14 out16:39

Ciclista catarinense Daniel Rogelin supera câncer e sobe ao pódio

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Neste domingo, o catarinense Daniel Rogelin inicia sua participação na volta de São Paulo, em que os ciclistas percorrem 1.272 quilômetros em oito dias. Com os estimados 600 mil quilômetros pedalados em 24 anos de carreira, Rogelin já poderia ter dado 15 voltas ao redor da Terra.


Sirli Freitas/Agência RBS


Mas a volta mais difícil aconteceu nos últimos dois anos. Em 2010, ele participou de um estudo sobre o efeito de treinamentos extremos no organismo dos atletas, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Um exame apontou um cisto no rim direito. Era um tumor maligno, que passou a ser monitorado em Chapecó, pelo médico Ozy da Costa. Por um ano, não houve alteração, mas no início de 2012 o tumor dobrou de tamanho. O câncer começava a se alastrar. Mesmo sem dinheiro, o ciclista marcou uma cirurgia com o urologista Marcos DallOglio, em São Paulo. Ia vender o carro para bancar o procedimento, mas médico e equipe não cobraram nada.

O apoio que recebeu o motivou a retornar aos treinos. A operação foi em abril e ele ficou quatro meses parado. Aos 39 anos, e após uma cirugira complexa, que deixou uma cicatriz de 20 pontos, não se sabia se voltaria a competir. Ele mesmo deu a resposta: treinou cerca de 150 quilômetros por dia e venceu a Volta Ciclística Internacional do ABCD, em setembro.

– Foi uma choradeira – diz.

– Meu filho é determinado, desde criança ia treinar sozinho, não precisava alguém mandar – lembra a mãe, Lourdes.

Pelo jeito, nada mudou.



COMO FOI A CIRURGIA


Rogelin identificou o tumor num exame realizado em 2010, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e passou a monitorar sua evolução.

Quanto ele começou a expandir, no início de 2012, marcou cirurgia.

Ele teve um carcinoma de células renais, na parte inferior do rim direito, do tipo células claras, o mais comum, medindo 1,2 centímetros.

Com tumores identificados em fases iniciais, até cinco centímetros, a chance de recuperação com cirurgia é de 95%

A cirurgia foi realizada no dia 17 de abril de 2012, no Hospital Alemão Osvaldo Cruz, em São Paulo, pela equipe do urologista Marcos Dall’Oglio.

O procedimento durou entre duas e três horas e foi removido 25% do rim

O órgão voltou a ter sua funcionalidade normal.

Rogelin não precisará tomar medicação mas precisa fazer exames de acompanhamento por cinco anos, antes de ter alta


Médico jogou no Inter e Figueirense e já operou José de Alencar


O médico Marcos Dall’Oglio disse que esperava que Rogelin voltasse a competir com bom desempenho. –O atleta é um cara que se supera a vida inteira- afirmou. Ele fala como quem conhece do assunto, pois foi jogador de futebol na década de 80. Como volante, Marquinhos atuou no Inter, Figueirense e Atlético-PR. Jogou com Dunga e Taffarel no Inter. Tem doutorado em uroglogia pela Universidade Federal de São Paulo. Em 2009 participou da equipe que operou o então vice-presidente José Alencar.

Sobre a operação gratuita de Rogelin, afirmou: -É simples, ele não tinha dinheiro e precisava ser operado- afirmou. Ele também comemorou a vitória de Rogelin. –É uma vitória nossa, o mais bacana é que ele pôde voltar a uma vida normal- explicou.

“Fiquei sem saber o que fazer”


Ciclista Daniel Rogelin conta como foi a experiência de descobrir um tumor maligno no rim.

 Diário Catarinense: O que te passou pela cabeça quando soube do resultado do exame?

Rogelin: Fiquei sem saber o que fazer. Nos primeiros dois meses fiquei bem fechado, bem pensativo. Mas procurei não demonstrar nada para ninguém. Continuei treinando enquanto pensava como resolver a situação.

 Diário Catarinense: Você até procurou preservar sua mãe evitando falar sobre isso, não foi?

Rogelin: No começo disse pra ele que teria que tirar pedra dos rins. Contar pra ela só iria deixar ela mais preocupada. Mas aos poucos estou falando pra ela o que aconteceu.

 Diário Catarinense: Na época vocês até estava com dificuldade para bancar cirurgia, não foi?

Rogelin: Quando fui a São Paulo levei o carro e o documento e falei pra que dava o carro de entrada. Aí do doutor Macros falou: -Vamos resolver isso, eu vou te ajudar. Ele não cobrou nada pela cirurgia. Eu abracei ele e chorei. Um monte de gente me ajudou. Mas ele fez a diferença. Olhando para estes troféus, eu vejo ele.


Diário Catarinense: O que muda depois de passar por isso?

Rogelin: Muita coisa. Você começa a não dar valor para algumas coisas que antes dava e passa a valorizar outras coisas. Hoje valorizo mais os momentos que vivo, como estar com vocês dando essa entrevista.

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