02 jul12:17

Abraça SC: Morando no Paraíso

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Muita gente não sabe mas o Paraíso fica em Santa Catarina. Basta seguir a BR 282 em direção ao Oeste, passar por Joaçaba, Xanxerê, e Chapecó até chegar em São Miguel do Oeste, lá siga as placas que indicam Paraíso. Daí são mais 29 quilômetros, passando por quatro pontes, até chegar num povoado onde não há construções com mais de dois andares, a maioria das casas não tem grade no terreno, calçados ficam nas calçadas e ninguém rouba, é possível colher bergamotas nos quintais e caminhar tranquilamente sem o risco de ser atropelado.

-Se for pensar no lado da tranquilidade aqui é mesmo o paraíso- afirmou o médico Márcio Gonzalhes, que escolheu a cidade para fixar moradia, junto com a esposa. Mesmo com ela trabalhando em Mondaí, a 70 quilômetros, e ele também trabalhando em São Miguel do Oeste, a quase 30 quilômetros, eles optaram por Paraíso.

Gonzalhes considera que a cidade onde mora tem muitas vantagens.

– Aqui não tem roubo e a saúde é uma das melhores, com plantão 24 horas- afirmou, puxando a brasa pro seu assado. Ele afirmou que a convivência com os vizinhos é uma das melhores que já teve. – Eles nos tratam como se fosse da família- explicou.

Além da hospitalidade da população, ele quase não vê violência. Em dois anos como médico, só atendeu dois casos de briga e não lembra de nenhum homicídio.

– É um povo que não é violento e formado por pessoas humildes- avaliou.

A exemplo de 34% dos 4.080 moradores de Paraíso, Gonzalhes veio de outro estado. Ele é natural de Pelotas-RS, estudou em Porto Alegre e há seis anos está trabalhando em Santa Catarina.

Algumas famílias, como a Palu, que veio de Guaraciaba, consideram que ainda falta um “empurrãozinho” para a cidade seja um Paraíso. Há três anos finalmente chegou o asfalto, que vai até no rio Peperi-Guaçu, na fronteira com a Argentina. O país vizinho está asfaltando os 40 quilômetros que farão a ligação da cidade de San Pedro com a BR 282.

- A cidade tende a crescer pois aqui será uma rota entre os dois países- prevê Gonzalhes. Ele só espera que o desenvolvimento traga apenas benefícios e não termine com a tranquilidade que o fez morar e trabalhar em Paraíso.


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