Clima

14 nov09:03

Mesas para noite de Natal

reportagem@diario.com.br

Se a ideia é fazer um jantar exclusivo, para poucas pessoas, vale a pena investir numa mesa temática com lugares marcados e serviço à francesa, com refeições empratadas. Nesta sugestão do arquiteto Marco Antonio Medeiros, as referências natalinas estão no verde das topiarias, nos pequenos pinheiros e no vermelho das cerejinhas e bolas, que formam um grande arranjo.

Segundo ele, o capricho está nos acessórios que compõem a mesa posta. O modelo de porta-talheres usado pelo profissional organiza garfo e faca, guardanapo e ainda identifica o lugar de cada convidado.

- As gaiolinhas com velas individuais dão o brilho pontual. As louças, bem como os copos, um deles de bico de jaca, remetem aos usados na casa dos avós – diz.

Antes de pensar no que fazer na recepção, segundo Marco Antonio, é importante saber quem são os convidados. Se a festa for apenas para adultos, a decoração pode ser mais livre. Nessa linha, uma boa dica para recepcionar um número maior de pessoas é montar uma mesa para bufê, que pode ser sobre um balcão ou aparador. Nesta solução criada pelo arquiteto, o Natal aparece num estilo mais sofisticado a partir do tom dourado evidente e da guirlanda na parede.

Nesta mesa, o anfitrião centraliza o serviço, deixando tudo à mão dos convidados. Concentra copos, taças, tem o balde de gelo, pratos, talheres, guardanapos para que as pessoas sirvam-se à vontade. Em ocasiões festivas como essa, a iluminação com velas é sempre bem-vinda e aqui aparece em diferentes opções.

- Se tem uma coisa simples, mas que pode surpreender é o porta-guardanapo. Existem opções bem criativas no mercado. A visita nota como um capricho, um carinho do dono da casa.


DIÁRIO CATARINENSE



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10 set20:46

Chuva volta depois de 41 dias no Oeste

Darci Debona/darci.debona@diario.com.br

Há pelo menos 41 dias não chovia tanto no Oeste como o que ocorreu entre sábado e ontem na região. O observador meteorológico da Epagri de Chapecó, Franscisco Schervinski, registrou 10 milímetros até ontem à tarde, o que significa 10 litros por metro quadrado. No mês de agosto foram apenas 2,3 milímetros.

Sirli Freitas/Agência RBS

A última chuva significativa, com mais de 50 milímetros, havia sido no dia 29 de julho. –Não foi muita coisa, mas já ajuda na pastagem e no plantio- disse Schervinski.

O agricultor Nilson Luiz Girardi estava feliz ontem à tarde. Apesar do volume de chuva não ser muito, ele mediu 20 milímetros em seu pluviômetro, já era o suficiente para recuperar a pastagem e plantar o milho.

-O pasto estava seco, murcho, e agora está com brotos novamente- mostrou. Girardi temia ficar sem pasto. Mesmo com 25 hectares de aveia. Ele até colocou à venda 50 dos 130 animais, pois tinha que complementar a alimentação com ração, o que aumentou os custos. A produção de leite, que era de 1,1 mil litros por dia, tinha caído entre 15 e 20%.

Além disso ele vai conseguir plantar os 13 hectares de milho que já deveriam estar na terra há um mês. –As máquinas estavam prontas só esperando a chuva- mostrou. Hoje mesmo ele vai começar a semear o milho. E espera que a chuva seja mais frequente, para não perder parte da produção, como na safra passada, quando teve uma quebra de 40%.

O presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Marcos Zordan, disse que a chuva interrompe uma quebra na produção de leite, que já estava em 10%.

Além de ajudar na agricultura a chuva também ajudou a diminuir a tempertura, que na sexta-feira chegou a 32 graus e, ontem à tarde, estava em 19 graus.

O meteorologista da RBS, Leandro Puchalski, informou que a chuva de ontem foi bem distribuída pelo estado, com mais intensidade nas cidades do Oeste, Serra e Sul. Em alguns municípios, como Timbé do Sul, foram registrados 61 milímetros até o final da manhã de ontem. O meteorologista prevê que as chuvas sejam normalizadas a partir da segunda quinzena de setembro.

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04 jun18:39

O homem do tempo

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Há 42 anos, todas as noites, antes de dormir, o agricultor Wolfgang Lengert pega sua caderneta e anota os dados que seus aparelhos meteorológicos registraram durante o dia: temperatura mínima, máxima, pressão atmosférica, umidade do ar e volume de chuva. Detalhe, ele não ganha dinheiro com isso, a não ser uma recente ajuda de custo da Prefeitura para repassar os dados que coleta.

Lengert faz isso com uma metodologia germânica apenas pelo prazer de produzir conhecimento. –É uma satisfação registrar cada acontecimento e comparar com os anos anteriores- explica.

Em sua casa na Linha Becker, interior de Itapiranga, quase na fronteira com a Argentina, ele tem cinco termômetros. Um deles foi comprado por um filho que esteve na Alemanha e funciona também como barômetro (mede a pressão atmosférica) e higrômetro (mede a umidade do ar).

Ele complementa os dados do seu aparato tecnológico com sua observação. Quando acorda, às 6 horas da manhã, a primeira coisa que faz é ir para a janela e observar como está o clima. Afinal, ele também anota o comportamento meteorológico durante o dia, se iniciou com neblina, se abriu sol pela manhã ou teve nuvens à tarde. Você quer saber a direção do vento no dia 23 de agosto de 1983? Wolfgang tem isso anotado. Detalhe, a indicação de nuvens este em alemão: W maiúsculo, inicial de Wolken (nuvem), indica grande quantidade de nuvens. O w minúsculo, indica nuvens pequenas.

O gosto pelo método surgiu como pai, Bruno Lengert, engenheiro de mineração que resolveu imigrar da Alemanha para o Brasil em virtude do clima de Guerra que se instalava na Europa. Ao chegar em Itapiranga, no final de 1934, resolveu anotar as oscilações do clima pois os moradores comentavam que era muito diferente do clima europeu.

Wolfgang, que deve ter recebido o nome pela paixão do pai por Mozart, preserva tudo deste as primeiras cadernetas que já estão amareladas e com as folhas soltando. No primeiro mês observado pelo pai, janeiro de 1935, foram registrados 141 milímetros de chuva. Wolfgang começou a anotar em 1970, aos 30 anos, quando foi morar sozinho, a um quilômetro da casa de seu pai.

– Vi que era interessante e comecei a anotar também- lembrou. Depois que seu pai faleceu, em 1984, ele seguiu o trabalho.


Dados registrados há 77 anos

Graças a essa iniciativa Wolfgang tem registro diário do clima em Itapiranga há 77 anos. Ele afirma que a estiagem registrada atualmente no Oeste não chega nem perto das secas ocorridas nas décadas de 40 e 70. –Agora choveu em média 98 milímetros em sete meses, a mesma média que ocorreu entre 1940 e 1945- lembrou. Ou seja, a estiagem durou seis anos. Em 1978, choveu 42 milímetros em apenas três meses, de março a maio. Isso é apenas 8% da média histórica desses três meses, que é de 507 milímetros. –Secou até a mata da Argentina- lembrou Lengert.

Depois que se aposentou, Wolfgang pôde se dedicar a tabular seus dados e até gráficos montou, mostrando a oscilação do clima. Com tantos anos de observação do clima, ele tem a seguinte constatação: -A irregularidade é maior regra do tempo. Lengert tem seis filhos. Mas não sabe se algum deles vai seguir o seu trabalho. O certo é que ele deixa um material muito rico para meteorologistas, universidades e interessados em estudar clima. Fruto de um trabalho de muita disciplina e dedicação. Se Wolfgang Amadeus Mozart ficou famoso na música clássica, Lengert compôs uma sinfonia do clima.


Curiosidades

O dia mais frio foi cinco de junho de 1978 com temperatura negativa de 6,5 graus

O dia mais quente foi sete de janeiro de 1958 com 46,5 graus

No dia 8 de maio de 1985 choveu 249 milímetros entre as sete e às 18 horas. Isso é mais que a média de todo o mês de maio, que é de 183 milímetros

Em janeiro de 1946 choveu 761 milímetros, para uma média histórica do mês de 199 milíemtros.

Em abril de 1978 choveu apenas dois milímetros para uma média mensal de 169,6 milímetros

O ano que menos choveu foi 1944, com apenas 952 milímetros

O ano que mais choveu foi 1998, com 4.193 milímetros


Média mensal em Itapiranga em milímetros

Janeiro: 199,8

Fevereiro: 186,4

Março: 155,2

Abril: 169,6

Maio: 183

Junho: 185,8

Julho: 153,2

Agosto: 160,4

Setembro: 204,4

Outrubro: 229,8

Novembro: 166,9

Dezembro: 170


Chuva nesta estiagem

Novembro: 119

Dezembro: 55

Janeiro: 70

Fevereiro: 186

Março: 74

Abril: 164

Maio: 21 (até o dia 25)


Maiores períodos de estiagens em milímetros por ano

1940: 2096

1941: 1535

1942: 1168

1943: 983

1944: 952

1945: 1639

1978: 953

1979: 1099

1980: 1510

1981: 1247

1982: 2.166


OBS: Depois dessas duas estiagens vieram períodos muito chuvosos. Em 1983 choveu 3.172 milímetros. O rio Uruguai alagou parte da cidade.

A média anual de chuvas em Itaprianga é de 2.164,9 milímetros




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