14 set14:07

"Resident Evil 5" estreia com muitos sustos

Milla Jovovich sai exausta após um dia de filmagens de Resident Evil 5: Retribution. A estrela da saga que veio do videogame se aborrece com o marido, o diretor Paul W.S. Anderson. Para ela, acostumada aos machucados, às pancadas, a ser erguida por cabos, a executar dezenas de zumbis munida apenas de uma corrente de bicicleta, a chateação é outra. Em cena, Alice, a heroína, surge irreconhecível. Roupas normais, cabelo arrumado, é uma dona de casa amedrontada, agarrada à filha.

– Milla não gostou de ser vítima, de fugir e gritar – diverte-se o diretor.

Esse lado suave da personagem é uma surpresa do mais novo filme da franquia de ação, que chega nesta sexta-feira aos cinemas. Uma faceta que desmonta quando uma invasão de mortos-vivos irrompe o plácido cenário de subúrbio. Então, Alice volta a ser a guerreira programada pela corporação Umbrella, modificada biologicamente, incansável, durona, irrefreável. Presa em um submarino bunker, ela precisa atravessar ambientes e sobreviver aos perigos em cada um deles – em uma viagem que, à primeira vista, remete ao avanço de fases em um videogame, mas se revela uma ilusão tecnológica de um giro pelo mundo – o centro luminoso de Nova York, a histórica Praça Vermelha de Moscou. Ambientes complexos, de mentirinha. Infectados por vírus mortais.

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A ideia de mundos falsos, de universos paralelos, dá o tom do novo capítulo de Resident Evil – o penúltimo – e possibilita a volta de Michelle Rodriguez à franquia. É que sua personagem, Rain, foi morta ainda no primeiro filme.

–Eu amo esse casal. Liguei para o Paul e disse: ‘quero estar nesse filme, arruma um papel pra mim?’. Fiquei muito feliz em voltar dos mortos – diz Michelle, sorridente, sob o olhar desaprovador de Milla Jovovich, durante conversa com a imprensa, em Cancún.

– Ei, não estou estragando nenhuma surpresa. Eu morri com um tiro na cabeça, todo mundo lembra – defende-se Michelle. Milla a repreende:

– Shhh, não estrague o mistério!

Em Resident Evil 5, a inspiração do game ganha vazão, mais uma vez, em sequências de luta impressionantes e cenas grandiosas com explosões avivadas pelo efeito 3D.

– Com exceção da equipe de James Cameron, tenho os mais experientes em 3D no mundo. Para esse filme, o diretor de fotografia (Glen MacPherson) construiu uma câmera específica, depois de tanto me ouvir pedir coisas impossíveis de fazer – diz o diretor.

Os zumbis, então, não são mais moribundos ensanguentados comuns; vêm em versões mais fortes, militarizados e aliens.

– Tenho sorte, porque a franquia vem de um videogame que não se estagnou, então a inspiração também não. Não fui eu quem inventou tudo isso – diz Anderson.

– Posso fazer um filme cada vez maior.

Foi durante o primeiro filme, oito anos atrás, que Milla Jovovich e Anderson se conheceram e deram início à franquia que permeou o casamento.

– Hoje, tentamos não falar de zumbis na mesa do café da manhã, mas falar de levar nossa filha Ever, de 4 anos à escola, o que é bem mais difícil do que fazer filmes – diz Anderson. A franquia já rendeu US$ 700 milhões em todo o mundo.

– O filme foi o que nos uniu. Temos um afeto especial por ele, interfere o tempo todo nas nossas vidas. É quase como viajar com a família.

Com o último Resident Evil: Afterlife (quarto da série, de 2010), Anderson deu início a uma despedida.

– Foi o início de uma trilogia final. Muitos personagens morrem nesse quinto filme, é o começo do fim. O próximo filme será o capítulo final.

Milla Jovovich, atlética e apaixonada por artes marciais, dispensa dublê e tira de letra o esforço físico que Alice exige. Ela já rompeu ligamento. São incontáveis os machucados.

– Havia uma crença em Hollywood de que mulher não servia para isso. Hoje as heroínas de ação estão engatinhando. Sei que muitas atrizes não fariam isso, mas o que é um pouco de dor se você tem a chance de fazer isso? – diz ela.

A seu lado, Paul Anderson baixa o olhar, sentido.

– Tomamos muitos cuidados, mas as cenas são brutais. Milla vai para casa coberta de marcas roxas. O que posso fazer é preparar um bom banho com sais e mimá-la um pouco.

AGÊNCIA ESTADO



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