14 nov10:59

Nivaldo faz história na Chapecoense

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Quem projetou a maquete de construção da Arena Condá bem que poderia ter reservado um espaço para uma estátua do goleiro Nivaldo. Ou a “impressão” de suas mãos numa calçada da fama.
Com a conquista do acesso para a Série B o goleiro consolida sua carreira como o maior vencedor da história da Chapecoense.

Dos quatro títulos estaduais do clube, Nivaldo estava em dois, sendo que, em 2007, foi escolhido o melhor goleiro do Catarinense. Na época até ganhou uma faixa da torcida com os dizeres: “Nivaldo Eterno”. Nem o torcedor, nem o goleiro, imaginavam que ele iria durar tanto no gol do Verdão. Nos dois acessos do clube, da Série D para a C e da C  para a B, ele era o titular.

E, aos 38 anos, é o goleiro menos vazado da Série C.  A Chapecoense levou apenas 13 gols em 20 jogos. Nivaldo tem média ainda melhor, de oito gols em 14 jogos. Ele começou a competição na reserva, devido a uma lesão. E ficou dois jogos fora devido a uma expulsão contra o Oeste, adversário na semifinal, por revidar uma agressão do atacante Serginho.

O goleiro quase parou de jogar em 2010, devido a uma série de lesões. Mas persistiu e voltou a jogar em grande estilo. Na primeira partida contra o Luverdense, em Chapecó, salvou o time logo no início da partida, num lance em que o atacante adversário entrou livre na área. Depois quase fez um milagre ao espalmar um chute que ia no ângulo.

O carisma do goleiro com a torcida é tão grande que o diretor de futebol Cadu Gaúcho até brinca: — O Nivaldo vai pra prefeito na próxima eleição. Nivaldo já completou mais de 200 jogos pela Chapecoense.  E ainda não decidiu quando vai parar. Seu sonho era levar a Chapecoense para a Série B antes de se aposentar. O que vier agora é lucro.

“Quero o título da Série C”
Confira a entrevista com o goleiro do Verdão

Diário Catarinense —  Você sempre dizia que antes de se aposentar gostaria de levar a Chapecoense para a Série B, como é realizar este sonho?
Nivaldo —
É muito bom. Ainda mais jogando. Em 2011 fui campeão estadual como reserva, mas o título valeu. Jogando tem outro sabor. Pude ajudar diretamente na conquista. Hoje uma Série B é muito bom. É bom para a cidade. Tem que parabenizar esse grupo, a diretoria, o torcedor que vem a campo. Mas, principalmente, o grupo. Quando estávamos mal chegaram a nos chamar de vagabundos. Ficamos mordidos por dentro. Esse acesso foi conquistado pelo brio dos jogadores.

DC — Você viveu a ascensão da Chapecoense, que estava quase fechando.
Nivaldo —
Quando cheguei, em 2006, o presidente me falou que talvez iria mudar o nome do time. Pensei em disputar a competição e “vazar” Mas aí fomos campeões depois de uma década sem chegar. Aí foi melhorando e eu fiquei.

DC — O que te fez ficar seis anos e meio no clube?
Nivaldo —
Com a conquista de 2007 o pessoal passou a gostar da gente. Me senti bem aqui. Mesmo em 2010, numa situação difícil, fiquei 90 dias sem receber, depois me pagaram, e nunca reclamei. Em 2009, quando tomei um frango na semifinal contra o Macaé, que nos tirou da final, estava só esperando acabar o jogo para receber vais de todo o estádio. Mas só uma meia dúzia vaiou. O restante me apoiou.

DC — Este foi o seu pior momento?
Nivaldo —
Os piores momentos foram nas lesões. Em 2010 tive uma lesão na quarta rodada do Catarinense e só voltei para a Série C. Em 2011 lesionei no primeiro jogo, contra o Avaí, e aí contrataram o Rodolpho e, quando voltei, o Rodolpho estava muito bem. Além disso quebrei um dedo. Só jóquei um jogo. Em 2012 estava em no estadual e tive uma lesão muscular no final do returno. Ia voltar para a Série C e fraturei uma costela. Mas depois voltei e agora estou me sentindo muito bem.

DC — Pensou em parar em algum momento?
Nivaldo —
Em 2010 fiquei três meses e meio parado e pensei em parar de jogar. Tive uma lesão na coxa e,  quando voltei, sentia uma lesão no quadril que não curava. Aí pensei, ou curava, ou parava. Acabei curando e voltei a jogar.

DC — Você conquistou o acesso para a Série B de 2012, agora, vai querer disputa-la, certo?
Nivaldo —
Essa resposta não vou te dar agora. Tem que ver o que vai dar a eleição no clube, quem vai ser o treinador.  O que eu quero agora é o título da Série C. Aí seria muito bom.

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