Argentina

25 fev08:08

Protecionismo argentino reduz exportações em 40%

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

As medidas protecionistas da Argentina adotadas a partir deste mês reduziram em cerca de 40% o movimento das exportações na Aduana de Dionísio Cerqueira. Em fevereiro do ano passado 511 caminhões passaram pelo local rumo à Argentina e Chile. Neste mês, o número não deve chegar a 300 segundo o Inspetor Chefe da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, Arnaldo Borteze. Até quinta-feira, apenas 247 cargas tinham saído do país por Santa Catarina.

Isso traz prejuízo para os exportadores e para o país. Em fevereiro do ano passado as vendas externas que passaram pela Aduana chegaram a US$ 25 milhões. Neste ano, somaram US$ 17 milhões até agora e deve atingir apenas R$ 19 milhões. São US$ 6 milhões a menos do que no ano anterior. E o inspetor chefe da Receita Federal acredita que esse prejuízo é ainda maior, pois havia uma expectativa de venda de US$ 40 milhões, que foi a média do último trimestre do ano passado. Esse acréscimo se dá a um crescimento na venda de carne bovina para o Chile e a um acréscimo natural que a aduana vinha tendo nos últimos anos. Desde outubro de 2009, quando 251 caminhões saíram do país, a aduana não tinha um movimento tão baixo.

Borteze lembrou que até janeiro, a liberação das cargas era feita em um a dois dias. Bastava uma conferência da carga, o despacho aduaneiro no Brasil e depois o despacho aduaneiro no lado argentino. A partir de primeiro de fevereiro os exportadores necessitam de uma Declaração Jurada Antecipada de Exportação, que demora até 10 dias. Depois disso, o caminhão vai para a aduana. Ontem a fila estava em 70 caminhões no lado brasileiro. E só não estava maior porque os transportadores esperam esta declaração antes de enviar as cargas. O problema continua depois porque, além da declaração antecipada e dos despachos aduaneiros, a carga agora necessita de uma Autorização de Entrada de Mercadoria, que é fornecida pela Secretaria de Comércio Exterior. Esse documento pode demorar até 10 dias.

O diretor da Tropical Exportação e Importação Ltda, Luciano Wendramin, disse que deveria exportar 45 cargas de frutas neste mês e, até agora, encaminhou apenas 17. Além disso ele trabalha com um produto perecível, que é banana. –Com a demora na liberação nosso produto perde qualidade e muitas vezes se deteriora- disse. Wendramin afirmou que seus clientes estão ficando sem matéria- prima e, além disso, atrapalha também a importação de outras frutas, como pera e maçã argentina. –O caminhão que levaria a banana busca também outras frutas na Argentina- explicou.

Com isso a empresa perde dinheiro e aumenta os gastos com transporte. Um caminhão parado representa prejuízo de US$ 190 por dia. –O pior ainda é a incerteza de quando as cargas serão liberadas- afirmou.

O motorista Ivaldo Alberton, que está levando banana de Luís Alves para Buenos Aires, já está há uma semana na Aduana. Ele esperava liberar a carga até o final da tarde de ontem, senão teria que esperar no mínimo até terça-feira, já que na segunda-feira é feriado no país vizinho.

Mas não é só no lado brasileiro que há fila. Na parte argentina também há cerca de 170 caminhões parados. Boaventura de Paula Neto está desde segunda-feira na fila, com uma carga de alho, que está transportando de Mendoza para Pato Branco-PR. Ele reclama da falta de infraestrutura, como banheiros e restaurantes.

Arnaldo Borteze explicou que há um aumento no fluxo de importação, pela safra da cebola. Outro problema é a construção da nova aduana, que diminuiu as vagas no pátio de 190 para 90. A obra no valor de R$ 10 milhões começou em agosto do ano passado e tem prazo de conclusão de um ano. Borteze afirmou que a nova estrutura conta com algumas melhorias, como local de conferência de mercadorias. –Essa obra deve agilizar o fluxo das mercadorias- garante o inspetor chefe da Receita Federal.


DADOS DA ADUANA DE DIONÍSIO CERQUEIRA

Exportações em 2010: US$ 211 milhões

Exportações em 2011: US$ 340 milhões

Exportações em fevereiro de 2011: US$ 25 milhões

Exportações em fevereiro de 2012: US$ 17 milhões até quinta-feira, devendo chegar a US$ 19 milhões até o final do mês

Importações em 2010: US$ 371 milhões

Importações em 2011: US$ 415 milhões

Importações em fevereiro de 2012: US$ 25 milhões

Caminhões de exportação que passaram pela aduana em fevereiro 2011: 511

Caminhões de exportação que passaram pela aduana em fevereiro de 2012: 247 até quinta-feira, podendo chegar a 300 até o final do mês

Principais produtos de exportação para a Argentina: Carne suína, carne de frango, frutas tropicais e móveis. (O Chile compra bom volume de carne bovina)

Participação da Argentina no volume exportado: 50%

Participação da Argentina no faturamento exportado: 30%

Fonte: Receita Federal


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10 nov14:39

Obras do Parque Turístico em ritmo lento

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

As obras do Parque Turístico Ambiental da Integração, que está sendo construído na fronteira do Brasil com a Argentina, entre a cidade argentina de Bernardo de Irigoyen e as cidades brasileiras de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, e Barracão, no Paraná, devem ganhar um impulso nos próximos dias.

De acordo com o arquiteto da prefeitura de Dionísio Cerqueira, Adilson Basso, que está acompanhando as obras, os trabalhos no lado brasileiro ficaram paralisados cerca de um mês para adequação no projeto de drenagem e pavimentação. Segundo o arquiteto houve uma ampliação da área a ser drenada e pavimentada. A empresa Gaia, de Maravilha, foi a vencedora da licitação de R$ 1,5 milhão, do Ministério do Turismo. A obra iniciou em 2010, no lado brasileiro, com as escavações para a formação do lago, drenagem pluvial e colocação dos muros de contenção no lado brasileiro. Isso custou R$ 1,5 milhão. Essa obra, também com cerca de R$ 1,5 milhão do Governo Federal, foi executada pela empresa paranaense Pavimar, de Francisco Beltrão. Também foram pavimentado 900 metros de ruas na área do futuro parque.

De acordo com o prefeito de Dionísio Cerqueira, Altair Rittes, nessa semana será retomado os trabalhos no lado brasileiro.

No dia 16 de novembro será lançado o edital para a construção dos passeios, três mirantes e preparação dos aterros, no valor de R$ 1 milhão, com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina. Outros R$ 500 mil do Governo de Santa Catarina já foram gastos na movimentação de terra e outros R$ 800 mil serão investidos em paisagismo e infraestrutura urbana. O governo do Paraná também devem gastar R$ 3 milhões e, a Argentina, que iniciou as obras em março, mais R$ 6 milhões. No total o parque vai custar cerca de R$13 milhões.

O projeto do parque prevê um lago, pista de caminhada, anfiteatro e locais de convivência. De acordo com o prefeito Altair Rittes a obra deveria estar concluída em março mas deve ter um pouco de atraso. –Devemos concluir em maio e abril- calculou. O local deve se tornar um espaço de intercâmbio social e cultural, além de ponto turístico, já que anualmente milhares de agrentinos passam pela aduana local em direção às praias. A Argentina também recebe milhares de brasileiros por ano que vão fazer compras, aproveitando a valorização do real, que vale mais que o dobro em relação ao peso argentino.


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