24 ago09:00

Disputa entre dois candidatos a prefeito ocorre em 71% das cidades catarinenses

Natália Viana | natalia.viana@diario.com.br

Na maior parte dos municípios catarinenses, os eleitores assistem a uma disputa polarizada. Em 210 cidades, ou 71% do total, apenas dois nomes concorrem à prefeitura. O número é superior à média nacional.

Um estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que em 2.850 municípios brasileiros (51% do total) apenas dois candidatos disputam a prefeitura. O levantamento foi feito com base nas informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em Santa Catarina, a maior cidade catarinense a assistir a uma eleição polarizada é Chapecó, onde PSD e PT protagonizam a disputa pela prefeitura. O atual prefeito José Claudio Caramori (PSD) conta com o apoio de mais 15 partidos, enquanto que o deputado federal Pedro Uczai (PT) lidera uma coligação de nove siglas.

Para o coordenador do Programa de Mestrado em Gestão de Políticas Públicas da Univali, Flávio Ramos, uma eleição polarizada não é necessariamente benéfica ou prejudicial para o eleitor. Mas, segundo ele, a principal questão a ser observada são as coligações que sustentam estas candidaturas.

Havendo um leque reduzido de opções, partidos políticos com perfis muito distintos podem acabar se unindo em torno de um candidato, confundindo o eleitor.

— Fica difícil para o eleitor compreender a forma nebulosa como estas coligações são constituídas, já que o arco ideológico é muito amplo e partidos com formação distinta acabam lado a lado. Apesar da chamada crise de ideologias políticas, ainda existem diferenças de propostas e projetos. Por isso, o fato de haver partidos muito diferentes em uma coligação pode aumentar o descrédito do eleitor — avalia Ramos.

Analisando os confrontos, em Santa Catarina a polarização mais recorrente é do PMDB contra PSD, ocorrendo em 50 cidades. O fato chama a atenção, pois coloca o novato PSD, do governador Raimundo Colombo, como o principal adversário ao PMDB, do vice-governador Eduardo Pinho Moreira. Essa polarização ocorre, por exemplo, em Rio do Sul, onde a aliança entre os partidos foi rompida.

O atual prefeito, Milton Hobus (PSD), apoia o colega de partido Jorge Teixeira, enquanto que o vice-prefeito Garibaldi Ayroso (PMDB) resolveu se lançar como candidato da oposição. O “apetite” pessedista também pode ser observado em nível nacional e o confronto PMDB x PSD é o terceiro mais recorrente. Para o presidente estadual do PMDB, Eduardo Pinho Moreira, a eleição municipal tem características diferentes da composição estadual.

Além disso, ele destaca que o PSD é um partido novo e que lançou mais candidaturas, ficando atrás somente do PMDB, sendo natural que eles protagonizem mais embates.

— Se tivermos maturidade política, não haverá problemas. O que acontece é que o governador e eu temos um nível de entendimento que algumas vezes não acontecem em baixo. Mas o governador vem atuando muito bem, como um magistrado — destaca Pinho Moreira.

O presidente do PSD, deputado Gelson Merisio, tem opinião semelhante. Ele diz que a maior parte dos confrontos polarizados entre PSD e PMDB ocorrem em cidades pequenas, onde é necessário respeitar a realidade local. Segundo Merisio, o PSD é um partido novo e, muitas vezes, buscou lideranças novas que fazem contraponto a lideranças mais tradicionais, como o caso do PMDB.

— Mas esta é uma situação natural e passada a eleição tudo volta ao normal — afirma o pessedista.


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