Branca de Neve e o Caçador

31 mai15:23

Branca de Neve e o Caçador transforma o conto de fadas em um épico

Roberta Ávila | roberta.avila@diario.com.br

Branca de Neve e o Caçador é o primeiro longa do diretor Rupert Sanders. Com centenas de comerciais e alguns curtas na carreira, Sanders não se intimidou ao filmá-lo e transformou o conto dos Irmãos Grimm, a história da princesa que perde o pai e sofre com a inveja da madrasta, em um épico infanto-juvenil.

O filme, que entra em cartaz nesta sexta-feira em Santa Catarina, mostra uma nova dimensão da fragilidade da Branca de Neve, o amor do Príncipe Encantado e os sentimentos contraditórios do Caçador. Neste enredo, os personagens evoluem conforme a trama avança. Com astros como Charlize Teron (que recusou participar do filme J. Edgar, de Clint Eastwood, para se focar na produção), Chris Hemsworth (Os Vingadores) e Kristen Stewart (saga Crepúsculo), Sanders criou um filme que lembra produções como Coração Valente e Gladiador, com direito a lutas de espada, cavalheiros em armaduras e castelos que são fortalezas.

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Evoca Alice no País das Maravilhas, que cai no buraco do coelho e se depara com cogumelos mágicos e criaturas fantásticas; lembra Rapunzel, trancada na torre; e até mesmo João e Maria, na personagem Greta (o nome de Maria no original dos Irmãos Grimm é Gretel). As referências vão até desenhos da Disney como Bambi, com direito a texugo, coelho e o cervo rei da floresta.


Charlize Theron e Kristen Stewart falam sobre suas participações nas entrevistas ao lado.


Você estava ansiosa por ser o primeiro filme de Rupert Sanders e ele já estar numa grande promoção?

Kristen – Eu não estava preocupada por ser o primeiro longa dele porque ele é muito bom no que faz. Ele já trabalhou muito. Houve um elemento de confiar nele, mas sempre é preciso confiar no diretor, não importa quantos filmes ele tenha feito. Rupert tem um estilo visual muito forte e usa as imagens de uma forma tão poderosa. Isso foi perfeito para a história. Eu adorei me surpreender com ele e colaborar com ele.


Então Rupert e o roteiro convenceram você a entrar no projeto?

Kristen – Definitivamente Rupert foi responsável por grande parte da decisão. Charlize também era um pilar sólido no meio de tudo isso. Ela estava confirmada no elenco antes de mim. Quando eu soube que ela estaria interpretando a Rainha Ravenna, eu quis participar. Você pode ler uma história incrível mas ela pode se desintegrar se não houver outros elementos como suporte. Saber que Charlize era parte do projeto significou que eu podia confiar e que era uma boa aposta. É excitante trabalhar com alguém que você respeita e admira e que está atuando pelas mesmas razões que você. Charlize é muito engraçada e rápida. E ela chama muita atenção. Você não consegue evitar olhá-la quando ela entra em uma sala.


Rupert tornou o filme mais sombrio?

Kristen – Sim, ele faz esses personagens viverem em um mundo incrivelmente perigoso. O cenário e as paisagens são como um personagem. Ele tem uma ótima habilidade de ver as coisas de uma maneira única.


E como foi trabalhar ao lado de Chris Hemsworth?

Kristen – Eu adoro Chris, ele é um cara encantador. Ele é ótimo e tivemos sintonia para trabalharmos juntos porque não tivemos muito ensaio. Nos jogamos na história e assim que começamos eu pensei “isso vai ser fácil”. Ele é um bom ator. Chris é honesto e você pode realmente falar com ele. O material tinha muito potencial mas às vezes nós brincávamos um pouco com o texto, mudávamos coisas. Ele acompanhava e também não se importava com os socos.


Porque esse papel e esse filme?

Charlize – Eu vi muito potencial em um projeto que me pareceu icônico. Todos nós conhecemos a história de Branca de Neve e a pergunta é “como você pega esse enredo e vira de ponta cabeça”? Talvez seja isso que nos deixou excitados. E depois de tantos anos interpretando papéis de pessoas más ou que as pessoas querem dizer que são más, eu acho que aprendi que não existe uma pessoa má. O desafio tanto para Kristen quanto para mim foi fazer com que essas personagens não fossem preto e branco, dois polos opostos entrando em guerra. Nós queríamos mostrar duas mulheres que são humanas, com alguns aspectos mágicos e fantásticos mas reais e têm sentimentos com os quais as pessoas podem se identificar.


Como você se preparou para este papel?

Charlize – O diretor Ruper Sanders foi como um grande pastor que nos disse que o que quer que nós quiséssemos fazer, só tínhamos que nos lembrar de ter fundamento. Rupert é conhecido por fazer o fantástico. Ele é muito visual e o mundo que ele cria é incrível. Então eu estava caminhando nessa linha fina que é celebrar o fantástico mas permanecer emocionalmente próxima do público. Quando eu estava buscando entender quem é a Ravenna, o que ela precisa e o que a move, um dia zapeando na televisão eu vi Jack Nicholson em O Iluminado. A performance dele realmente me inspirou porque no filme ele está preso em um hotel lentamente enlouquecendo. Houve alguma coisa quando eu assisti esse filme que se conectou comigo porque Ravenna está em seu castelo enlouquecendo. Existe uma urgência nessa ideia de que o tempo está se esgotando para ela e ela precisa de um coração batendo.


Tradicionalmente, em Branca de Neve, a rainha é obcecada com sua aparência, mas parece que você tomou uma linha diferente.

Charlize – É mais a ideia de que beleza é poder. Branca de Neve e Ravenna perderam suas mães por volta dos oito anos. A mãe de Branca de Neve a criou para estar atenta à bondade dentro dela e ela nunca perdeu isso de vista. Mas a mãe de Ravenna é um tipo de cigana que teve sua filha arrancada de si de uma maneira brutal para se tornar noiva de um rei. A mãe de Ravenna lhe dá a ideia de que o único jeito de ter poder é ter beleza. Então nossa história se torna mais sobre poder. Quando Ravenna olha no espelho e começa a envelhecer, ela não está de luto pela sua aparência. Ela está de luto pelo fato de que seu poder está acabando. Ravenna quer o coração de Branca. É sobre isso a história. Não sobre beleza. No fim, Ravenna percebe que o que ela quer é algo que não se pode tomar de alguém e isso é um coração puro e bom.


Você acha que contos de fada criam parâmetros injustos para mulheres?

Charlize – Existe algo maravilhoso sobre crianças e sua imaginação. Eu acho que quando você ensina suas crianças a ter uma fundação sólida eles podem desfrutar dessas coisas sem culpar algo fantástico ou uma história de princesa por estragar sua criança. Acredito que contos de fada são lindos e crianças os adoram.


Tradução: Roberta Ávila


Transformação

A nova Branca de Neve é prato cheio para qualquer feminista, uma nova Joana DArc que quer libertar seu povo do reinado terrível da Rainha Ravenna. A bela feiticeira usou a estratégia do Cavalo de Troia para destruir todo o reino, mas Branca não perde um minuto sentindo pena de si mesma, ela quer guerra. Existe uma paixão de infância e ela tem o Caçador a seu lado, mas o que a liberta do feitiço da Rainha não é o amor nem o Príncipe Encantado, mas a redenção que as outras personagens encontram em sua presença, em seu destino, e que é sua magia.

A riqueza em referências e a beleza da fotografia são marcas do filme, que peca no excesso de efeitos especiais. São tantas transformações que elas acabam diminuindo a performance dos atores, principalmente a de Charlize Teron. Excelente como Rainha, distribuindo berros tão intensos que parece impossível que tenham saído dela e encarnando um tipo pervertido de justiceira, que quer retribuir ao mundo todo o mal que lhe foi feito, ela está realmente assustadora e não precisava de magia nenhuma além de seu talento para isso.

O resultado foi um filme completo, com uma linda fotografia, uma performance incrível de Chris Hemsworth, como o Caçador, e uma Kristen Stewart que luta para se libertar dos trejeitos de garota tímida, que cabiam perfeitamente na série Crepúsculo, mas que ficam no caminho de uma Branca de Neve ainda melhor. A densidade da personagem e o roteiro ajudam Kristen, mas perto de Charlize ou Chris, falta força à interpretação.


Confira o trailer do filme

DIÁRIO CATARINENSE



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