Agricultores

22 ago10:06

SC quer ampliar o limite de abastecimento de grãos por produtor

Danilo Duarte | danilo.duarte@diario.com.br

As entidades que representam os pequenos e médio agricultores de Santa Catarina estiveram reunidas com o secretário da Agricultura João Rodrigues na manhã da terça-feira, dia 21, para avaliar as propostas divulgadas no dia anterior pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Ministério da Agricultura.

Os representantes da categoria consideraram baixa a oferta de até mil toneladas por produtor para diminuir a crise. A contraproposta formalizada hoje e que será encaminhada para Brasília pelo governo de Santa Catarina propõe que este limite seja ampliado para até 4 mil toneladas.

A expectativa é que o retorno para esta demanda seja dado em até uma semana. Na mesa do consumidor, o reflexo da crise pode ser o aumento dos preço das carnes de frango e do suíno de até 20%.

O secretário de Estado da Agricultura reconhece que a produção de milho em Santa Catarina está aquém do necessário, sem apresentar uma alternativa concreta para o problema. Segundo o governo federal, não falta abastecimento de milho e soja no país, mas o problema estaria no transporte do principal centro produtor, o Centro-Oeste, para outras regiões, como os estados do Sul.

Para amenizar o problema dos produtores catarinenses, o governo de SC está discutindo a possibilidade de cobrir a diferença do frete pago pela Conab ou ainda desonerar o ICMS das agroindústrias. As alternativas propostas por Rodrigues ainda precisam passar pela avaliação do governador Raimundo Colombo e do secretário da Fazenda, Nelson Serpa.

Enquanto o consumo diário gira em torno de 5,5 milhões de toneladas ao ano, a produção catarinense é de apenas 3,6 milhões do grão, conforme os dados da Secretaria de Agricultura, e sem perspectiva de expandir este número em função da pouca disponibilidade de terras para esta ampliação.

Nem mesmo a construção de silos da Conab no Oeste do Estado para estocar os grãos trazidos de Mato Grosso e Goiás, onde ficam os estoques para todo o país, está acompanhando a urgência que o caso exige — a previsão é de que as estruturas estejam disponíveis apenas em 2015.

Ontem, dia 20, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Maria dos Anjos, esteve em Florianópolis e informou que o governo trabalha para que, em até 20 dias, possa fazer um leilão no Centro-Oeste, onde os grãos serão ofertados a um preço 15% a 20% menos do que o valor da exportação, hoje em em torno de R$ 35 a saca de 60 quilos. Isso significaria um preço de R$ 29 por saca de 60 quilos para compradores de até mil toneladas por mês (ou seja, pequenas e médias agroindústrias).

Diante da necessidade e do consumo dos produtores catarinenses, o secretário e entidades que representam os agricultores pediram, além do aumento do limite para 4 mil toneladas, para que o frete se transforme em subsídio no preço da saca, uma vez que as empresas contratadas para fazer o transporte do milho não estão aceitando manter o preço do frete mesmo com a elevação nos custos.

O cenário vislumbrado pelas entidades do setor é que a baixa produção e o nível alto de demanda devem continuar a puxar para cima o preço das carnes de frango e suíno, além do leite. A crise no setor deve afetar ainda mais a vida das mais de 80 mil famílias do Estado e provocar um efeito cascata que chegará a mesa do consumidor.

— O custo para trazer uma saca (do Centro-Oeste) é de aproximadamente R$ 14, mas falta tranporte para que o grão venha para cá. Então vamos sugerir que este valor seja retirado do preço final vendido ao produtor, que por sua vez precisará arcar com a contratação do caminhão para fazer este serviço. Com isso, podemos chegar próximo de equalizar a falta de milho nas agroindústrias e nos pequenos produtores catarinenses — estima Rodrigues.



REPERCUSSÕES:


Nelton Rogério de Souza, diretor da Federação de Agricultores de SC:

“A medida (do governo federal) pode apenas aplacar o problema temporariamente. Os principais calos no Estado são a falta de silos da Conab para estocar grãos em Santa Catarina e a burocracia para que armazéns particulares sejam locados pelo governo federal”


Milton Dalago, coordenador técnico da Organização das Cooperativas de SC:

“Os governos de SC e federal não têm estruturas para resolver o problema de forma permanente. O ideal seria ter instrumentos de forma continuada, como estoques de segurança mais próximos ao produtor catarinense, principalmente no Oeste”


Clever Pirola Ávila, presidente da Associação Catarinense de Avicultura e do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados em SC:

“A curto prazo, uma boa medida seria redirecionar parte da produção norte-americana, que é usada no biodiesel, para o uso na agricultura, liberando parte do que é produzido em SC. Mas a solução deve ser desenhada apenas na próxima safra brasileira e dos Estados Unidos”



Comente aqui
21 ago14:16

Cooperhaf e Caixa comemoram investimentos em habitação rural

A Cooperativa de Habitação dos Agricultores Familiares (Cooperhaf) e a Caixa Econômica Federal, por meio do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) Minha Casa Minha Vida, já contrataram, na região Sul do Brasil 4.875 unidades habitacionais destinadas a agricultores familiares. Destas, 1.824 são famílias agricultoras beneficiadas em Santa Catarina, 1.731 no Rio Grande do Sul e 1.320 no Paraná.

Foram mais de R$ 100 milhões investidos, sendo cerca de R$ 70 milhões de subsidio do Governo Federal e R$ 32 milhões de recursos financiados pela Caixa, valores estes que incrementaram a economia dos municípios do Sul do Brasil.

De acordo com a presidente da Cooperhaf, Liane Vitali Kothe, se transformarmos o valor médio do subsídio em produtos da agricultura familiar, como o leite, teríamos a seguinte situação: Uma família que trabalha com a bovinocultura de leite e que recebeu de subsídio o valor médio de R$ 20 mil para a construção da nova moradia, deveria comercializar todo mês 2.300 litros de leite ao valor de R$ 0.70, que é o preço do litro atualmente, acumulando o valor mensal de RS 1666.00 e depositando na poupança integralmente este valor durante o período de um ano.

- Muito mais que ter a casa nova, são milhões investidos que movimentam a economia dos municípios, gerando emprego e renda e proporcionando ainda a qualidade de vida aos moradores da agricultura – complementa Liane.

De acordo com a superintendente nacional de habitação rural da Caixa, Noemi Lemes, nas ações do Programa, as famílias recebem capacitação técnica e orientação sobre gestão da propriedade rural, embelezamento das moradias, cooperativismo, participação da mulher na gestão da propriedade e ações que visem à permanência do jovem no campo. O PNHR prevê o subsidio de R$ 1 mil, por família, para que a entidade organizadora preste assistência técnica e execute o trabalho social junto às famílias, aspecto fundamental do Programa, que visa promover a qualidade de vida dos trabalhadores do campo e evitar o êxodo rural.

Vale ressaltar que se enquadram no PNHR agricultores familiares e trabalhadores rurais. As famílias são organizadas por entidade representativa sem fins lucrativos (município, estado, sindicatos, cooperativa ou associações), que apresentam projetos técnicos de engenharia e social para Caixa Econômica Federal.

No PNHR, as entidades identificam a demanda habitacional e auxiliam no trabalho de organização das famílias. Os bancos habilitados entram como agentes financeiros e gestores operacionais do Programa, contribuindo com o trabalho de capacitação técnica e social das comunidades, por fim, liberam os recursos e acompanham a realização das obras.


Programa Nacional de Habitação Rural

Parte integrante do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), o Programa Nacional de Habitação Rural foi criado pela necessidade de uma política habitacional que atendesse as especificidades da moradia no campo, onde as diferenças do meio urbano para o rural – tais como cultura, forma de remuneração, gleba de terra, logística para construção – passaram a ser consideradas nos programas de moradia para a população do campo.


Parâmetros do programa

Para famílias com renda anual de até R$ 15 mil (Grupo I), o valor do subsídio, com recursos do Orçamento Geral da União (OGU), é de até R$ 25 mil para construção e até R$ 15 mil para reforma. Cada família devolve à União apenas 4% do valor subsidiado, em 4 parcelas anuais (1% por ano – 96% do valor total do projeto é subsidiado).

Famílias com renda anual entre R$ 15 mil e R$ 30 mil (Grupos II), podem receber subsidio de até R$ 7 mil e os valores financiados podem chegar a R$ 80 mil, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O valor médio das unidades habitacionais é de R$ 25 mil – custo mais baixo, em relação às áreas urbanas, pela disponibilidade de terrenos no meio rural e pelo sistema de produção das moradias (mutirão/autoconstrução assistida, administração direta).


Comente aqui
17 ago14:26

Agricultores receberão parcela do Bolsa Estiagem ainda em agosto

Os agricultores familiares afetados por seca ou estiagem ocorrida durante a safra 2011/2012 receberão a primeira parcela do benefício, 5x de R$ 80, ainda neste mês de agosto. A lista dos agricultores beneficiados já está disponível para os sindicatos com base da Fetraf-Sul/Cut.

A definição dos agricultores que receberão o bolsa estiagem seguiu os seguintes critérios:

- Residir em município que decretou situação de emergência ou calamidade pública no período de 1º de janeiro de 2012 até 31 de outubro de 2012;

- Ser agricultor com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP);

- Possuir renda familiar mensal de até dois salários mínimos;

- Estar cadastrado no cadastro Único para programas Sociais do Governo Federal;

- Os agricultores que acessaram o Proagro Mais na última safra também terão direito ao bolsa estiagem.

O agricultor receberá pelo Correio um cartão específico de benefício social do Governo Federal e poderá sacar o dinheiro do bolsa estiagem nas agências Caixa ou estabelecimentos comerciais credenciados.

O pagamento da primeira parcela deve acontecer no dia 18 de agosto, caso o agricultor não tenha recebido o cartão até a data, ele poderá receber o recurso somente na agência da Caixa Econômica Federal com a apresentação do documento da identidade.


Comente aqui
27 mai17:26

Agricultores assentados comemoram 27 anos de Reforma Agrária em Abelardo Luz

Uma grande festa marcou o aniversário de 27 anos de reforma agrária e da primeira ocupação do MST em Santa Catarina, na sexta-feira, dia 25 de maio, no assentamento José Maria, interior de Abelardo Luz. O município concentra o maior número de assentamentos do estado, com 22 no total, ocupando uma área de 20,1 mil hectares de terra, onde vivem 1.448 famílias de pequenos agricultores.

O evento festivo foi marcado com a inauguração do Centro de Eventos da comunidade, o primeiro de múltiplo uso a ser construído no interior do município. A obra recebeu investimento de R$ 427.609,10, sendo R$ 390 mil repassados pelo Governo Federal, através do Ministério do Turismo, e o restante contrapartida do Governo Municipal.

O espaço tem 704,67 metros quadrados de área física e conta com auditório para 150 pessoas, salas de reuniões, refeitório, cozinha, banheiros e sala de administração. A estrutura será usada na realização de atividades em diferentes áreas, especialmente para fomentar o desenvolvimento da educação, da cultura e do turismo rural sustentável.

A programação iniciou, por volta das 11h, com a encenação do episódio do “fogo na ponte do Rio Chapecó”, que relembrou a chegada das famílias e a ocupação em 1985 da então “Fazenda Papuan”, hoje assentamento Papuan. O pároco Padre Genuíno Begnini celebrou uma missa e após o ato inaugural aconteceu o tradicional almoço festivo seguido com tarde dançante.

O ato inaugural contou com a presença de autoridades municipais, representantes do INCRA e lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

- São 27 anos de lutas e conquistas. Esse Centro de Eventos é mais uma conquista do povo. É um espaço para produção de conhecimento, da arte e da cultura que nossas famílias poderão usufruir – relatou o membro da direção nacional do MST, Altair Lavratti.

O prefeito Dilmar Fantinelli enfatizou que a chegada das primeiras famílias em 1985, organizadas pelo MST, foi importante para o desenvolvimento de Abelardo Luz. – Os assentamentos fizeram a diferença em Abelardo Luz. Nesses 27 anos, as famílias tiveram grandes dificuldades, mas também muitas conquistas em todas as áreas – destacou.


Produção

Em Abelardo Luz, hoje os assentamentos servem de referência na produção de alimentos integrando as cadeias produtivas do pescado, do leite e de grãos. As ações são coordenadas pela Cooperativa de Produção Industrialização e Comercialização Edson Adão Lins (Coopeal) e Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo Oeste (Cooperoeste), ambas administradas pelos próprios agricultores assentados.

Os assentamentos do município recebem atenção especial, com apoio financeiro do Governo Federal, em especial do INCRA, que em parceria com a prefeitura, investe significativamente na manutenção das estradas para melhorar o escoamento da produção agrícola.


Comente aqui
24 mai15:30

Agricultores fecharam rodovia para reivindicar verbas contra a estiagem

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Cerca de mil agricultores familiares fecharam ontem a BR 282 no trevo de acesso a Chapecó para pressionar os Governos Federal e Estadual a liberarem verbas de compensação contra os prejuízos da estiagem.

Em Santa Catarina as perdas chegam a R$ 770 milhões. Eles reclamam que as medidas anunciadas até agora auxiliam prefeituras mas não resolvem o problema de falta de renda no campo.

A agricultora Enelsi Mariani, de Seara, esperava colher duas mil sacas de milho em 19 hectares mas conseguiu apenas 500 sacas, numa quebra de 70%. Esse volume mal dá para o consumo dos animais na propriedade. E o pior é que ela ficou sem dinheiro para quitar o financiamento de R$ 33 mil da lavoura. Outro financiamento de R$ 30 mil, para a atividade pecuária, ela conseguiu renegociar, pagando R$ 1,2 mil de juros. Para piorar a suinocultura está em crise e a produção média de 120 suínos por mês não cobre os custos. Sobrou a produção de leite, que também caiu de sete mil litros para quatro mil litros mês. Mas a renda de R$ 2,6 mil mensais não chega para cobrir as despesas. –Não consigo pagar o financiamento- disse Enelsi.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul, Fetraf-Sul, Alexandre Bergamin, calculou que 110 mil agricultores foram afetados pela estiagem e apenas 15 mil conseguiram acessar o Proagro. –Tivemos agricultores que perderam 65% e não tiveram o benefício- afirmou. Um dos motivos é que o alto preço da soja e do milho acabaram garantindo um valor suficiente para pagar o banco. O ruim é que os agricultores ficaram sem renda. Por isso uma das propostas é alterar o Proagro para que haja uma garantia de renda de pelo menos R$ 10 mil por família em caso de renda. Além disso os agricultores querem recursos federais e estaduais para que as famílias capital para viverem o restante do ano e investirem em novas lavouras.

Em reunião com a secretaria de Agricultura do Estado na quinta-feira, quando iniciaram os protestos dos agricultores, foi acenada a possibilidade de usar parte dos recursos dos R$ 60 milhões que o Governo vai buscar no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, para combater a estiagem, em benefício direto para os agricultores atingidos. Eles receberiam um percentual do financiamento em dinheiro.

Para o Governo Federal foi solicitada a prorrogação das parcelas de financiamento que vencem em 31 de junho e uma extensão do financiamento de R$ 12 mil por família liberado para o Nordeste, também para os agricultores atingidos pela estiagem no Sul.


REIVINDICAÇÕES

-Liberação de um crédito do Governo Federal no valor de R$ 12 mil, com subsídio de 40%, a exemplo do que foi liberado para o Nordeste.

-Alteração no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), aumentando o desconto de 2% para algo em torno de 3 a 4%, desde que seja dada uma garantia de renda de R$ 10 mil por agricultor.

-Prorrogação dos financiamentos

-Utilizar parte dos R$ 60 milhões que o Governo do Estado vai captar junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para subsidiar R$ 5 mil a R$ 8 mil aos agricultores em projetos de cerca de R$ 30 mil para a construção de cisternas, redes de água e sistemas de irrigação.

-Utilizar metade dos R$ 60 milhões que o Governo do Estado vai captar no BNDES para a construção de reservatórios, poços e barragens comunitárias.


Comente aqui
23 mai14:28

Trevo de acesso à Chapecó é liberado

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Chapecó foi liberada às 13h50 desta quarta-feira o trevo de acesso à Chapecó, cruzamento da BR 282 com a BR 480. Cerca de mil agricultores familiares trancavam o local desde as 10h da manhã. As filas chegaram a 5 km de extensão. A PRF permanece no local, monitorando a situação.

Segundo o coordenador Estadual da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul do Brasil (Fetraf-SUL/) em Santa Catarina, Alexandre Bergamin, a mais de 50 dias os agricultores familiares esperam por respostas do governo em relação à estiagem.

As principais reivindicações são a melhoria do Seguro Agrícola, criação de um programa de irrigação e reabertura da negociação do endividamento agrícola.

Na terça-feira os agricultores haviam realizado outro movimento em Chapecó. Eles se concentraram na Praça Coronel Bertaso e partiram em caminhada até a Cidasc, onde entregaram uma pauta de reivindicações.


Comente aqui
23 mai10:28

Agricultores familiares fecham trevo de acesso à Chapecó

[Atualizada às 10h40]

Mais de mil agricultores familiares fecharam o trevo de acesso à Chapecó, na BR 282, na manhã desta quarta-feira. Eles pedem o cumprimento da pauta apresentada ao Governo Federal há quase dois meses.  De acordo com o Inspetor Ivo Silveira da Polícia Rodoviária Federal, que está monitorando o local, a previsão é que a rodovia fique interditada até as 14 horas.

Segundo o coordenador Estadual da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul do Brasil (Fetraf-SUL/CUT) em Santa Catarina, Alexandre Bergamin, a mais de 50 dias os agricultores familiares esperam por respostas do governo em relação à estiagem.

As principais reivindicações são a melhoria do Seguro Agrícola, criação de um programa de irrigação e reabertura da negociação do endividamento agrícola.

Nesta terça-feira eles também realizaram um movimento, só que desta vez, com foco no Governo do Estado. Os agricultores se concentraram na Praça Coronel Bertaso em Chapecó e partiram em caminhada até a Cidasc, onde entregaram uma pauta de reivindicações.

Os agricultores familiares reclamam que a Cidasc terceirizou a inspeção sanitária, que antes era gratuita e agora é feita por profissionais contratados de empresas ou cooperativas, que cobram pelo serviço.

A Fetraf-Sul também cobra uma redução na alíquota do ICMS nos produtos da agricultura familiar, que é de 17%.

Segundo a Cidasc, em relação à cobrança das inspeções, a companhia não tem como dar conta das 800 empresas que tinha para fiscalizar e por isso adotou o modelo de credenciar empresas, que é utilizado em países desenvolvidos.


* colaborou Silvia Nowalski


Comente aqui
23 mai10:27

Agricultores pedem apoio para agroindústrias familiares

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Agricultores do Oeste de Santa Catarina realizaram ontem uma mobilização em Chapecó e Rio do Sul para cobrar do governo do estado políticas públicas de apoio às agroindústrias familiares. Os atos foram coordenados pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul).

Em Chapecó cerca de 60 pessoas se concentraram no início da manhã na Praça Coronel Bertaso e depois partiram em caminhada até a Cidasc, onde entregaram uma pauta de reivindicações. No início da tarde foram até a sede da Receita Estadual. Enquanto isso lideranças da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul, Fetraf-Sul, estiveram reunidos com representantes da Secretaria de Agricultura do Estado, em Florianópolis.

Os agricultores familiares reclamam que a Cidasc terceirizou a inspeção sanitária, que antes era gratuita e agora é feita por profissionais contratados de empresas ou cooperativas, que cobram pelo serviço.

Gelso Marchioro, consultor da Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense, disse que a cobrança varia de R$ 750 a R$ 2,5 mil por mês. –Isso deveria ser um serviço público e gratuito- explicou Marchioro.

Francisco Giordan, que é dono de uma agroindústria de embutidos em Coronel Freitas, disse que essa cobrança tira a competitividade do empreendimento. –É um custo que a gente não tinha e perdemos concorrência com isso- afirmou.

Vanda Biazussi, que tem uma empresa de massas e bolachas em Maravilha, reclama que o imposto é alto e que os contratos com o Estado demoram para ser renovados.

Os agricultores também reclamaram demora na liberação dos novos projetos. Sandra Bergamin, presidente da Cooperfamiliar, cooperativa ligada à Fetraf Sul, disse que a Cidasc está com quadro de veterinários defasados, o que prejudica a assistência aos produtores. A Fetraf-Sul também cobra uma redução na alíquota do ICMS nos produtos da agricultura familiar, que é de 17%.

O presidente da Cidasc, Enori Barbieri, reconhece que o quadro está defasado, mas que não há previsão de contratação de novos médicos veterinários. Em relação à cobrança das inspeções ele afirmou que a Cidasc não tinha como dar conta das 800 empresas que tinha que fiscalizar e por isso adotou o modelo de credenciar empresas, que é utilizado em países desenvolvidos.

Sobre a demora na aprovação dos projetos, disse que muitos não estão adequados às exigências. Por isso haverá uma reunião no dia 5 de junho, com responsáveis técnicos da Fetraf-Sul, para tratar da “reciclagem” desses profissionais.

Uma nova mobilização dos agricultores deve ser realizada hoje, cobrando mais medidas de compensação contra a estiagem.



Comente aqui
22 mai16:20

Agricultores do Oeste fazem atos em Chapecó

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Agricultores do Oeste de Santa Catarina realizaram hoje uma mobilização para cobrar do governo do estado políticas públicas de apoio às agroindústrias familiares. Eles se concentraram no início da manhã na Praça Coronel Bertaso e depois partiram em caminhada até a Cidasc, onde entregaram uma pauta de reivindicações. No início da tarde foram até a sede da Receita Estadual. Enquanto isso lideranças da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul, Fetraf-Sul, estiveram reunidos com representantes da Secretaria de Agricultura do Estado, em Florianópolis.

Os agricultores familiares reclamam que a Cidasc terceirizou a inspeção sanitária, que antes era gratuita e agora é feita por profissionais contratados de empresas ou cooperativas, que cobram pelo serviço.

Além disso eles reclamam da demora na liberação dos novos projetos. Sandra Bergamin, presidente da Cooperfamiliar, disse que a Cidasc está com quadro de veterinários defasados, o que prejudica a assistência aos produtores. A Fetraf-Sul também cobra uma redução na alíquota do ICMS nos produtos da agricultura familiar, que é de 17%.

O presidente da Cidasc, Enori Barbieri, reconhece que o quadro está defasado, mas que não há previsão de contratação de novos médicos veterinários. Em relação à cobrança das inspeções ele afirmou que a Cidasc não tinha como dar conta das 800 empresas que tinha que fiscalizar e por isso adotou o modelo de credenciar empresas, que é utilizado em países desenvolvidos.


Comente aqui
15 mar19:05

Auxílio contra a estiagem

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Cerca de mil agricultores familiares do Oeste de Santa Catarina realizaram nesta quinta-feira atos em Chapecó e São Miguel do Oeste, em frente ao Banco do Brasil e secretarias regionais, para reivindicar mais apoio dos Governos Federal e Estadual no combate à estiagem. Também nesta quinta-feira o número de cidades em emergência aumentou para 102, com os decretos Luzerna e Rio das Antas.

De acordo com as lideranças da agricultura familiar os recursos liberados até agora são insuficientes e são medidas que não resolvem a perda de renda do agricultor. O coordenador estadual da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), Alexandre Bergamin, disse que cerca de 60 mil famílias de agricultores foram prejudicados pela estiagem. No entanto apenas 6% deles solicitaram o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), pela demora, burocracia e medo de não conseguir o benefício e ainda ter que pagar o laudo, que custa R$ 190 em caso de negativa. Bergamin informou que em Maravilha cerca de 30% dos pedidos foram negados.

O motivo é que o Proagro beneficia apenas os agricultores que não tiverem renda suficiente para pagar os financiamentos. Como o preço do milho e da soja estão altos, em muitos casos, mesmo colhendo pouco, o valor acaba cobrindo o financiamento. No entanto os produtores ficarão sem renda para o restante do ano.

Um dos casos é do produtor Neri Antonio Pianesola, de União do Oeste. Ele plantou 28 hectares de soja onde esperava colher cerca de 70 sacas por hectare. Ele solicitou o Proagro pois a estimativa é de perda de até 90%. Mas ainda não teve resposta oficial. Pianesola tem um financiamento de R$ 24 mil da lavoura e mais uma parcela de R$ 16 mil da compra do trator.

Mesmo que consiga pagar o financiamento ele não vai ter dinheiro para se manter até a próxima safra. –Vou ficar sem capital de giro- disse. Outro agricultor, Hermes Milani, de Coronel Freitas, perdeu quase todo o investimento que fez nos quatro hectares de milho. –Uma parte fiz silagem pois estava secando e vou colher apenas 80 sacas- explicou. Ele estima a quebra entre 40 e 60%. Com isso terá que comprar alimento para as vacas, que diminuíram a produção de leite de dois mil litros por mês para 1,5 mil litros.

Os agricultores estão pedindo um salário mínimo mensal durante seis meses, anistia do programa troca-troca e desconto de 30% nas dívidas. Alexandre Bergamin disse que não adianta o Governo Federal prorrogar dívidas por seis meses pois isso não resolve o problema dos agricultores. Os prefeitos também aguardam a liberação de R$ 10 milhões do Ministério da Integração Nacional, que antes viria para o Estado perfurar poços e agora deve ser liberado diretamente para os municípios. Algumas cidades já gastaram entre R$ 200 mil e R$ 300 mil só com o transporte de água.

Nesta quinta houve uma reunião em Brasília onde foi formado um grupo de trabalho para tratar sobre possíveis medidas de auxílio aos agricultores.

Em relação ao Governo do Estado disse que os manifestantes consideram insuficientes os R$ 10 milhões do Programa Juro Zero, cerca de R$ 3 milhões anunciados para compra de insumos e outros R$ 3 milhões para as prefeituras. Isso porque os prejuízos já chegam a R$ 550 milhões e o dinheiro não recupera as perdas do produtor. Uma audiência deve ser agendada com o governador Raimundo Colombo na próxima semana.


Comente aqui