24 jun18:00

Suinocultura em emergência em SC

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A suinocultura está literalmente em emergência em Santa Catarina devido à crise do setor. O município de Braço do Norte decretou situação de emergência para que os produtores do município possam ter acesso a algumas políticas públicas e assim amenizar a crise do setor, que já amarga cerca de um bilhão de reais em perdas nos últimos 18 meses, segundo cálculos da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS).

A avaliação é calculada com base num abate mensal próximo de um milhão de cabeças, com perda de R$ 41 a 58 para cada suíno de 100 quilos. O motivo é que o preço base do quilo do porco está em R$ 1,90, para um custo de produção de R$ 2,57, calculado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Embrapa).

O secretário de Agricultura de Braço do Norte, Adir Engel, disse que o decreto de emergência permite que os produtores acessem aos leilões de milho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a preço de R$ 21 a saca de 60 quilos. Se fossem comprar no mercado normal, eles pagariam cerca de R$ 26 a saca. Ele afirmou que os municípios em emergência por causa da estiagem já tinham esse benefício. Como Braço do Norte não teve problema por causa da estiagem, acabou encaminhando um decreto só agora. No entanto o documento ainda necessita de avaliação e homologação da Defesa Civil.

Em Braço do Norte são 200 criadores que tem 27 mil fêmeas reprodutoras que produzem 15 mil suínos gordos e 12 mil leitões por ano. Engel afirmou que 15 suinocultores já desistiram da atividade e outros 30 estão com intenção de parar.

O presidente da ACCS, Losivânio de Lorenzi, disse que no Estado cerca de 240 associados já abandoaram a suinocultura. Na quarta-feira haverá uma reunião no Ministério da Agricultura, às 16 horas, com o ministro Mendes Ribeiro Filho, para discutir políticas de apoio ao setor. Ele afirmou que é importante o apoio do governo para manter a atividade na região.

Lorenzi afirmou que há um excedente de 100 mil toneladas no mercado, o que pressiona os preços para baixo. As restrições de importação para a Argentina agravaram a crise.

O vice-presidente do setor de agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Mário Lanznaster, informou que há risco de fechamento de pequenos frigoríficos devido à crise e ao alto custo de produção. Ele citou que Santa Catarina precisa trazer de outros estados cerca de dois milhões de toneladas de milho por ano.

Na avaliação do presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) Enori Barbieri, os produtores estão pagando o alto custo de produção. O farelo de soja, por exemplo, quase dobrou de preço, passando de R$ 600 a tonelada para R$ 1,1 mil a tonelada. Barbieri disse que somente quem está integrado com as indústrias consegue diluir os custos agregando valor nos produtos. Ele está otimista com a possibilidade de abertura do mercado japonês até o final do ano.


Reivindicações dos suinocultores

- Criação de Políticas Públicas de Garantia de Preços Mínimos

- Renegociação das dívidas

- Ampliação para os suinocultores do Programa de Escoamento de Produção, que subsidia em R$ 8 o escoamento da safra do Centro Oeste para os portos. A proposta é dar esse mesmo subsídio para transportar o milho até os criadores, o que baratearia o custo.

- Programa de financiamento para retenção de matrizes no valor de R$ 500 por fêmea reprodutora, com um ano de carência e prazo de três anos para pagar, com juros de 5% ao ano.



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