30 jun11:50

SC Abraça: Da Palestina para “tri-fronteira” catarinense

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A Guerra dos Seis Dias em que Israel expandiu seu território na área da Palestina, num conflito contra Jordânia, Síria, Egito, em 1967, fez o jovem Issa Mizher migrar para o Brasil dois anos depois. – Havia muita instabilidade política e social- lembra. Ele tinha 13 anos quando foi morar em Dois Vizinhos-PR . Quando seu sogro decidiu morar em Dionísio Cerqueira, na Fronteira do Brasil com a Argentina ele também mudou-se para lá, em 1983.

- Gostei do clima, da sociedade e do lugar- explicou, sobre o motivo de ter ficado até hoje morando no que chama de “trifronteira”, por reunir os municípios de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, Barracão, no Paraná, e Bernardo de Irigoyen, na Argentina. Mihzer disse que as cidades formam praticamente uma só.

– Muitas vezes a gente não sabe se está em Dionísio Cerqueira ou Barracão e, para chegar na Argentina, é só atravessar uma rua- explicou.

Ele tem uma loja de material esportivo em Dionísio Cerqueira, mas de repente está almoçando em Barracão ou fazendo compras na Argentina.

Até a Associação Comercial e Industrial, da qual Mizher é diretor, é uma só para Dionísio Cerqueira e Barracão. E estes dois municípios, mais Dionísio Cerqueira e Bom Jesus do Sul-PR, formaram um Consórcio Intermunicipal, para realizarem obras em conjunto.

Nesses 19 anos morando na fronteira, ele já viu muitas oscilações de moeda que interferiram no comércio. De 1978 a 1988 o comércio sempre foi favorável ao Brasil. Entre 1994 e 2003 os argentinos também atravessavam a fronteira para comprar no comércio brasileiro.

– Quando o peso estava dolarizado um peso valia R$ 4 – lembrou.

Agora, com o peso valendo R$ 0,40, os brasileiros chegam a fazer fila na aduana para comprar no país vizinho. Para os argentinos, 100 pesos valiam R$ 400 antes de 2003 e, agora, valem R$ 40, 10 vezes menos. Além da aduana turística, Dionísio Cerqueira tem também a aduana de cargas, que movimenta cerca de 100 caminhões por dia.

– A Aduana é a nossa indústria- comparou.

Mihzer sempre manteve um bom movimento da sua loja, pois tem boa diversidade de produtos. Além disso, ele se mostra um cozinheiro de mão cheia. De vez em quando serve até bolo com mel e nozes para os visitantes e café com cártamo. E faz comidas árabes para vender, para as pessoas que fazem encomendas. Quinzenalmente, aos sábados, ele faz esfiha e charutos de couve.

Uma vez por ano também promove o jantar árabe, juntamente com outras 10 famílias que vieram da Palestina e do Líbano. Nessa ocasião, ele pode usar a Abaia, capa social, e o Tarbuchi, que é um gorro islâmico. Aos 55 anos, mesmo longe de sua terra natal, ele praticamente sente-se em casa.

– Gosto do povo daqui- concluiu.


Dionísio Cerqueira

População: 14.811

Moradores de fora do Estado: 5.427

Percentual: 36,6% (é a cidade mais acolhedora do Oeste)


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