A Árvore da Vida

21 out07:44

‘A Árvore da Vida’

Você ouve histórias de atores tão intensos que não conseguem se separar de seus personagens e não sabem quem são por uma semana ou duas depois das filmagens. Eu não sou esse tipo, cara. Meu momento mais feliz é no dia em que me dizem que estou livre. Não costumo olhar para trás.

O autor da fala acima é Brad Pitt, que, há três anos, terminou de filmar A Árvore da Vida, filme que chegou aos cinemas em 2011 depois de vencer o Festival de Cannes. Em Chapecó, o longa de Terrence Malick está em cartaz nos cinemas do Arcoplex MercoCentro.

Na fala do início deste ano, Pitt não está apenas olhando para trás. Continua em um dos papéis do filme: o representante do diretor no planeta Terra. Malick é o famoso mais recluso do cinema, um homem de métodos de trabalho secretos, ausências absurdamente longas e um desdém genuíno por qualquer tipo de publicidade. Nem mesmo quando A Árvore da Vida ganhou a Palma de Ouro em Cannes, em maio, ele saiu da toca apesar de estar na cidade francesa na época. Assim, cabe ao homem mais fotografado do cinema no mundo Pitt falar em nome do menos fotografado.

- Ele é um homem extremamente reservado. Um estudante de filosofia, ama a ciência, a natureza e Deus. Tenho grande dificuldade para completar apenas uma frase sobre ele – revela Pitt.

Se tem muito a explicar é sobre A Árvore da Vida. Dizer que o filme recai sobre temas de marcas registradas de Malick é um eufemismo lamentável. As dublagens introspectivas, a iluminação dourada, as observações tangenciais e sobrenaturais, campo espiritual de seus trabalhos anteriores estão todas lá, mas a sequência mais comentada do filme é sobre a história do universo.

Durante grande parte do resto do tempo, no entanto, o filme é uma lembrança fragmentada e impressionista sobre crescer nos anos 1950 no Texas, recordada pelo já adulto Sean Penn nos dias atuais. Pitt interpreta o confuso pai autoritário da família. Jessica Chastain, a mãe gentil e amável. Eles são arquétipos opostos que lançam o personagem de Penn para um final enigmático.

Substituto

O papel do pai em A Árvore da Vida fora originalmente planejado para Heath Ledger. Pitt, então escalado como produtor, foi chamado para o personagem como uma substituição após a morte de Ledger, mas se encaixou perfeitamente. Não é o herói charmoso que costumamos ver Pitt interpretando. Ele é sério, mal-humorado e atormentado por um sentimento de fracasso, uma presença ameaçadora e disciplinadora na família.

Atualmente, Pitt está rodando o filme de terror e ação Guerra Mundial Z, de Marc Forster:

- Gosto de extremos. Um pouco de alta tensão, um pouco de baixa tensão.

O ator diz que o tempo que passou trabalhando com Malick trouxe suas próprias crenças:

- Sou um cara que luta contra a ideia do céu, mas o que eu de fato respeito é que exista uma força maior do que qualquer outra coisa que possamos entender e, para mim, o filme é sobre isso. Só o fato de que há uma força desconhecida e de alguma forma maravilhosa já me traz um sentimento de paz.


DIÁRIO DE SANTA MARIA


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