27 set17:29

Educação com esporte, arte e espírito empreendedor

Darci Debona |darci.debona@diario.com.br

Tango e dança indiana são apenas algumas das habilidades da estudante Emanuela Badia, de 15 anos, que está no primeiro ano do ensino médio da E.E.B. Sóror Angélica, de São Lourenço do Oeste. E o mais interessante é que ela pode praticar sua paixão dentro da própria escola, que desde o início do ano oferece o Ensino Médio Inovador.


Alunos trabalharam a cultura de povos da antiguidade, como a China, nas aulas de dança e História


São 110 alunos de quatro turmas que tem aulas normais pela manhã e, três dias por semana, tem aulas também à tarde, com atividades de dança, teatro, esporte, língua estrangeira, informática e empreendedorismo.

-Achei ótimo, é bem variado e faz bem para a saúde- avaliou Emanuela, que pretende ser dançarina profissional.  Com isso ela pode aprimorar seus ensaios na própria escola. Sua colega de dança indiana, Aline Bif, aprovou a nova metodologia.  Num dos trabalhos interdisciplinares, os alunos uniram a dança ao aprendizado da cultura de povos antigos, da Índia, China, Mesopotâmia e Egito. Aline fez a própria fantasia e aprendeu algumas coisas da cultura asiática. –É diferente, a gente aprende e se diverte- afirmou.

Rafael Soratto e Jean Esser estavam longe de serem alunos destaque nas disciplinas tradicionais. Mas fizeram o maior sucesso nas aulas de empreendedorismo. –Nós dois gostávamos de tocar violão e cantar, daí montamos uma dupla sertaneja- explicou Rafael.

Com a ajuda das colegas Shauana Furlan e Sabrina Mezari, eles gravaram um CD, criaram panfleto, outdoor e até jingle de lançamento. Das dez músicas gravadas, duas são de autoria própria: “Não cabe em mim” e “Não te esqueci”. Eles já cantaram num festival interno da escola e já tem pedidos de CD.

-Como o primeiro foi só para o trabalho vamos gravar outro- explicou Jean. A dupla está tão empolgada que já pretende participar do Festival Lourenciano de Interpretação da Canção, que será realizado no próximo mês, em São Lourenço do Oeste.

Outra novidade das aulas de empreendedorismo é a Hava-Pau, uma espécie de Havaianas com sola de madeira. As estudantes Maeli Campagnolo, Vanessa Righi e Andressa Maciel garantem que ela é confortável. E já tem duas encomendas. –É bem leve, boa para um passeio ao ar livre- argumenta Vanessa. Ela e Maeli também interpretam músicas em espanhol durante as atividades da escola.

Ela acham o ensino inovador bom, só um pouco cansativo, ficar durante todo o dia na escola durante três dias. É que nas terça, quartas e quintas-feiras os alunos do ensino médio inovador ficam na escola também para o almoço, que é fornecido gratuitamente.

Para Andressa Maciel, o esforço vale a pena. –Até minhas notas em Matemática melhoraram- explicou.

Para a professora de empreendedorismo, Rosimeri Verona Ceni, a nova metodologia de ensino está contribuindo para o desenvolvimento do raciocínio lógio e também para a auto-estima.

A orientadora de convivência, Noeli Vedana, disse que alunos que antes eram muito tímidos, estão mais desinibidos graças à dança. –Para quem não dizia uma palavra isso é maravilhoso- comentou. Outros que tinham problemas de comportamento viraram alunos mais participativos.

Para a assistente pedagógica e coordenadora do Ensino Médio Inovador, Eunice Verona, o projeto permite uma integração melhor, familiarização, socialização e ajuda no aprendizado e assiduidade. –Não temos evasão- disse.

A diretora da escola, Vilma Aiolfi Padilha, disse que o projeto é muito bom, mas precisa de mais apoio. Ela afirmou que os professores tem que improvisar materiais para fazer o teatro, adaptar caixas de som e buscar apoio para viagens, como uma realizada para o município de Ametista do Sul, famoso pelas minas de pedras semipreciosas.

-Se tivéssemos dinheiro poderíamos aprimorar o espanhol na Argentina- explicou, já que o país vizinho fica a menos de 200 quilômetros.

Além disso, um repasse de R$ 56 mil do Governo Federal pra o projeto do Ensino Médio Inovador ainda não foi efetuado, segundo a diretora. Por isso as salas onde deveriam funcionar os laboratórios de Química, Física, Biologia e Matemática, funcionam como depósito de materiais. –É um projeto bom mas que precisa ser melhor estruturado- avaliou.


O QUE É O ENSINO MÉDIO INOVADOR


O programa federal foi instituído pela portaria 971 de 9 de outubro de 2009, com o objetivo de formação integral dos alunos, com um currículo mais dinâmico. A EEB Sóror Angélica, de São Lourenço do Oeste, é uma das 95 escolas do estado que adotou o Programa Ensino Médio Inovador.

Com isso, em três dos cinco dias os alunos entram na escola pela manhã e só saem no final da tarde. Nesses dias, além das disciplinas tradicionais, há aulas de dança, teatro, futsal, vôlei e espanhol. As aulas de inglês passaram de duas para cinco por semana. Foram implantadas as disciplinas de informática e empreendedorismo. Foram criados quatro novos cargos: laboratorista de informática, laboratorista de química, professor orientador de leitura e professor orientador de convivência.

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