12 jul15:06

Adivinhe quem vem para jantar

A parceria de Tim Burton e Johnny Depp já teve dias melhores – quando eles começaram a trabalhar juntos emendando “Edward Mãos de Tesoura” e “Ed Wood”, por exemplo –, mas segue firme.

“Sombras da Noite”, é o oitavo longa em que Burton dirige Depp. Tem um visual inspirado, como sempre, e alguns momentos divertidos. E só.  O filme está em cartaz no Cinema Arcoplex Shopping Pátio Chapecó.

Burton resolveu fazer “Sombras da Noite” entre dois projetos mais ambiciosos, “Alice no País das Maravilhas” (2010) e o ainda inédito “Frankenweenie”, em parte pela obsessão de Depp pela história, criada por Dan Curtis para a TV norte-americana em 1960. Na trama fantástica que envolve vampirismo, magia negra e um lobisomem, o astro é Barnabas (Johnny Depp), um jovem que no século 18 rejeitou o amor da bruxa Angelique (Eva Green) e acabou amaldiçoado “para toda a eternidade”.

Barnabas foi enterrado vivo e transformado em vampiro, para que seu sofrimento não acabasse com o fim de uma vida ordinária. Duzentos anos depois, precisamente em 1972, seu caixão é descoberto, ele retorna à mansão de sua família e conhece seus descendentes – entre outros, a matriarca Elizabeth (Michelle Pfeiffer), a jovem rebelde Carolyn (Chloë Moretz) e a bela empregada Vicky (Bella Heathcote), espécie de reencarnação de Josette (interpretada pela mesma atriz), que era o amor de Barnabas dois séculos antes e acabara morta pela mesma maldição que atingiu o protagonista.

A descoberta de novidades como o aparelho de TV, por parte de Barnabas, rende sequências engraçadas, acrescentando humor à história de fantasia, suspense e terror a la Edgar Allan Poe. Há até um show de Alice Cooper – e as devidas piadas com o gênero sugerido pelo nome “Alice” –, o que dá uma leveza e um caráter despretensioso interessantes. Elas de certa forma maquiam a irregularidade do roteiro e a inconsistência dramática do filme, fazendo-o valer menos como uma fábula que tem algo a dizer e mais como um programa divertido e sem maiores ambições.


Parceria

Tim Burton e Johnny Depp: altos e baixos.

• Em queda: parceria entre Tim Burton e Johnny Depp começou em alta com dois filmaços, depois se estabilizou com longas sem o mesmo brilho dos dois iniciais. Confira a linha do tempo:

1990 – “Edward Mãos de Tesoura”: cinco estrelas.

1994 – “Ed Wood”: cinco estrelas.

1999 – “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”: três estrelas.

2005 – “A Fantástica Fábrica de Chocolate”: três estrelas.

2005 – “A Noiva Cadáver”: três estrelas.

2007 – “Sweeney Todd”: três estrelas.

2010 – “Alice no País das Maravilhas”: duas estrelas.

2012 – “Sombras da Noite”: três estrelas.


DANIEL FEIX | A NOTÍCIA

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Um Comentário »

  • Glauco Benetti disse:

    Ah, não foi bem aquilo que eu esperava, mas o melodrama é “divertido”.

Comentários