05 set09:08

Estiagem amplia prejuízos de agricultores no Oeste

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Santa Catarina mal acabou de sair de um período de estiagem, que trouxe prejuízos de R$ 777 milhões, e a falta de chuva já começa a trazer problemas no estado, principalmente na região Oeste. Ontem houve uma reunião da Defesa Civil de Chapecó para tomar algumas medidas de fornecimento de água, que já está faltando em algumas propriedades do interior.

Agosto, com 2,3 milímetros, foi o mês com menor chuva já registrado na Estação Meteorológica da Epagri em Chapecó. Isso em 43 anos de registro, segundo o observador meteorológico Francisco Schervinski.

De acordo com o secretário de Agricultura de Chapoecó, Altair Silva, a produção de leite no município já caiu 30%, devido às pastagens secas, e o plantio das lavouras de milho está atrasado cerca de 15 dias.

O produtor Flávio Fonseca, por exemplo, deveria ter plantado 20 hectares de milho.

– Já deveria estar nascido – explicou. Ele lamenta que teve prejuízo na safra passada, onde perdeu 70% das lavouras de milho e soja.

– Deixei de colocar no bolso R$ 600 mil.  Agora está preocupado pois novamente falta água para as plantas. Pelo menos ele conseguiu um desconto R$ 17 mil no financiamento de R$ 30 mil do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf).

Outro produtor que teve perdas na safra passada e agora novamente amarga prejuízo é Claudemir Laval. Ele perdeu 50% da safra de milho e de soja. Agora já tem quebra de 50% nos 43 hectares de trigo e, nos 26 hectares de milho, não germinaram 35% das plantas.

– Já é uma lavoura estragada – explicou.

Se chover nos próximos dias ele vai tentar replantar manualmente nos espaços onde o milho não nasceu. Ele afirmou que o ano de 2012 não está favorável ao agricultor.

– Às vezes dá vontade de vender tudo e ir para o Mato Grosso – desabafou.

O funcionário da Agropecuária Locatelli, Paulo Kreibich, aguarda a chuva para plantar os 150 hectares de milho, que já deveriam estar na terra.

– Estamos com as máquinas prontas e paradas há duas semanas – explicou. O solo chega a estar rachando de tão seco.

O secretário adjunto de Agricultura do Estado, Airton Spies, afirmou que as perdas são mais concentradas na região Oeste. Mas ainda não tem um levantamento de quanto é o prejuízo. Spies disse que a falta de chuva já começa a comprometer a próxima safra. E lembrou que a estiagem passada, que causou perda de 900 mil toneladas de milho no Estado, é um dos fatores que está agravando a crise na suinocultura e avicultura, causada pelo alto custo de produção.

Ele lembrou que, no início do ano, a saca de milho de 60 quilos estava em R$ 24 ou R$ 25. Atualmente, está em R$ 35. Se não chover, o problema pode se estender para a próxima safra.

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Previsão de chuva a partir da segunda quinzena de setembro

Até metade de setembro os moradores de Santa Catarina ainda vão conviver com a falta de chuva. Segundo o meteorologista do Grupo RBS, Leandro Puchalski, há uma massa de ar seco que funciona como um bloqueio atmosférico desviando as massas de ar frio, que vem da Argentina, para o Oceano Atlântico. Puchalski disse que a falta de chuva não é uma estiagem nova e nem continuidade da ocorrida no verão passado.

– É uma condição pontual – explicou.

A boa notícia é que as chuvas devem normalizar a partir da segunda quinzena de setembro. As chuvas podem até ser acima do normal se confirmar o fenômeno El Niño, que é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico na altura da linha do Equador.

–Há uma expectativa de El Niño – disse Puchalski. O efeito deste fenômeno é o contrário do La Niña, que provocou estiagem em Santa Catarina.

O secretário adjunto da Agricultura, Airton Spies, disse que a Epagri/Ciram também prevê normalização das chuvas a partir da segunda quinzena de setembrol. Em outubro as chuvas podem passar de 200 milímetros no Oeste e Meio Oeste, com volume de 140 a 180 milímetros do Planalto ao litoral.

Em Chapecó 375 famílias do interior já estão recebendo água em caminhões pipa. O volume transportado é de 65 mil a 80 mil litros por dia. No verão passado esse volume chegou a 350 mil litros/dia.


Oito meses de chuva abaixo da média

Em Chapecó, nos últimos 10 meses, houve chuva abaixo da média em oito, segundo registro da Epagri. Apenas em abril e julho o volume superou a média.


2011

Novembro: 91,1 milímetros (média de 166,7 mm)

Dezembro: 56,7 milímetros (média de 167,5 mm)

2012

Janeiro: 86,2 milímetros (média de 182,5 mm)

Fevereiro: 98,5 milímetros (média de 184,8 mm)

Março: 85 milímetros (média de 125,9 mm)

Abril: 197,4 milímetros (média de 167,9 mm)

Maio: 47 milímetros (média de 167,6 mm)

Junho: 101,6 milímetros (média de 170,7 mm)

Julho: 180.4 milímetros (média de 155,9 mm)

Agosto: 2,3 milímetros (média de 142,5 mm)


Observação: Um milímetro é um litro de água por metro quadrado


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