31 jul12:27

"Estamos reféns", reclama caminhoneiro parado há 24h em rodovia no Oeste de SC

A chuva e o frio são os menores dos transtornos enfrentados por caminhoneiros parados em rodovias de Santa Catarina (SC). Em protesto que ocorre em todo país, veículos que transportam carga são impedidos de cruzar por trechos de estradas em razão de impasse entre a categoria e a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Em SC, ao menos seis pontos registram manifestação nesta terça-feira. Um deles é na BR-282 em Catanduvas, Oeste do Estado, onde centenas de veículos são impedidos de cruzar desde a manhã de segunda-feira.

Entre os caminhoneiros que se sentem prejudicados pela interdição está Dirlei de Menezes Gonçalves, 40 anos. Ele levava carga de caixas plásticas para a prefeitura de Concórdia, mas foi impedido de cruzar por Catanduvas por volta das 13h de segunda-feira. Desde então está sem suporte algum.

— Nos pararam aqui, mas não nos deram nada. Não temos banheiro, não temos sequer um posto próximo para comprar comida. Estamos reféns. Depois que nos param, não podemos voltar e nem seguir adiante. O descontentamento aqui é grande e é de todos — disse Dirlei.

Na profissão há 15 anos, o caminhoneiro recebeu depoimentos de colegas que também se sentem prejudicados com a paralisação.

— É só o que se fala por aqui. Estão todos reclamando que a greve é do patronal. Quem é caminhoneiro não quer ficar parado — relatou.

Dirlei diz ainda que precisou pedir ajuda para a empresa na qual trabalha, que ficou de deslocar uma pessoa de carro até a região para dar o suporte necessário.

— Mas e os outros, como ficam? Quem não tem gente próxima pra ajudar não está recebendo suporte algum. A situação é complicada — lamentou.

Segundo Dirlei, somente no trecho de Catanduvas são centenas de veículos de carga parados. Em outros pontos de SC, caminhões são parados nas rodovias, mas levados para locais dentro das cidades. Não há uma estimativa total de quantos veículos estão parados no Estado.

No trecho de Catanduvas, na BR-282, integrantes do movimento grevista começaram na manhã desta terça-feira a parar também veículos que transportam carga viva, como de porcos e bois. Vans e caminhonetes também são parados para verificar se há transporte de carga envolvido.

Os manifestantes aguardam reunião em Brasília para definir o rumo da paralisação, que é comandada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC). Integrantes da entidade discutem uma solução junto a representantes do Ministério dos Transportes, Casa Civil, presidência da República e ANTT. Uma posição deve sair por volta das 16h.


Em Santa Catarina, os protestos nesta terça-feira ocorrem em seis pontos:

— Maravilha (BR-282)

— Catanduvas (BR-282)

— São Miguel do Oeste (BR-282).

— Cunha Porã (BR-158)

— Dionísio Cerqueira (BR-163)

— Água Doce (SC-454)


Segundo as polícias rodoviárias, não há registro de incidentes nas manifestações em Santa Catarina. Outros pontos de rodovias estaduaus e federais também sofreram interdições, mas foram liberados.

No último sábado, dia 28, a Justiça Federal proibiu os caminhoneiros de bloquearem as rodovias federais em SC. A multa para o descumprimento foi estipulada de R$ 100 mil.

A justificativa é que as manifestações propostas pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) impedem o trânsito livre e seguro nas BRs, ou seja, interferem no direito do cidadão de ir e vir.

Na manhã desta terça-feira, o MUCB informou que não há uma posição da entidade sobre a decisão judicial em SC e nem sobre a possibilidade de multa no caso de descumprimento da determinação.


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