10 nov11:53

Família Zilli faz a primeira colheita do pêssego catarinense

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Um pêssego genuinamente catarinense está sendo colhido no Extremo Oeste e promete render 15 toneladas à família Zilli, que deu nome à variedade.

Agenor Zilli descobriu a nova variedade e investiu na reprodução dela em sua propriedade na cidade de Descanso.

Esta é a primeira safra após o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, feito após sete anos de acompanhamento de técnicos da Epagri e Embrapa.

— É uma variedade única no mundo — orgulha-se Agenor Zilli, que, há 12 anos, notou algo diferente no seu pomar, em Descanso.

Um ramo do pessegueiro de variedade chimarrita, que é branco, produziu pêssegos de cor amarela e com um filete branco. Ele contou o fato para o engenheiro agrônomo Loenir Loro, que recomendou que Zilli reproduzisse a planta. O produtor “enxertou” três ramos na base de outras plantas e só uma delas sobreviveu.

— Quase perdi a variedade — lembra o fruticultor.

Aos poucos ele foi multiplicando o novo pêssego, que passou a ter boa aceitação no mercado. Há três anos ele produziu a primeira safra para venda comercial, com quatro toneladas. No ano passado, foram oito toneladas. Neste ano, a produção chegará a 15 toneladas, com 1,1 mil pés. E a expectativa é de aumentar a produção, pois, a partir da sexta safra, o potencial é de 50 quilos por pé.


Registro recente vai propiciar venda de mudas

A família produz também outros tipos de pêssego e outras frutas. Mas o sucesso maior é o pêssego com o filete branco. A comercialização é feita a R$ 2 por quilo, contra R$ 1,20 a R$ 1,40 de outras variedades da fruta.

— Hoje falta Zilli no mercado — comenta Agenor.

No início, o produtor achou estranho ter uma fruta com seu nome.

— Eu pensei em Prata, mas os técnicos da Epagri e Embrapa me convenceram a colocar Zilli.

Agora ele orgulha-se do nome. Com o registro conquistado recentemente, o agricultor vai comercializar mudas numa parceria com dois viveiros da região. E pretende receber os “royalties” da produção.

A fruticultura tem dado tão bom resultado que dois dos três filhos de Agenor, Fabiano e Fernando, permaneceram na propriedade.

— Se fosse para produzir grão ou fumo a gente não estava mais em casa — garante Fabiano.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Epagri de São Miguel do Oeste, Loenir José Loro, o que houve foi uma mutação da espécie chimarrita, que num galho produziu uma fruta com características diferentes.

— Essa mutação deve ter ocorrido por uma alteração nos cromossomos — acredita o engenheiro agrônomo.

A variedade Zilli tem uma polpa amarela, com filete branco. Necessita de 250 horas de frio abaixo de 7,2 graus por ano, o que é propício em Santa Catarina, exceto em regiões muito frias, como São Joaquim.

A polpa é firme, tem baixa acidez e a casca tem baixa pelosidade (incidência de pelos). Pode produzir até 50 quilos por planta, a partir de seis anos. O período de colheita vai da segunda quinzena de outubro até a primeira quinzena de novembro.




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