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O Cavaleiro das Trevas Ressurge encerra trilogia do Batman com emoção

Ticiano Osório | ticiano.osorio@zerohora.com.br

Encerramento da trilogia iniciada em Batman Begins (2005), o filme estreia hoje no Brasil ainda sob a sombra do massacre em Aurora. Em Chapecó o filme pode ser conferido em três salas do Cinema Arcoplex do Shopping Pátio Chapecó. O diretor Christopher Nolan conseguiu o que parecia inalcançável: superar o impacto causado por O Cavaleiro das Trevas (2008), que estabeleceu um novo paradigma para o gênero dos super-heróis, ao conjugar ação vertiginosa com reflexão profunda. O Cavaleiro das Trevas Ressurge vai além nessa equação. Acrescenta doses cavalares de emoção. Chorei duas vezes assistindo a Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Não, minto. Foram três vezes.

Oito anos se passaram desde os acontecimentos de O Cavaleiro das Trevas. Batman (Christian Bale), após assumir a culpa pela morte de Harvey Dent – mantendo incólume a imagem do promotor público que, transformado em Duas-Caras, havia cometido atrocidades em Gotham City –, está aposentado, e seu alter ego, Bruce Wayne, virou um bilionário recluso. Não dá bola a Miranda Tate (Marion Cotillard), investidora em um projeto de energia limpa, e não percebe que falta dinheiro para ajudar um orfanato, como se queixa o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt).

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Seu sacrifício, porém, concedeu à cidade tempos de paz, erguidos sob a Lei Dent, que aprisiona bandidos sem julgamento nem direito a condicional. Mas, como Bruce ouve de Selina Kyle, a Mulher-Gato (Anne Hathaway, encantadora com seus lábios rubros):

– Uma tempestade está chegando.

Essa tempestade vem em forma humana (ou quase). É Bane (Tom Hardy, apavorante com sua voz distorcida por uma máscara), vilão recente dos gibis – foi criado em 1993. O terrorista surge aos olhos do espectador na acachapante cena de abertura, a bordo de um avião da CIA.

Bane, Selina Kyle, John Blake, Miranda Tate. Os personagens vão aparecendo na tela, como peças de outro engenhoso e fascinante quebra-cabeças montado por Christopher Nolan, a exemplo de seu filme anterior, A Origem (2010). O tabuleiro move-se constantemente, embalado por uma música ribombante, tensa, e ancorado por uma edição que, como é característico de Nolan, aposta tanto em flashbacks quanto em flashforwards.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge em nenhum momento se esquece de que é um filme de super-herói – exibe com gosto a batparafernália, não poupa cenas de combate corpo a corpo, pontua o enredo sinistro com alívios cômicos (sobretudo via Mulher-Gato), pede a suspensão da descrença ao espectador. Mas também oferece a ele muito mais do que diversão escapista, descerebrada.

Não é 3D como os recentes Os Vingadores e O Espetacular Homem-Aranha, mas multidimensional. Não é um debate sobre o bem versus o mal, mas, sim, sobre o bem e o mal coexistindo sob a capa do Batman. Não é só um filme sobre um vilão que quer dominar o mundo – aliás, ele nem quer dominar o mundo; seu propósito é político, revolucionário, anárquico (uma das inspirações declaradas de Nolan foi o romance de Dickens Um Conto de Duas Cidades, ambientado na Revolução Francesa, e a trama ecoa o movimento Occupy Wall Street). Não é um filme em que os efeitos especiais falam mais alto do que os atores – pelo contrário: esses é que falam muito, em diálogos bem urdidos, sobre o que é ser herói, sobre as máscaras que vestimos diariamente, sobre a perda da esperança e o medo da morte.

Mas também não é um filme só para pensar. Toca fundo no coração – tanto o do protagonista quanto o do espectador. Nolan sabe que cordas puxar na memória afetiva dos fãs. Revisitando cenas dos filmes anteriores – de modo a sugerir que tudo nessa trilogia foi prévia e inteligentemente elaborado –, aludindo a aspectos fundamentais da batmitologia em seu longo e intenso clímax, o diretor entrega o filme definitivo do Batman.

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