06 set11:25

Intercâmbio entre dois países irmãos

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

É só a professora Gessi Carminha dos Santos entrar na sala de aula do primeiro ano, na Escuela Frontera 604 Intercultural Bilíngue No 1, que um aluno já comenta, em português. – Hoje tem aula diferente. O detalhe é que a cena é em Bernardo de Irigoyen, cidade argentina da província de Misiones, que fica na fronteira com a cidade catarinense de Dionísio Cerqueira.

Duas vezes por semana Gessi e outras oito professoras atravessam a fronteira para dar três aulas de português no país vizinho. Enquanto isso três professoras vem para o Brasil dar aula na Escola de Educação Básica Dr. Theodureto Carlos de Faria Souto.

Enquanto no lado argentino Maximiliano Benjamin Ramirez, de seis anos, ouve histórias em português e aprende a dizer: Bom dia, tudo bem; no lado brasileiro Pedro Henrique Bronstrup, de 11 anos, cumprimenta dizendo: Hola, que tal?

Ao entrar na sala do quinto ano da escola Theodureto é como atravessar a fronteira. Nas paredes, há mapas da Argentina, frase em espanhol e a bandeira da província de Misiones. Nos cadernos, os alunos exibem a bandeira azul e branca com um sol no meio.

Durante a aula a professora Fátima Zaragoza, coordenadora do projeto bilíngue em Misiones, ensina a música “El niño y el tucano”, de Fausto Rizani. Os alunos não têm aulas de espanhol e sim em espanhol, que contempla a cultura, tradições, costumes e a vida real no país vizinho.

Os alunos afirmam que é muito melhor ter aulas com professores “importados”. –Até pelo conhecimento que eles têm é muito melhor- afirmou Dayani Machado Machiavelli. Gustavo de Oliveira Gabriel, de 10 anos, disse que já melhorou a comunicação com seus tios, que moram na Argentina. –Agora eu entendo o que eles falam- explicou.

Sthefanie Carvalho, de 11 anos, veio de Porto Alegre, pela primeira vez teve espanhol e está gostando. Até porque ela mora com os pais no lado argentino e isso vai ajudar na comunicação. Izabella Carolina Presser Fortes pensa até em morar na Argentina, depois que fizer o sonhado curso de Biologia.

Para o diretor da escola Theodureto, Mauro Edvan Prado, a parte positiva do projeto é essa questão intercultural. –Os alunos acabam conhecendo as duas culturas- afirmou. A partir disso, há uma aproximação natural.

O conhecimento bilíngue permite aos alunos que passarem pelo projeto melhores condições de trabalhar no comércio local, já que há brasileiros trabalhando na argentina e argentinos morando no Brasil.

O diretor da Escuela Frontera 604 Intercultural Bilíngue No 1, Juan Carlos Morinico, lembra que o projeto está melhorando a compreensão do português. –Antes era um portunhol- lembra. Ele afirmou que, melhorando a compreensão, conhecendo a cultura de cada lado, ajuda a melhorar no relacionamento entre brasileiros e argentinos.

Tanto que alunos argentinos já participaram de atividades no Brasil e prometem desfilar junto no Sete de Setembro. Por outro lado os brasileiros devem participar das comemorações de 25 de Maio, data de comemoração da independência da Argentina. Pelo menos nas duas escolas da fronteira, o Mercosul existe de fato.


O QUE É O PROJETO

O Projeto Intercultural Bilíngue Escola de Fronteira foi criado em 2005, numa parceria entre Brasil e Argentina, para promover o intercâmbio entre professores e alunos. Entre as 14 escolas do início do projeto, há uma catarinense, a Escola de Educação Básica Dr Theodureto Carlos de Faria Souto, em Dionísio Cerqueira. Atualmente cerca de 240 alunos, de 12 turmas, participam do projeto. Em 2009 o projeto foi ampliado para 26 escolas, em cinco países.



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