15 jun10:41

“Prometheus” marca o retorno de Ridley Scott ao universo de “Alien”

A estreia de Ridley Scott no cinema foi retumbante, com uma sequência de três filmes que se tornaram obras de culto: o drama histórico “Os Duelistas” (1977) e as ficçõs científicas “Alien – o Oitavo Passageiro” (1979) e “Blade Runner – o Caçador de Androides” (1982). Na carreira que já soma 20 longas-metragens, o diretor inglês de 74 anos investiu, com altos e baixos, nos mais diferentes gêneros, como os três que lhe valeram indicações ao Oscar: o road movie “Thelma & Louise” (1991), o épico “Gladiador” (2000), que levou as estatuetas de melhor filme e melhor ator, para Russell Crowe – e o bélico “Falcão Negro em Perigo” (2001).

Com Crowe, aliás, Scott filmou também o romance “Um Bom Ano” (2006), o policial “O Gângster” (2007), o thriller de espionagem “Rede de Mentiras” (2008) e a aventura “Robin Hood” (2010).

A enorme expectativa com a volta de Ridley Scott à ficção científica, 30 anos após o diretor se consagrar com duas obras-primas do gênero, “Alien – o Oitavo Passageiro” e “Blade Runner – O Caçador de Androides”, chega ao fim diante de “Prometheus” – que estreia nesta sexta-feira em Chapecó. Confira a programação completa do Cinema Arcoplex Shopping Pátio Chapecó.

Expectativa que, conforme a devoção dos fãs a esses dois clássicos, tem o risco de se transformar em frustração. “Prometheus” é, basicamente, um prólogo de “Alien”, filme que teve três sequências assinadas por outros diretores, nenhuma à altura do original. A retomada desse universo tenta explicar quem eram os alienígenas encontrados pela tripulação da nave Nostromo nos confins do espaço e qual a origem do monstrengo que embarcou junto na viagem de volta à Terra – eliminando todos a bordo, exceto a tenente Ripley (Sigourney Weaver).

Mas o que surge são ainda mais questionamentos, agora à luz do embate contemporâneo entre fé e ciência e da ancestral inquietação sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. O ponto de partida desta nova excursão, ambientada no final do século 21, é o trabalho de um casal de arqueólogos, Charlie (Logan Marshall-Green) e Elizabeth (Noomi Rapace). Explorando cavernas mundo afora, eles identificam um elemento comum em pinturas rupestres de diferentes épocas e civilizações: uma tentativa de contato de seres de outro planeta ou, na visão da católica pesquisadora, indício da força superior que criou o universo.


Enredo

Charlie e Elizabeth são recrutados para a espetacular missão espacial da corporação patrocinada por um trilionário movido pela mesma fé de encontrar o ponto seminal de nossa origem. Na equipe, destacam-se Janek (Idris Elbao), piloto da espaçonave Prometheus (referência ao titã da mitologia grega que seria responsável pela criação do homem), Meredith (Charlize Theron), a gélida chefe da operação, e Dave (Michael Fassbender), um replicante ainda mais avançado do que os de “Blade Runner”.

A missão tem como destino o mesmo planeta visto em Alien. De volta ao interior da nave alienígena abandonada, em vez de respostas, os viajantes cruzam, além da criatura hospedeira mortífera, com uma ameaça ainda maior, que promete aniquilar a raça humana. O principal trunfo de Prometheus é promover o reencontro conceitual, climático e visual com Alien e com alguns postulados sobre a relação entre criatura e criador presentes em “Blade Runner”. Mas o que estes dois filmes trazem de solidez narrativa, “Prometheus” apresenta de uma forma diluída e confusa. Ridley Scott parece ter sido guiado por um sistema de produção que não lhe permite mais a ousadia e a autonomia autoral do passado. “Prometheus” é um blockbuster que precisa dar retorno. Assim, combina elementos que agradam a diferentes tipos de público. Se tem risco de sacrificar uma parcela de fãs do “Alien” original, mira, com seu deslumbre visual (reforçado, mas não muito, na projeção 3D) e com suas cenas de ação e suspense, uma plateia mais ampla – tanto que deixa sinais de uma continuação.

Sem dúvida, “Prometheus” está muito acima do que se produz no cinema em ficção científica. Mas não tem como ser visto sem levar em conta a mitologia que ele representa. Scott quer agora voltar a “Blade Runner”. Desde já, fica o sentimento de esperança pelo reencontro e a dúvida de se o melhor mesmo não seria guardar as boas lembranças.


MARCELO PERRONE | AN.com.br


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