31 jul20:35

Mobilização dos caminhoneiros paralisou agroindústria no Oeste

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A paralisação dos caminhoneiros está afetando a produção dos frigoríficos e laticínios do Oeste. A Aurora Alimentos paralisou nesta terça-feira a produção total nas unidades de São Miguel do Oeste e Abelardo Luz e parcialmente numa das unidades de Chapecó. O Laticínio Terra Viva, de São Miguel do Oeste, também está funcionando parcialmente.

De acordo com o presidente da Aurora Mário Lanznaster, somente deixaram de ser abatidos 1,9 mil suínos por dia na unidade de São Miguel do Oeste e 140 mil aves em Abelardo Luz. Em Chapecó duas linhas de produção de salsicha e mortadela deixaram de produzir 160 toneladas somente nesta terça, segundo o gerente da unidade, Caciano Capello. E a produção de lingüiça para churrasco foi interrompida há noite. Tudo por falta de matéria prima vinda de outras unidades.

Somente a Aurora dispensou 2340 funcionários. Outros 5,6 mil podem paralisar a partir desta quinta-feira. Lanznaster disse que as duas unidades de Chapecó, mas as unidades de Maravilha e Quilombo, também podem suspender os abates.

O motivo é que não há mais espaço para estocagem. De acordo com o gerente de logística da Aurora, Celso Cappelaro, somente em São Miguel do Oeste e Abelardo Luz são mil toneladas de produtos que estão parados. A Aurora produz diariamente 2,5 mil toneladas de produtos. São 120 a 130 carretas que saem por dia do frigorífico.

Além da carne não escoar, já começa a faltar ração para as aves e suínos.

– Os animais já começam a passar fome – afrimou Mário Lanznaster.

Na fábrica de rações da cooperativa em Cunha Porã, há 70 caminhões parados.

E até a fábrica de leite da Aurora em Pinhalzinho pode fechar a partir de quinta-feira, pois está terminando as embalagens de envasamento de leite. O secretário do Sindicato das Indústrias de Leite de Santa Catarina (Sindileite), Ferrnando Neckel, disse que se a greve não terminasse durante a noite de terça-feira, as indústrias iriam se reunir na manhã de hoje e a tendência era de suspender o recolhimento de leite no campo.

Para o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Marcos Zordan, todo esse problema vem sendo gerado pela implantação de um lei sem uma discussão melhor com as bases e infraestrutura para o cumprimento dela.

– Os caminhoneiros não tem onde ficar – disse.

Zordan, que também é diretor agropecuário da Aurora, disse que somente a cooperativa teria que aumentar em 50% a frota de 574 caminhões com câmaras frigoríficas.

- Os custos serão repassados para o consumidor – alertou.

A estimativa é de um aumento de 5% no preço dos produtos ao consumidor.

Para o presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri, a situação é grave.

– Essa greve está atingindo o centro produtivo do estado – afirmou.

Barbieri disse que a continuidade da mobilização pode trazer sérios prejuízos para a cadeia produtiva de Santa Catarina.








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