12 jul17:10

Livro retoma discussão sobre a passagem de Saint-Exupéry, autor de "O Pequeno Príncipe", por Florianópolis

Viviane Bevilaqua | viviane.bevilacqua@diario.com.br

O livro Os Aviadores Franceses, a América do Sul e o Campeche, do escritor João Carlos Mosimann, que será lançado nesta quinta, em Florianópolis, coloca mais ingredientes na discussão sobre se o aviador e escritor francês Antoine de Saint-Exupéry esteve ou não em Florianópolis, lá pelos anos 1929-30.

Alguns pesquisadores afirmam que sim. Ele pousou seu avião no Campeche, tornou-se amigo dos manezinhos e se deliciou com a culinária. Outros historiadores dizem tratar-se de uma lenda que foi se propagando com o tempo. A única certeza que se tem é a da polêmica.

Na obra, Mosimann enaltece o trabalho realizado pelos pioneiros aviadores franceses da Aéropostale, conta detalhes do trabalho destes “heróis dos ares”, mas afirma que não existe qualquer documento que comprove uma ligação mais íntima de Saint-Exupéry com Florianópolis ou com qualquer morador da cidade.

Para escrever o livro, ele realizou pesquisas no Rio e em Buenos Aires, em busca da histórica presença da Aéropostale no Brasil, na Argentina e no Chile, desde os seus primórdios, em 1925, até a suspensão das operações, quando iniciou a Segunda Guerra, em 1939.

Segundo o pesquisador, as duas únicas viagens documentadas de Saint-Exupéry de Buenos Aires ao Rio, com possível escala técnica no Campeche, foram iniciadas e concluídas no mesmo dia. Portanto, ele não teria tempo para fazer amizades na Ilha. Naquela época, os aviões tinham pouca autonomia de voo e as dunas gramadas do Campeche eram um dos pousos das linhas que transportavam correio aéreo na rota Paris-Dacar-Rio-Buenos Aires-Toulouse.

As paradas serviam para revisar e reabastecer as aeronaves e para que os pilotos descansassem. Até aqui, não há discordância entre os pesquisadores. O que Mosimann não acredita — segundo ele, por falta de provas documentais — é que Saint-Exupéry teria pousado por aqui várias vezes e convivido com os moradores locais.

Já a PhD em Literatura Comparada Brasil-França e representante da Sucession Saint-Exupéry em Santa Catarina, Mônica Cristina Corrêa, e o francês Bernard Banquei, piloto aposentado da Air France, autor de cinco livros históricos sobre as Linhas Latécoère-Aéropostale (leia entrevista ao lado), defendem que não há razões, se comparados depoimentos e documentos, para dúvidas a respeito da presença de Saint-Exupéry em Florianópolis:

— A presença dele aqui é indelével, haja vista o nome da principal avenida do bairro do Campeche (O Pequeno Príncipe, obra-prima de Saint-Exupéry).

Mônica Corrêa idealizou o projeto De Saint-Exupéry a Zeperri. Entre outras iniciativas está a realização de um vídeo-documentário sobre a passagem do escritor por Florianópolis, exibido em 2009. O filme mostra o trabalho dos pioneiros pilotos franceses e da relação deles com o Campeche.

O tema é controverso e apaixonante. Além de piloto arrojado, Exupéry está entre os maiores escritores do mundo. O Pequeno Príncipe foi traduzido em 257 idiomas, já vendeu mais de 80 milhões de exemplares e, apesar de ter sido lançado na dpecad de 40, continua na lista dos livros mais vendidos.

DIÁRIO CATARINENSE



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Um Comentário »

  • carlos dufriche disse:

    Há muitos anos sou um estudioso da história da aviação no Brasil e há 15 anos membro do Conselho Superior do Incaer. Conheço a controvérsia, St Ex esteve ou não em Florianópolis. A data de sua chegada a Buenos Aires é conhecida, bem como a de seu regresso à França. Nessa época ele não era mais um piloto de linha e sim um admistrador, tendo feito, entretanto, vôos de exploração, como para a Patagonia, por exemplo. Desconheço essas suas duas vindas ao Rio. Alguns jornais da época, como A Tribuna, de Santos, noticiavam a passagem dos vôos para e da America Latina por sua sigla e número e ocasionalmente o nome do piloto mas não a matrícula do avião que a realizava a viagem. De uma caderneta de vôo de um oficial da Aviação Militar por mim consultada, consta um vôo da Aeropostale, do Rio para Recife ou Natal, no qual ele embarcou como fiscal de rota. Nela notei algo interessante: como os motores não eram muito confiáveise e sempre havia urgência, a Aeropostale utilizava um serviço como o das diligências do Far West. Por exemplo, um avião voava Rio-Vitória, lá era deixado para manutenção e abastecimento e o piloto e mala postal embarcavam em outro já abastecido, que logo decolava. Em Salvador e em outras escalas, faziam o mesmo.

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