18 set09:55

Aurora assume controle da Bondio

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A partir de outubro, a Aurora Alimentos assume a unidade frigorífica da Bondio Alimentos localizada em Guatambu. O contrato de arrendamento, com opção de compra após o período de aluguel, foi confirmado nesta segunda à tarde pela direção da Aurora, em Chapecó.

Com a incorporação, a Aurora vai aumentar seu abate de aves em 20% até o final do ano e em 25% até 2014. A Aurora é uma das maiores abatedoras de suínos do país mas a participação no abate de aves ainda é modesta em comparação com gigantes como a BR Foods.

O presidente da Aurora, Mário Lanznaster, explica que a cooperativa está apostando que o Brasil vai crescer ainda mais na exportação de aves, uma carne que não tem restrições culturais e religiosas.

— É mais fácil vender frango do que suíno — compara.

Ele destaca que a negociação ocorreu devido à crise do setor de carnes, motivada pela falta de milho e soja, que tiveram aumento de custos. O farelo de soja, por exemplo, aumentou de R$ 0,70 o quilo para R$ 1,40.

Para o diretor de agropecuária da Aurora, Marcos Zordan, a negociação com a Bondio foi a oportunidade de aumentar a produção imediatamente e sem desembolsar grandes volumes de recurso na construção de uma nova unidade. Esta é a quarta unidade que a cooperativa arrenda com opção de compra.

— Assim não mexemos no nosso capital de giro — explica Zordan.


Funcionários serão recontratados

O vice-presidente Neivor Canton afirma que os mil empregados da Bondio serão demitidos e recontratados, com ampliação de vagas. A meta é chegar a 1,4 mil funcionários em um mês.

O valor da transação não foi divulgado a pedido da Bondio. O diretor da empresa, Mario Sperandio, não foi localizado para comentar a negociação. Lanznaster diz que não está definido o prazo para fechar a compra mas garante que a Aurora está entrando na unidade para não sair mais.


Reflexos no preço da carne

O presidente da Cidasc, Enori Barbieri, considera que a incorporação da Bondio pela Aurora é boa para os produtores, que poderiam ficar desamparados em caso de agravamento da crise. Mas ele considera que os consumidores vão pagar mais caro:

— Com esse custos de produção, inevitavelmente as carnes vão subir.

A fusão e incorporação de empresas é uma tendência de mercado, lembra o economista da Universidade do Oeste do Estado (Unoesc), Odair Balen. Ele afirma que as empresas precisam ganhar em escala para comprar insumos com menor custo. No entanto, avalia que a concentração é ruim para o consumidor, que tem suas opções reduzidas.


DIÁRIO CATARINENSE



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