Avicultores

20 nov09:28

Fechamento da Diplomata, em Xaxim, já provoca prejuízos a mais de 800 integrados

Marielise Ferreira | marielise.ferreira@zerohora.com.br

A suspensão das atividades do frigorífico Diplomata, em Xaxim, já provoca prejuízos a mais de 800 integrados no norte do Rio Grande do Sul e no oeste catarinense. Avicultores que trabalhavam com a empresa deixaram de receber ração para alimentar os animais.

A crise também provocou atrasos nos pagamentos a avicultores, fornecedores e funcionários, cortes de energia elétrica e demissões. Com cochos vazios há sete dias, aviários em 60 propriedades de Erval Grande, no norte do Estado, estão contabilizando a morte dos animais. A ração, que deveria ser entregue pela empresa, começou a rarear ainda em janeiro, mas há uma semana deixou de chegar totalmente.

Na propriedade da família Mossi, os animais estão morrendo de fome.

– É terrível, os frangos estão comendo os animais que morrem para sobreviver – conta Luciane Mossi.

O produtor Gilmar de Cezaro vive o mesmo drama. No aviário onde cria 7 mil frangos, as aves deveriam consumir 1,2 mil quilos de ração por dia. Cezaro também acumula prejuízos por falta de pagamento de lotes anteriores que foram entregues para o abate, até agora R$ 11 mil.

– Estou tirando dinheiro do meu bolso para manter as aves e, pelo contrato, não posso me desfazer delas – salienta o produtor.

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O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar de Erval Grande tentou intermediar uma solução com a empresa, para reduzir os prejuízos dos produtores da cidade, mas recebeu orientação de abrir valas com retroescavadeira e enterrar os animais que morrerem de fome.

– É um baque muito grande para a região. Há produtores que já pensam em desistir das criações – salienta Milton Tonin, presidente do sindicato.

Tonin também tem aviários com 20 mil frangos, que devem se perder em dois dias por falta de ração. No Estado, a crise da Diplomata afeta municípios como Erval Grande, Faxinalzinho, Nonoai, Alpestre e Planalto.

Sindicatos da região tentam negociar com empresas como a Aurora e a Agrodanieli para que absorvam a produção, mas, para isso, os integrados precisam ter os contratos rescindidos pela Diplomata.

Conforme o prefeito de Erval Grande, Amélio Francisco Kwiecinski, (PMDB), no final de semana houve uma tentativa de acordo, sem sucesso, com a Agrodanieli, de Tapejara. Alguns produtores, no entanto, conseguiram na Justiça liminar para romper o contrato e passaram a alojar frangos da Agrodanieli.


O que diz a empresa

A Diplomata informou, por meio da assessoria de imprensa, que, devido à crise financeira enfrentada, estão sendo suspensas as atividades em Xaxim. Os produtores que trabalhavam com a Diplomata na região podem começar a procurar outras empresas para integração, já que novos lotes não serão entregues. Os valores em atraso serão pagos conforme as possibilidades da empresa.

Em recuperação judicial desde agosto, a Diplomata encerrará os abates em Santa Catarina:

A unidade de Xaxim  pertence à massa falida da Chapecó Alimentos e foi arrendada em 2003 pela Diplomata.

O frigorífico trabalhava atualmente com cerca de 500 funcionários e turno único. O abate na unidade caiu de 200 mil frangos ao dia para menos da metade.

Os últimos lotes de frangos devem ser carregados nesta semana e, depois do abate, todos os funcionários entrarão em férias coletivas.


ZERO HORA



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19 jul10:11

Avicultores reclamam de falta de pagamento e ração

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O alto preço dos insumos como soja e milho estão afetando também a avicultura. Tanto que avicultores integrados da Diplomata estão reclamando do atraso no pagamento e na entrega de ração.

Três mil dos 25 mil frangos da avicultora Franciane Zimmermann morreram, pelo menos dois terços deles em função da falta de ração.

– Eles começaram a se comer – disse.

Mil foram sacrificados e outros morreram debilitados pela falta de comida. Além disso ela está com o pagamento atraso.

Avicultor Mario Nerling, de Xaxim, está sem receber os dois últimos lotes.

O avicultor Mario Nerling, de Xaxim, está com dois lotes, um que entregou em abril e outro em junho, sem receber, o que totaliza R$ 11 mil.

– Estou devendo R$ 1,5 mil no mercado, R$ 1 mil para os vizinhos e R$ 1,5 mil para o banco- explicou.

Além disso ele tem mais R$ 12 mil para pagar até o final do ano, de investimentos no aviário.

Nerling disse que além de não receber chegou a ficar quatro dias sem ração.

– Dava só água – disse.

O problema é que a falta de ração prejudicou o desenvolvimento dos frangos e também o resultado. Aves que deveriam estar com 1,2 quilos em 26 dias estão com 500 a 800 gramas.

O avicultor disse que já passou por uma crise com a Chapecó Alimentos, há nove anos, que acabou indo a falência. Por isso os produtores estão se organizando para o governo federal tome alguma medida de socorro ao setor.

O Sindicato dos Produtores Rurais de Xaxim convocou uma reunião com prefeitos de 47 municípios de Santa Catarina e Paraná, para esta quinta-feira, às 14 horas, na sede do Sindicato. O objetivo é discutir a crise.

A crise já está refletindo no comércio de Xaxim. De acordo com o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Xaxim, Aldicir Alessi, disse que as vendas nos setores ligados à agropecuária caíram 30%. A Diplomata abate 220 mil frangos por dia na unidade de Xaxim, de 250 integrados. Além disso emprega diretamente duas mil pessoas.

A empresa reconheceu dificuldades financeiras por meio de sua assessoria de imprensa. O motivo seria a suspensão de alguns contratos de exportação. A empresa informou ainda que o fornecimento de ração estava sendo normalizado.


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