16 jun08:29

Protesto de estudantes da UFFS contra Medicina no RS

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O anúncio da criação de um curso de Medicina da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) em Passo Fundo continua gerando polêmica em Chapecó. Ontem cerca de 200 estudantes da UFFS realizaram uma manifestação questionando a decisão. Munidos de cartazes eles se concentraram a partir das 8 horas na Praça Coronel Bertaso e depois partiram em caminhada pela Avenida Getúlio Vargas até a reitoria, na esquina com a rua Benjamin Constant.

Lá entregaram uma pauta de reivindicações. O presidente do Diretório Central dos Estudantes, Diogo Hartmann, argumentou que a proposta a não foi discutida com a comunidade, não passou pelo Conselho Universitário e houve a criação de um curso numa cidade que nem campus da UFFS tem, em detrimento dos outros já existentes, como Chapecó.

As estudantes de Enfermagem Cláudia Peliser, Cídia Tomazelli e Rafaela Bedin coloaram narizes de palhaço e reclamaram que enquanto é anunciado o curso em Passo Fundo, os estudantes em Chapecó precisam utilizar laboratórios alugados por falta de infraestrutura. –Se a Medicina viesse para cá viriam mais investimentos que beneficiaria os alunos e a população- afirmou Cláudia.

Os alunos questionaram o fato de que o curso foi para a cidade de onde veio o reitor.

Várias entidades de Chapecó manifestaram sua decepção com a decisão, pois quando ficaram sabendo da possibilidade do curso de Medicina ser criado não houve tempo hábil para mobilização.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Chapecó, Maurício Zolet, disse que uma comissão de entidades está tentando uma agenda com o Ministério da Educação e não desistiram de lutar pelo curso em Santa Catarina.

Chapecó tem um curso privado de Medicina, na Unochapecó, mas o curso federal mais próximo é em Santa Maria-RS, a 415 quilômetros. Em Santa Catarina só existe Medicina na Universidade Federal de Santa Catarina.

O reitor Jaime Giollo disse que o fato de ter trabalhado na Universidade de Passo Fundo não teve interferência no processo. Ele afirmou que o processo de expansão da Medicina foi muito rápido. No início do ano foi acenada essa possibilidade e ele havia encaminhado proposta para o Ministério da Educação no dia 17 de maio, com opção entre Chapecó e Passo Fundo. Ele informou que a decisão do Ministério da Educação foi por critérios técnicos. Passo Fundo teria três hospitais e mais de mil leitos. Chapecó teria menos de 500 leitos, mesmo somando o Hospital Regional do Oeste, o Hospital Materno Infantil e o Hospital Unimed.

Ontem a reitoria divulgou uma nota de esclarecimento no site da instituição. Um dos tópicos tem coloca que a abertura de novas vagas seguiu critérios específicos, como a disponibilidade de uma rede hospitalar que possa acompanhar a formação do médico, além do índice de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), que deve ser de cinco para cada profissional em formação. A nota aponta ainda que podem ser criadas mais vagas além das 40 anunciadas para Passo Fundo, mas que para solicitar as vagas os municípios devem se preparar com a estrutura adequada.


FRASES

“Foi uma decisão do Ministério onde pesou a questão técnica, de melhor infraestrutura em Passo Fundo, e o lado da articulação política”.

Jaime Giollo, reitor da UFFS


“Chapecó tem condições de receber o curso e necessita de um curso gratuito para que a população possa contar com um número maior de profissionais nos postos de saúde e hospitais da região”.

Maurício Zolet, presidente da Associação Comercial e Industrial de Chapecó


“A população perde muito pois com o curso de Medicina aqui teríamos mais profissionais e mais saúde pública”.

Cláudia Pelisser, aluna do terceiro ano de Enfermagem da UFFS


“A criação do curso em Passo Fundo não passou pelo Conselho Universitário e beneficiou uma cidade que não tem nem campus”.

Diogo Hartmann, presidente do Diretório Acadêmico da UFFS



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