Chuva

09 mar09:05

Estiagem se alastra

[Atualizado 16h30]

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Para quem pensava que a estiagem já estava indo embora as previsões meteorológicas informam que ela ainda vai continuar danço as caras em março. De acordo com o meteorologista da RBS, Leandro Puchalski, provavelmente março será o quinto mês consecutivo com chuva abaixo da média no Oeste.

Ele informou que, em fevereiro e março esse déficit também está atingindo outras regiões do Estado. Puchalski disse que a previsão é que o La Niña, fenômeno de resfriamento das águas do Oceano Pacífico e que interfere no regime de chuvas do estado, deve terminar ao longo de abril.

Os decretos de situação de emergência, que haviam cessado, voltaram neste mês, agora no Meio Oeste. Tangará e Arroio Trinta assinaram seus decretos no dia 7 de março, aumentando para 100 as cidades em emergência. De acordo com o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Arroio Trinta, Tarcísio Lidani, a estiagem no município começou no final de novembro mas se agravou nos últimos 15 dias, quando iniciou o transporte de água para oito propriedades no interior.

– Os rios secaram e está torrando tudo- disse. Ele afirmou que o prejuízo é de 27 a 30% no milho e 25% na produção de leite.

O diretor de resposta aos desastres da Defesa Civil do Estado, major Aldo Batista Neto, confirmou que a previsão é de continuidade do quadro de estiagem até abril. Ele afirmou que o número de municípios em emergência pode aumentar pois há um mapa de 134 cidades com histórico de falta de chuva. A Defesa Civil investiu R$ 442 mil em kits de bomba e caixas de água para 78 municípios. E aguara outros R$ 3,1 milhões da Defesa Civl.

Ontem o secretário de Agricultura João Rodrigues disse que vai a Brasília na próxima semana para comunicar a desistência do convênio de R$ 10 milhões do Ministério da Integração, que seriam utilizados para perfuração de 330 poços artesianos. Ele reclama que o recurso foi anunciado no dia 16 de janeiro, mas até agora não veio. A assessoria de comunicação do Ministério informou que o Estado precisa se cadastrar no Portal de Convênios e que os R$ 3,1 milhões estão sendo liberados. Rodrigues reclamou que os dados para o cadastro no Portal de Convênios não foram informados. O Estado vai sugerir o repasse diretor dos recursos para as prefeituras.

O vice-presidente da Associação dos Municípios do Oeste Catarinense (Amosc), Élio Godoy, que é prefeito de São Carlos, disse que houve uma divisão dos gestores municipais. Alguns queriam poços e outros preferem recursos para investir em redes de captação e distribuição de água. No seu caso ele acha melhor ter o dinheiro pois muitos poços perfurados no município não deram água.


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01 mar13:39

Chuva em Chapecó

Uma forte chuva marcou o início da tarde em Chapecó. A previsão do tempo indicava temporais nas regiões que fazem divisa com o Rio Grande do Sul.

Para os agricultores o retorno da chuva é a esperança para amenizar os prejuízos causados pela forte estiagem que assola a região. Até a manhã desta quinta-feira, 97 municípios haviam decretado situação de emergência.

>> Temporais devem se repetir em SC nesta quinta-feira, segundo a previsão


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28 fev21:50

Chuvas não solucionam, mas regularizam abastecimento de água no Oeste

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

As chuvas tão esperadas pela população do Oeste devem ser normalizadas somente em abril, com o fim do fenômeno La Niña. É o que dizem os metereologistas.

O último município a decretar situação de emergência em Santa Catarina foi Arabutã, no dia 17 de fevereiro. Desde então o número permanece o mesmo. São 96 municípios em situação de emergência e mais de 595 mil pessoas afetadas. As perdas somam quase R$ 550 milhões em decorrência da quebra na produção de diversas lavouras.

Segundo o gerente da Epagri de Chapecó, Ivan Baldissera, a safrinha de feijão e milho, que estão em desenvolvimento, também deve ter prejuízos. De acordo com ele, as perdas na soja,que está sendo colhida na região, devem chegar a 40%. – Esperávamos que esse número fosse menor, pois a tendência era de mais chuvas nesse período – disse.

Para se ter uma ideia a previsão indicava que deveria chover no sábado e domingo em Chapecó cerca de 30 milímetros, mas só foram registrados 12 mm. – O mês de fevereiro deve fechar com 100 mm na cidade, longe da média histórica, que é de 186 mm – completou Ivan.

Ele disse que no campo, depois desses quatro meses de estiagem, muitos produtores vão plantar pastagens que servirão de alimento para o gado leiteiro.

O metereologista do Grupo RBS, Leandro Puchalski, disse que o volume de chuva ainda deve continuar baixo na primeira quinzena do mês de março, devido a influência da La Niña, que é responsável pela estiagem na região.

- O enfraquecimento do fenômeno, que será gradual, deve mudar a situação da estiagem no oeste, a partir de abril. A tendência é que neste período o volume de chuva regularize – disse.


Observador meteorológico da Epagri em Chapecó, Francisco Schervinski.


Na avaliação do observador meteorológico da Epagri em Chapecó, Francisco Schervinski, seria necessário chover 150 milímetros em 10 dias para começar a recuperar os mananciais. –Essa chuva só ajuda a pastagem, mas não resolve- disse.


Abastecimento de água foi normalizado

Pelo menos a situação já melhorou no abastecimento urbano. Segundo o superintendente regional da Casan, Écio Bordignon, nenhum município da região Oeste sofrendo mais com a falta da água. – As chuvas que caíram depois do carnaval conseguiram suprir essa falta – disse.

Na manhã desta quarta-feira deve reiniciar o trabalho para a retirada do restante da bomba que caiu em dezembro no poço profundo de Seara. Écio disse que já foram retirados alguns tubos, cabos e um pedaço da bomba. Esse poço abastecia toda a cidade e, pelo problema na bomba, o município teve que ser abastecido por caminhões pipa em alguns períodos.


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27 fev10:28

Choveu no oeste e vai chover mais

Confira as informações com o metereologista do Grupo RBS Leandro Puchalski. Durante esse fim de semana, sobretudo no sábado, tivemos a tão esperada chuva ocorrendo na região de estiagem do estado. Os volumes mais significativos ocorreram nessas cidades:


Joaçaba: 60 mm

São Miguel do Oeste: 25 mm

Chapecó: 16 mm

Xanxerê: 10 mm


Pelos dados perecebemos que a distribuição em relação a intensidade ainda foi muito irregular.

No entanto, temos boas notícias para a região ainda nessa semana. Apesar dessa segunda ter chance de chuva, os volumes deverão ser fracos e a distribuição pelas cidades muito irregular, ou seja, só em alguns municípios.

Porém, amanhã o avanço de áreas de instabilidade do PR deverá trazer chuva em todo o oeste com chance de volumes elevados em algumas cidades. A previsão continua indicando chuva na quarta, mais na madrugada, e na quinta com volumes representativos devido uma nova frente fria.

Abaixo separei um mapa que mostra os volumes previstos dessa semana:

Observem que os volumes maiores são mal distribuídos, mas deverão ocorrer.


ATENÇÃO

Chamo atenção da população do oeste que as notícias para o final de fevereiro são muito boas até porque a chuva que já ocorreu e essa previsão se confirmando, já deveremos ter um bom alívio da estiagem. Porém, a previsão de médio prazo indica que boa parte da primeira quinzena de março tenha novamente pouca chuva pelo oeste. Portanto, aproveitem muito bem essa umidade do final de fevereiro.


BLOG  DO PUCHALSKI

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23 fev10:40

Torneira continua seca

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Nem a boa chuva dos últimos dias garantiu água na casa de Diego Gasperin, morador do Bairro Bela Vista, em Seara. Ontem à tarde, a torneira ligada na rede da Casan continuava seca. –Faz 15 dias que não vem água- reclama.

Chuva encheu reservatório na cidade de Seara, mas algumas famílias ainda não tem água. Diego Gasperin não recebe água da Casan há 15 dias.

Muitas vezes chegou do trabalho e não tinha água para tomar banho. Pelo menos ele conseguiu encher uma caixa de água de mil litros com água da chuva e de um caminhão pipa. Para beber, ele busca com litros no poço da Praça Henriqueta Zanuzzo.


>> Governador vem à Chapecó anunciar novas medidas para combater os efeitos da estiagem no Oeste

>> Chuva chegou, mas não alivia falta de água no Oeste

>> A salvação da lavoura



Aposentada lava roupa e calçada

A aposentada Ana Ongarato Baioco estava muito feliz ontem em virtude da chuva.

Ana Baioco comemorou a chuva.

– Graças a Deus- comemorou.

Ela lavou roupa que estava acumulada desde sábado e, com a água que juntou de uma calha na caixa de água, lavou as calçadas. Ela espera que a partir de agora a situação normalize. Afinal, durante a estiagem, ela teve que buscar água na vizinha pra fazer comida e tomar banho de caneca.


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23 fev10:01

A salvação da lavoura

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Os pingos que caíram do céu na noite de terça para quarta-feira funcionaram como um tônico revigorante para lavoura de soja de Antonio Soave, agricultor de Arvoredo.

Sua lavoura de três hectares está em fase de formação de grãos, um dos momentos que mais precisa de umidade.

–Acredito que ainda vai dar umas 40 sacas por hectare – comemorou o produtor.

O potencial da lavoura era para 50 sacas. Mas, se não chovesse logo, não colheria nem a metade disso. A chuva também vai ajudar na germinação dos dois hectares de milho, que plantou recentemente.


Umidade vai recuperar pastagem e produção de leite

A umidade da chuva de ontem vai servir para recuperar a pastagem na propriedade de Decile Soave, em Arvoredo. Desde o final do ano passado a produção de leite caiu de 300 litros por dia para 230 litros.

– Com certeza ajuda no pasto pras vacas- disse. Além disso, o açude recuperou cerca de 20 centímetros.  Ela espera mais chuvas para, no início do próximo mês, semear nova pastagem.

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23 fev09:59

Governador vem à Chapecó anunciar novas medidas para combater os efeitos da estiagem no Oeste

Governador vem à Chapecó anunciar novas medidas para combater os efeitos da estiagem no Oeste

O encontro será nesta sexta-feira, dia 24, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes

Nesta sexta-feira, 24, o Governador Raimundo Colombo acompanhado do secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, e do secretário de Estado da Defesa Civil, Geraldo Althoff, estará em Chapecó para anunciar novas medidas para combater os efeitos da estiagem no Oeste. O evento está marcado para às 13h, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes na sala Agostinho Duarte, em Chapecó.

O encontro vai contar com a presença dos prefeitos dos municípios em situação de emergência, dos secretários de Desenvolvimento Regional e lideranças locais. De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, João Rodrigues, as medidas anunciadas incluirão recursos financeiros para prefeituras, destinados à contratação de serviços, transporte de água e produção de silagem. Também será anunciada liberação de sementes de milho para a próxima safra aos agricultores atingidos pela estiagem, e que não foram atendidas por políticas de crédito rural ou seguro agrícola.

- Nosso trabalho é para que nenhum agricultor fique sem o apoio do Governo do Estado. Em Santa Catarina, cerca de 10% das propriedades que tinham financiamento de custeio acionaram o seguro agrícola e aquelas que não foram beneficiadas receberão sementes para próxima safra – destacou Rodrigues.

O Governador Raimundo Colombo faz questão de ressaltar a importância da armazenagem de água como saída para estiagem. – Santa Catarina não é um Estado seco, em condições normais, na região Oeste chove todos os meses do ano. Então a solução é armazenar água da chuva para atravessar esses períodos de estiagem -afirmou Colombo.

Para o secretário adjunto de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, esta estiagem está deixando lições importantes para agropecuária catarinense que confirmam a necessidade de investimentos em irrigação. – Isso vaio permitir uma agricultura baseada no uso de tecnologias de ponta. Resultando em alta produtividade com a necessária segurança ao agricultores – conclui.

Até o momento, 96 municípios decretaram estado de emergência em Santa Catarina resultando em aproximadamente R$ 600 milhões em perdas de produção agrícola e afetando diretamente 595 mil pessoas.


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22 fev23:48

Chuva chegou, mas não alivia falta de água no Oeste

Darci Debona e Mayara Rinaldi | darci.debona@diario.com.br e mayara.rinaldi@diario.com.br

Alívio imediato. Este é o efeito da chuva que ocorreu entre a noite de terça e a manhã de quarta-feira na região Oeste, amenizando os efeitos da estiagem nos 96 municípios que decretaram situação de emergência. O total registrado é um terço da média do mês. Algumas cidades, como Seara, registraram 40 milímetros. Em Chapecó, foram 55 milímetros e, em Iporã do Oeste, cerca de 100 milímetros. Em São Miguel do Oeste, o acúmulo de água foi de 29,5 milímetros, e em Xanxerê, 20 milímetros.Em Iporã, a precipitação permitiu normalizar o abastecimento na cidade, onde as famílias chegavam a ficar 20 horas sem água. No Rio Pirapó, que abastece a cidade, onde havia um filete de água ontem tinha um metro de profundidade.

— Encheu a calha do rio e agora temos água para pelo menos 20 dias — comemorou o chefe da agência local da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), Luiz Mickma.

Em Seara, choveu 40 milímetros e encheu o reservatório do Rio Caçador, que foi desassoreado recentemente. De acordo com o chefe da Casan em Seara, Carlos Pressoni Filho, a retirada de 4,3 milhões de metros cúbicos de terra permitiu acumular 5 milhões de metros cúbicos de água.


Chuva encheu o reservatório do Rio Caçador em Seara.


— Isso dá para uns 10 a 15 dias — calculou o gerente. Até lá, ele espera que esteja consertado o poço profundo, onde a bomba está trancada a cerca de 400 metros.

Segundo a Casan, o abastecimento está praticamente normalizado, exceto em algumas partes altas da cidade. Agora, com a chuva, a água existe, mas está muito suja, o que dificulta o tratamento na estação.A umidade é bem-vinda no campo para recuperar principalmente as pastagens. Também beneficia as lavouras de soja e o plantio da safrinha (segunda safra) do milho. As perdas permanecem nas lavouras de milho, que já estão maduras, e plantações de soja em fase adiantada.Estão consolidadas as perdas de R$ 60 milhões na agropecuária, segundo o secretário de Agricultura do Estado, João Rodrigues. O que a chuva da noite de terça-feira pode ajudar é evitar o aumento dos prejuízos para os agricultores.


Anúncio de medidas para o campo

Em meio ao anúncio de medidas para resolver o problema das enchentes no Vale do Itajaí, o governador Raimundo Colombo convidou o secretário João Rodrigues para anunciar medidas que podem ajudar os agricultores do Oeste. A primeira, foi um levantamento da quantidade de agricultores que não receberam nenhum tipo de ajuda e não têm seguro agrícola.

De acordo com Rodrigues, são 17 mil famílias e, para esses agricultores, o governo autorizou a compra de 35 mil sacas de semente de milho. A segunda medida será a liberação de mais R$ 3 milhões para o transporte de água. A solução para o problema na região, segundo Colombo, é a construção de cisternas para armazenar a água. Ele explicou que há uma linha de crédito no Banco do Brasil — cada unidade custa R$ 15 mil —, num programa em que Estado paga o juro para o agricultor. O governador sse que serão proibidas instalações para a criação de suínos e aves sem que a propriedade tenha cisterna.


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22 fev11:28

Chuva forte trouxe prejuízos em Chapecó

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

A forte chuva registrada na noite desta terça-feira em Chapecó trouxe prejuízos para alguns bairros da cidade. O Corpo de Bombeiros recebeu cinco chamados de alagamentos nos bairros Palmital, São Cristovão e Jardim América. Na maioria das ocorrências a tubulação não conseguiu escoar o volume da água da chuva.

Por volta das 22h da noite de ontem, parte do forro do Shopping Pátio Chapecó caiu. Segundo nota encaminhada pela Assessoria de Imprensa do Shopping devido a forte chuva a calha de cobertura do local transbordou e uma pequena área do forro de gesso, de aproximadamente 10 metros quadrados cedeu sobre o corredor, próximo a portaria 2.

Na hora as lojas já estavam fechadas e foram registrados pequenos danos materiais. O gerente da loja atingida disse que o quiosque ficou cheio de água.

Ainda em nota, a Assessoria disse que foram tomadas as providências necessárias e que o local foi coberto com uma lona.  O teto  deve ser consertado ainda na tarde desta quarta.

Mesmo com o imprevisto o Shopping deve abrir normalmente.


Foram registrados 55 milímetros de chuva em Chapecó

De acordo com o observador metereológico da Epagri, Leandro Zanquetta, foi registrado de terça até a manhã desta quarta-feira, 55 milímetros de chuva. O acumulado do mês é de 84 mm, bem abaixo da média histórica para o município que é de 187 mm.

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22 fev09:47

Um terço de SC em emergência

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A previsão de uma chegada de uma frente fria a partir de hoje é a esperança de milhares de catarinenses, principalmente do Oeste, para amenizar estiagem que já atinge quase um terço dos 293 municípios catarinenses. Até o Carnaval a Defesa Civil recebeu 96 decretos de emergência. Um deles, Seara, já decretou Estado de Calamidade, mas ainda não foi reconhecido pela Defesa Civil. São quase 600 mil pessoas atingidas segundo o órgão.

Para o diretor de prevenção da Secretaria de Defesa Civil do Estado, tenente-coronel Emerson Emerim, o número de municípios em situação de emergência deve passar de 100, já que os efeitos da estiagem estão se expandindo para outras regiões, como Meio Oeste e Planalto Serrano.

Ele lembrou que em meados de janeiro e início de fevereiro ocorreram frentes frias no Estado, mas com chuvas mal distribuídas. Em Chapecó chegou a chover cerca de 70 milímetros em dois dias. Mesmo assim nos últimos quatro meses a precipitação foi abaixo da média.

No município de Descanso há locais que não dá uma chuva “boa” há quase três meses.

– Faz uns 80 dias que deu a última chuva- afirmou Valdir Grunewald, que é o responsável por uma fazenda de criação de bovinos de corte. Um dos açudes da propriedade, que servia para os animais beberem água, resta apenas uma pequena poça de água onde tinha mais de um metro de profundidade.


Açude de Valdir Grunewald está seco.


–Ele foi secando, foi secando….- desabafa Grunewald. O solo que ficava submerso rachou lembrando paisagens do Nordeste Brasileiro. Dos 1,6 mil peixes que haviam no local, restam apenas as caveiras. –Eu salvei uns 800 e levei pra outro açude e o resto morreu- contou o funcionário.

Em virtude da escassez da falta de umidade a lavoura de milho teve quebra de 80% e os 300 bovinos perderam cerca de 20% do peso. Grunewald tenta se conformar. –É coisa da natureza- diz. Mas em 12 anos que mora em Descanso nunca tinha visto uma estiagem tão forte.

Os moradores dos municípios atingidos tentam se adaptar à falta de água, economizando, recebendo água em caminhão-pipa, buscando com litros de refrigerante ou emendando mangueiras em fontes de vizinhos. Eles aguardam a chuva do céu e à boa vontade das ações governamentais.

A Defesa Civil do Estado já liberou 54 kits para os municípios atingidos pela estiagem. Cada kit custou R$ 6,5 mil e é composto de duas caixas de água com cinco mil litros cada, bomba e mangueiras.

De acordo com o tenente-coronel Emerim, esse material serve para a captação e transporte de água. Já foram investidos R$ 350 mil do Fundo Estadual de Defesa Civil e outros kits devem ser adquiridos nos próximos dias. O Governo Federal deve repassar nos próximos dias mais R$ 3,1 milhões para ações emergenciais de abastecimento de água, como compra de água mineral e caixas de água. Outros R$ 10 milhões do Governo Federal serão investidos na perfuração de cerca de 300 poços artesianos.

O secretário de Agricultura do Estado, João Rodrigues, disse que foram disponibilizados R$ 10 milhões para bancar o juro de financiamento de cisternas e sistemas de distribuição de água. Esse valor pode subir para R$ 20 milhões, conforme a demanda. Além disso o Estado repassou pelo menos R$ 1,6 milhão para os municípios bancarem o transporte de água. Mesmo assim os valores estão sendo considerados insuficientes pelos municípios. A prefeitura de São Carlos, por exemplo, já gastou R$ 273 mil com o transporte de água e recebeu R$ 34,5 mil em recursos. O prefeito de Descanso, Sadi Bonamigo, disse que os R$ 40 mil repassados bancam apenas 13 dias de transporte. E o município está levando água para os produtores desde dezembro. –Precisamos de mais apoio- cobrou Bonamigo.


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