07 ago18:07

Assaltar a geladeira à noite pode ser sintoma de distúrbio alimentar

Especialistas da Associação Brasileiro para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica alertam que episódios frequentes de excessiva fome noturna podem ser sintoma de um transtorno alimentar: a Síndrome Alimentar Noturna (SAN). Segundo a entidade, a síndrome afeta cerca de 3 milhões de brasileiros.

A SAN caracteriza-se por maior ingestão calórica no período noturno, sobretudo após as 19 horas, despertares durante a noite para comer e falta de apetite durante as manhãs. Além de afetar a qualidade do sono, a Síndrome Alimentar Noturna é um fator de pré-disposição à diabetes e obesidade.

A alimentação predominantemente noturna cria um desbalanço no metabolismo, tornando-o mais lento durante o dia e levando o organismo a estocar os nutrientes nos períodos de maior consumo e menor gasto energético, o período noturno. Cerca de 10% dos obesos e 27% dos obesos mórbidos possuem a síndrome. Além disso, a síndrome predispõe quadros de obesidade.

De causa exata ainda desconhecida, o problema tem o estresse e a má distribuição do volume de alimentos e calorias ingeridos como dois fatores ligados a seu surgimento. Soma-se a eles a insônia e má alimentação durante o dia.

— Os portadores relatam um aumento do consumo alimentar, usualmente após o jantar, ou apresentam despertares noturnos para comer ou beber — explica o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, autor de um estudo sobre a síndrome.

Um quadro de SAN começa a se consolidar quando a fome ou vontade de comer do indivíduo diminui durante o dia e surge fortemente a noite, após as 19h. A dieta deixa de ser normal quando 55% ou mais da ingestão calórica diária ocorre após esse horário. Habitualmente, nesse período ingere-se cerca de 15% das calorias diárias.

— O paciente precisa comer bastante para conseguir se sentir satisfeito e dormir. Durante o dia, ele nem se lembra de comer — explica a endocrinologista e diretora da Abeso, Claudia Cozer.

Segundo ela, os alimentos mais procurados em episódios de compulsão possuem maiores valores calóricos, ricos em gordura e carboidratos finos (açúcares, pães, doces) — aqueles que, geralmente, estimulam a liberação de endorfinas, os neurotransmissores ligados à sensação de prazer e bem-estar.


Reeducação

O tratamento se dá por meio de reeducação alimentar, terapia cognitiva comportamental e medicamentos anticompulsivos, em casos mais extremos. A sertralina é a medicação mais indicada, pois regula o padrão alimentar noturno com redução dos despertares. A trazodona e o topiramato também controlam o impulso alimentar e regularizam o padrão de sono.


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