03 jul14:09

Suinocultor transfere criação para o Centro-Oeste

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A cada crise Santa Catarina vai perdendo produtores especializados na criação de suínos. Alguns abandonam a atividade e outros vão tentar a sorte em outro lugar, com menos custos. É o caso de Adair Cella, que há cinco anos fechou os chiqueiros em Chapecó, onde tinha 200 fêmeas que produziam quatro mil leitões por ano. Ele e mais seis sócios, sendo cinco do Oeste de Santa Catarina e dois que estavam no Mato Grosso, montaram uma granja de suínos em Tapurah/MT.

Foram investidos R$ 30 milhões na estrutura que abriga 170 funcionários e uma produção de 324 mil suínos por ano. Cella disse que a opção por ir para o Centro Oeste foi em virtude das dificuldades ambientais e custo de produção, já que milho é mais barato no Centro Oeste. Além disso no Mato Gosso o modelo de produção é diferente do que fazia em Chapecó. Aqui ele era responsável pelos insumos e lá a remuneração é por leitão produzido, sendo os insumos e assistência técnica bancados pela agroindústria.

- O suíno tá na mão da indústria- constata.

Ele vê que o antigo modelo de produção familiar, em pequena escala, não sobrevive. Na comunidade de Colônia Cella, onde continua morando com a família, Adair lembra que, em menos de 10 anos, restaram apenas cinco dos mais de 20 criadores de suínos.

– Se eu tivesse ficado produzindo aqui teria fechado igual o chiqueiro- lembrou. Agora a estrutura serve para criar algumas galinhas, guardar lenha e depósito.

>> Crise assombra o Oeste catarinense

O secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Santa Catarina, Ricardo Gouvêa, alerta que as indústrias já estão migrando para o Centro Oeste, onde o custo de produção é mais barato.

– É preciso uma política de abastecimento de grãos em Santa Catarina senão é certo que mais indústrias vão migrar- sentenciou Gouvêa.

Ele lembrou que Santa Catarina é o berço da avicultura e suinocultura, mas que vem perdendo espaço e já perdeu a liderança na produção e exportação do frango.

- O que mantém a liderança na suinocultura é o status sanitário diferenciado- explicou.

Para o vice-presidente da Aurora Alimentos, Neivor Canton, os custos de produção atraem para o Centro-Oeste onde o milho custa R$ 16, contra R$ 25 para Santa Catarina. Por isso ele considera questão de sobrevivência implantar a ferrovia Norte Sul, para trazer milho para Santa Catarina.


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