03 set10:05

Da suinocultura para o iogurte e o sorvete de ovelha

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Até o início dos anos 2000 o empresário chapecoense Érico Tormen era conhecido pela indústria de caixas de água e piscinas de fibra e por ser um dos principais suinocultores da região. Cansado das crises na criação de suínos ele resolveu apostar em outra atividade, a criação de ovelhas.

Tormen foi um dos pioneiros na importação de raças ovinas leiteiras para Santa Catarina. Em 2006 ele comprou 30 fêmeas e um macho da raça Lacaune, de um cabanha de Viamão-RS. Em 2008 ele e mais dois produtores importaram 190 animais da raça Frisona, do Uruguai.

Atualmente sua propriedade, a Cabanha Chapecó, tem 1,2 mil animais, sendo 70% de raça leiteira. Cerca de 160 estão em produção. Mas metade dos 250 litros diários vão para alimentar os cordeiros. O restante é vendido para uma indústria de queijo de ovelha em Chapecó. O preço do litro que o produtor recebe é R$ 2,00, o triplo do leite de vaca, que tem preço médio de R$ 0,65.

Mas, para agregar ainda mais valor à produção, há dois anos a cabanha iniciou um projeto de produção de iogurte de leite de ovelha. De acordo com o zootecnista e responsável técnico da cabanha, Anderson Bianchi, o leite ovino tem o dobro de sólidos (proteínas, gorduras, vitaminas) do leite de vaca. Por isso precisa metade do volume para fazer um quilo de queijo e,no caso do iogurte, a consistência fica melhor. –O iogurte de vaca é mais viscoso- explica.

Depois de vários testes foram desenvolvidos três sabores: abacaxi, morango e mamão. O produto já foi lançado em várias feiras da região, mas ainda não está sendo comercializado. A produção em Santa Catarina é pioneira mas no Rio Grande do Sul já existe uma fábrica em Bento Gonçalves.

O que deve ser inédito é o sorvete de iogurte de ovelha, que já foi testado e deve ser lançado em setembro.

– Esse produto deve ser novidade mundial pois pesquisamos e não encontramos nada parecido- disse o proprietário da cabanha, Érico Tormen.

Ele explicou que inicialmente o produto deve ser oferecido numa loja a ser inaugurada na avenida Getúlio Vargas, em Chapecó. A capacidade inicial da indústria é para 150 litros por dia. Mas já há um projeto de inspeção federal para o produto seja comercializado no restante do país.

Daí será necessário ampliar a indústria e também a produção de leite de ovelha em Santa Catarina.


SC tem o maior rebanho leiteiro do Brasil

Apesar de ter iniciado a criação de ovelhas leiteiras há apenas seis anos, Santa Catarina já tem o maior rebanho leiteiro do país, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos Leiteiros, o chapecoense Érico Tormen.

São entre 2,5 mil e 2,8 mil animais, de um rebanho nacional de seis mil cabeças. A produção de leite está em mil litros mês e deve chegar a 1,5 mil até o final do ano. –Vamos crescer 50%- calculou Tormen.

A associação foi criada em 2010 e conta com 30 associados de todo o país. O objetivo é divulgar o leite de ovelha e seus derivados para estimular o consumo e a produção. Tormen aposta na viabilidade da atividade pois está aumentando o consumo de produtos diferenciados, com valor agregado. –A população brasileira está buscando mais qualidade na alimentação- explicou Tormen.


Indústrias investem na produção de queijos nobres

A produção de queijo de ovelha, também chamado de pecorino, é uma das apostas de agregação de valor de indústrias catarinenses. O empresário Jorge Zanotto, de Chapecó, montou há cinco anos um laticínio para a produção de queijo de vacas Jersey, com a marca Gran Paladare. Um ano depois começou também a criação de ovinos de leite e desenvolveu um queijo pecorino, que atualmente abasteces as principais redes de supermercado de Santa Catarina.

Ele tem 200 animais e atualmente industrializa 300 litros por dia, sendo 30% de produção própria e o restante compra de outros dois produtores. A produção do pecorino representa 30% da industrialização. E ele desenvolveu produtos com vários tempos de maturação, que variam de três a seis meses, com sabor mais suave, ou com mais de um ano de maturação, com sabor mais picante.

Estes queijos saem da fábrica com preço entre R$ 40 e R$ 60 e, nos supermercados podem variar de R$ 56 a R$ 96 por quilo.

-A aceitação está sendo boa e, modéstia à parte, nosso produto é melhor que o italiano- afirmou Zanotto. Por enquanto ele comercializa apenas em Santa Catarina, pois a inspeção é estadual. Mas já está trabalhando para conseguir inspeção nacional, através do SISBI ou SIF. Para isso o laticínio já tem um bom estoque, que Zanotto não revela a quantidade mas garante ser o maior do Brasil.

Outro empresário do ramo de queijos, Acari Menestrina, diretor presidente da Gran Mestri, inaugurou a ampliação de sua planta industrial em Guaraciaba no dia 18 de agosto. Ele investiu R$ 2,8 milhões para ampliar a indústria de dois mil metros quadrados, para 10 mil metros quadrados. Além de ampliar a produção do queijo de leite bovino grana padano, Menestrina pretende retomar a produção do pecorino, que foi interrompida quando vendeu a Cedrense para a Bom Gosto.


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