machadinho continuam com geração mínima, de 20% e 15% respectivamente, segundo o gerente das duas unidades, Elinton Chiaradia.

-Nas hidrelétricas o efeito é mais atrasado- lembrou Chiaradia. No início da estiagem, as hidrelétricas ainda tem água acumulada. Agora, necessitam que chova muito, para recuperar os reservatórios.

Chiaradia disse que inicialmente as chuvas vão encharcando o solo, o que já ajuda a agricultura mas não recupera os mananciais. Depois, com uma sequência de chuvas, é que a água excedente vai escorrendo para os rios até chegar nos reservatórios.

Machadinho chegou a interromper a geração de energia entre 5 de abril e 21 de maio, pois o reservatório chegou a baixar 14,5 metros, restando apenas 3% do volume útil. Ontem ele estava com 16% do volume útil para a geração. Em Itá o reservatório baixou seis metros e o volume útil chegou a próximo de zero. Mas nessa semana o volume chegou a 12%. Itá tem potencial para gerar 1.450 megawatts, o que representa metade da demanda de Santa Catarina. Machadinho tem potencial de 1.140 megawatts, o que representa cerca de 40% da demanda do estado.




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