10 jul09:40

Greve obriga pessoas a tentar vários bancos antes de conseguir sacar

Felipe Pereira |  felipe.pereira@diario.com.br

Na quinta tentativa a estudante de Economia Letícia Albano finalmente consegue sacar. Um alívio para quem acabara de pendurar a conta no dentista e estava sem dinheiro para pagar o estacionamento.

Ela aproveita e pega dinheiro para a semana toda. Fez bem porque a greve dos trabalhadores de valores continuará pelo menos mais alguns dias. Em audiência realizada na segunda-feira, dia 9,  na Justiça do Trabalho de Itajaí não houve acordo e o Tribunal Regional do Trabalho vai marcar um dissídio coletivo.

Não há data marcada, mas a expectativa é que ocorra ainda nesta semana. O prazo regimental é de 20 dias, mas geralmente a decisão vem antes. De acordo com os grevistas, cerca de 80% dos 1,5 mil funcionários estão parados e a adesão ao movimento é total em Florianópolis, Criciúma, Blumenau, Chapecó e Itajaí.

Eles querem aumento de 10% vale-refeição, 14,88% nos salários e plano de saúde integral. A diferença para a proposta dos empresário é grande, eles oferecem 4% de reajuste salarial.

Diante do impasse, Letícia defende que pelo menos um contingente mínimo de funcionários mantivesse os serviços. A estudante diz que na sexta-feira passada tentou sacar nos caixas eletrônicos do Banco do Brasil na UFSC. Nada feito. Por isso foi obrigada a cancelar a balada naquela noite. No sábado, só saiu de casa porque os amigos dividiram a conta dela de R$ 25. Ontem, conseguiu dinheiro na agência da Praça XV de Novembro, no Centro, durante a quinta tentativa.


Movimento no comércio cai

Na agência da Tenente Silveira do Banco do Brasil havia um aviso na parede avisando que os caixas estavam desabastecidos. Um funcionário anunciava a lista de onde não havia como sacar e ela era longa. No Bradesco, situado no mesmo endereço, havia dinheiro e muita esperando a vez de sacar.

Na Caixa Econômica da Felipe Schmidt, as pessoas se espremeram, mas ainda assim a fila estava no calçadão. Noeli Gonçalves, 67 anos, tentou sacar duas vezes nesta agência. Meia-hora depois chegou ao caixa eletrônico que estava vazio. Ficou irritada e afirmou que a paciência havia acabado e voltaria para casa.

A situação é ruim para os correntistas e quem tem comércio. Dono de um pastelaria, Juarez Fernandes Filho, se acostumou a servir 400 refeições por dia, mas conforme a greve avança o movimento cai. Ontem, a previsão era fechar em 300.

Também aumentou o uso de cartão de débito e crédito inclusive em pequenos estabelecimentos de bairro. Caso do Mercado Carvoeira, onde a utilização do dinheiro de plástico cresceu 20% de acordo como gerente Alison Fiuza. Ele lembrou que com esta forma de pagamento é preciso pagar uma comissão para a operadora.

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