Dionísio Cerqueira

03 dez11:31

Jovem carioca é presa com lança-perfume em Dionísio Cerqueira

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

Policiais Federais de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste, apreenderam 124 frascos de lança-perfume, na sexta-feira, dia 30. Com essa ocorrência subiu para 7.154 frascos apreendidos em 2012.

A droga estava com uma jovem de 20 anos, natural do Rio de Janeiro, que foi presa por tráfico de drogas. Ela segue na Delegacia de Dionísio Cerqueira e deve ser encaminhada para o Presídio Feminino de Anchieta ou Chapecó. A pena para o crime é de 5 a 15 anos de prisão.

Questionada sobre o destino dos frascos a jovem usou o direito constitucional de não falar.

Ela estava em um ônibus que fazia a linha Santo Antônio do Sudoeste/PR com destino a Curitiba/PR.

De acordo com o delegado da Polícia Federal de Dionísio Cerqueira, Marcio Anater, a região de fronteira com a Argentina é uma das principais portas de entrada da droga no país.

- O país vizinho é o único da América do Sul que produz o lança-perfume. Lá a venda do produto é permitida, pois utilizam como desodorizador de ambientes – disse o delegado.

Anater disse ainda que os principais destinos da droga no Brasil são o Rio de Janeiro, litoral catarinense, São Paulo e o Rio Grande do Sul.


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19 nov15:23

Anabolizantes são apreendidos em Dionísio Cerqueira

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

A Polícia Federal de Dionísio Cerqueira prendeu na noite do domingo, dia 18, Robert Nilton Pogozeleski de Oliveira, por tráfico de anabolizantes. Com ele os policiais encontraram embalagens de suplemento alimentar, cerca de 160 comprimidos, 70 ampolas e 30 frascos do medicamento. A prisão foi na BR 163, em Dionísio Cerqueira, dentro da Operação Sentinela.

De acordo com o delegado, José Elói Werner, os produtos teriam sido comprados no Paraguai e tinham como destino Gravataí, no Rio Grande do Sul/RS.

- A rodovia é rota para o estado gaúcho – disse o delegado. Werner destacou ainda que essa foi a primeira apreensão deste tipo de produto em novembro.

O material apreendido foi encaminhado para análise no setor de perícias da Polícia Federal em Florianópolis.

Robert aguarda decisão do juiz de São Miguel do Oeste na delegacia de Dionísio Cerqueira. Se condenado, pelo crime de tráfico de anabolizantes, previsto no art. 273 do Código Penal, ele pode cumprir 15 anos de reclusão.


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11 out07:33

Empresários de Santa Catarina querem formar consórcio para montar Free Shop

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Empresários do Extremo Oeste de Santa Catarina estão se articulando para montar um consórcio e, assim, concorrer numa futura licitação para montar um free shop na fronteira com a Argentina.

É que Dionísio Cerqueira e Barracão (PR) estão entre as 28 cidades que podem receber “lojas francas”, segundo lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff, publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União.

As cidades escolhidas são unidas geograficamente a cidades estrangeiras. Dionísio Cerqueira e Barracão são separadas da cidade argentina de Bernardo de Irigoyen apenas por uma rua.

O projeto foi proposto pelo deputado Marco Maia (PT-RS), para que o Brasil possa fazer frente aos “free shops” estrangeiros instalados no outro lado da fronteira, que acabavam concorrendo com vantagem em relação aos comerciantes brasileiros.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Dionísio Cerqueira-SC, Barracão-PR e Bom Jesus do Sul-PR (Ascoagrin), Carlos Porfírio, lembra que, no início, havia um receio da concorrência de novas lojas instaladas na região. Agora há o entendimento de que isso pode gerar oportunidade de negócios e desenvolvimento da região, com a atração de mais turistas.

— Nós estamos olhando de forma positiva para essa possibilidade — afirma.

Tanto que a Ascoagrin está montando um grupo de estudos para que as empresas da região possam concorrer ao edital de construção e instalação do free shop.

O inspetor-chefe da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, Arnaldo Borteze, diz que o free shop deve ser um espaço fechado, com várias lojas, como os que existem em cidades do Uruguai e Argentina. Ele afirma que, após a sanção da presidente, cabe agora à Receita Federal regulamentar a lei, detalhando como devem funcionar estes locais.

Borteze explica que a instalação deve ser feita através de licitação, para que um grupo possa construir e administrar o local. As mercadorias que serão vendidas devem ser perfumes, eletrônicos e bebidas, que têm alta incidência de impostos. Essas mercadorias terão que ser importadas regularmente e terão isenção de impostos para venda nas lojas francas.


O que já se sabe

O pagamento pelos produtos poderá ser em real ou moeda estrangeira, como o dólar.

A regulamentação da lei será feita pela Receita Federal, responsável pela fiscalização das lojas francas e por qualquer ilícito que possa ocorrer.

Não há data máxima estabelecida para regulamentação.

Há interesse de comerciantes locais e de investidores, inclusive estrangeiros, na instalação de free shops nessas cidades.


O que falta definir

Se as compras serão restritas a estrangeiros ou também serão permitidas a brasileiros em trânsito internacional.

Se for permitida a venda para brasileiros em trânsito internacional, como será possível identificá-los e diferenciá-los de pessoas que viajariam às fronteiras apenas para compras.

Quais seriam os pré-requisitos para abertura de free shops. Se poderão ser brasileiros e estrangeiros, se haverá prioridade para comerciantes locais ou que tenham histórico de negócios na região.

Qual será a cota máxima para compra por estrangeiros. Hoje, nos aeroportos internacionais, a cota máxima é de US$ 500.



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04 out16:53

PRF apreende 126 frascos de lança-perfume em Dionísio Cerqueira

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

A Polícia Rodoviária Federal de Dionísio Cerqueira fez a segunda apreensão de frascos de lança-perfume, em menos de uma semana, no extremo-oeste. Na tarde da quarta-feira, dia 3, uma jovem de 19 anos foi presa com 126 tubos do entorpecente.

A droga foi encontrada durante abordagem em um ônibus que fazia a linha São Miguel do Oeste a São Paulo. Os policiais desconfiaram do comportamento de uma passageira e ao fazer a revista na bagagem dela encontraram os frascos embalados em jornal.

Ela disse aos policiais que levaria a droga para o Rio de Janeiro, cidade onde mora, e que ganharia R$ 1 mil pelo transporte.

A jovem foi presa em flagrante, prestou depoimento e está à disposição da justiça na Polícia Federal de Dionísio Cerqueira. A pena para o tráfico de drogas é de 5 a 15 anos de prisão.

- O juiz vai decidir se ela fica presa ou vai responder em liberdade – disse o delegado Marcio Anater. O delegado disse ainda que a decisão pode sair ainda nesta quinta-feira.

Na sexta-feira, dia 28 de setembro, os policiais apreenderam 280 frascos. A droga, que tinha como destino o estado gaúcho, estava escondida no veículo conduzido por um homem de 28 anos. Ele foi preso também e está na Unidade Prisional Avançada de São Miguel do Oeste.


Entrevista com o delegado Marcio Anater

Diário Catarinense: Porque a região de fronteira com a Argentina é uma das principais portas de entrada da droga no país?

Marcio Anater: O país vizinho é o único da América do Sul que produz o lança-perfume. Lá a venda do produto é permitida, pois utilizam como desodorizador de ambientes.


DC: Quais os principais destinos da droga no Brasil?

Marcio: No levantamento das apreensões, o Rio de Janeiro é o estado com maior destino. Na sequência é o litoral catarinense, São Paulo e o Rio Grande do Sul.


DC: Tem um número de apreensões neste ano?

Marcio: Em seis meses foram apreendidos 4 mil frascos. O material foi destruído há menos de 15 dias na cidade de Palma Sola.


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15 set08:00

Dionísio Cerqueira pode ter o primeiro free shop da região

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br*

A possibilidade da instalação de um “free shop”, estabelecimento livre de impostos para turistas, em Dionísio Cerqueira, ainda causa muitas dúvidas na população. Alguns acham que vai ser bom para o desenvolvimento da região. Outros temem concorrência.

Dionísio Cerqueira está entre as 28 cidades de fronteira que estão no projeto do deputado federal Marco Maia (PT-RS), que foi aprovado nesta semana pelo senado. Pelo projeto as lojas poderão vender produtos nacionais e importados com regime tarifário especial. No senado o projeto teve retirado o artigo que previa a adoção do Regime Aduaneiro Especial de Exportação pelo Varejo Nacional, que previa a restituição de impostos ao turista estrangeiro, como acontece em alguns países. A relatora do projeto foi a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), que defendeu o projeto como medida para desenvolver as cidades brasileiras de fronteira, que sofrem com a concorrência desleal de free shops instalados em cidades estrangeiras vizinhas.

O projeto volta agora para apreciação da Câmara e, se aprovada a alteração, vai para a sanção da presidente Dilma Roussef. Para o presidente da Associação Comercial de Dionísio Cerqueira, Barracão e Bom Jesus do Sul, Carlos Porfírio, existe ainda muita dúvida sobre a forma como o projeto será implantado. Por isso prefere aguardar antes de emitir opinião.

A regulamentação sobre os produtos que podem ser vendidos, quem pode comprar e cotas será estabalecida pela Receita Federal. O inspetor-chefe da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, Arnaldo Borteze, acredita que o público principal são os turistas estrangeiros que vêm para o Brasil e os moradores estrangeiros das cidades de fronteira. Em Dionísio Cerqueira 67,5 mil turistas ingressaram no país no ano passado, segundo dados da Delegacia da Polícia Federal na cidade. Além disso os 14 mil habitantes de Bernardo de Irigoyen também poderiam comprar no local, além de moradores de outras cidades argentinas próximas.

Atualmente o que acontece atualmente é que muitos brasileiros do Oeste de Santa Catarina e do Sudoeste do Paraná vão comprar no lado argentino, onde bebidas e perfumes custam até metade do preço. Lucas Pivatto, proprietário do Mercado Super Econômico, disse que nem trabalha com alguns produtos, como uísque importado, pois não tem como concorrer com os preços da Argentina. –Só tenho marcas nacionais- explicou. Em compensação alguns argentinos vem para o Brasil comprar produtos como açúcar e arroz.

Pivatto acredita que a instalação de um free shop vai incrementar as vendas na cidade, trazendo mais desenvolvimento. Miguel Branco, da loja de multiuso Pinhalito Branco, também é favorável ao projeto. –São oportunidades que podem incrementar a venda- explicou. Já o dono da loja de materiais esportivos Spor Center, José Luís Mayer, teme a vinda de lojas concorrentes.

Para o presidente da Santur, Valdir Walendowsky, a instalação de um free shop em Dionísio Cerqueira vai representar o desenvolvimento da região, pois vai aumentar o fluxo de turistas. – Isso vai gerar um novo tipo de comércio, hotéis e restaurantes- afirmou.

Ele explicou que empresa têxteis, de cerâmica e cristais podem se interessar em instalar-se no free shop. Walendowsky entende que o desenvolvimento do turismo da região dos Caminhos da Fronteira passa pelo incremento do comércio.

Uma das dúvidas é se os brasileiros também poderão comprar neste local. Aproximadamente mil veículos por dia passam pela aduana para fazer comprar na Argentina. O chefe da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, Arnaldo Borteze, considera que seria mais viável permitir somente a compra por estrangeiros, para possibilitar o controle de quem é ou não turista. Ele afirmou que nos aeroportos é mais fácil controlar pois os turistas passam pelo “Duty Free” antes de passar pela Receita.

Mas em cidades gaúchas do Rio Grande do Sul, como Jaguarão e Santana do Livramento, os brasileiros podem comprar normalmente, dentro da cota de US$ 300 e limitados a 10 unidades por produto.

Borteze explicou que a instalação do free shop deve passar por licitação e deve vender produtos não essenciais e com alta taxa de impostos, como bebidas, perfumes e eletrônicos.


*Colaborou Juliano Zanotelli


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06 set15:23

Pai que abusava da filha e teve filho com ela foi preso em Dionísio Cerqueira

A Polícia Civil de Dionísio Cerqueira prendeu no sábado, dia 1º de setembro, um homem que abusava sexualmente da própria filha há oito anos. A mulher, de 26 anos, tem dois filhos, uma criança de 8 anos que admitiu ser fruto do relacionamento com o próprio pai, e um bebê de alguns meses, que nada declarou acerca da paternidade da criança. Apesar disso, há suspeita de que a criança mais nova também seja filha do preso.

A Polícia Civil passou a investigar o caso depois de uma denúncia anônima. Já, na Delegacia, a mulher relatou que vinha sendo abusada e violentada sexualmente pelo pai desde os 12 anos de idade. Parentes próximos também foram inquiridos e se mostraram surpresos com o fato, admitindo apenas que pai e filha eram muito reservados no contato com outras pessoas.

Nas duas ocasiões em que a mulher procurou atendimento em maternidades da cidade, em virtude do nascimento dos filhos, era o pai dela quem a acompanhava durante os partos.

Depois de preso, o homem foi encaminhado para um presídio da região.


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06 set11:25

Intercâmbio entre dois países irmãos

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

É só a professora Gessi Carminha dos Santos entrar na sala de aula do primeiro ano, na Escuela Frontera 604 Intercultural Bilíngue No 1, que um aluno já comenta, em português. – Hoje tem aula diferente. O detalhe é que a cena é em Bernardo de Irigoyen, cidade argentina da província de Misiones, que fica na fronteira com a cidade catarinense de Dionísio Cerqueira.

Duas vezes por semana Gessi e outras oito professoras atravessam a fronteira para dar três aulas de português no país vizinho. Enquanto isso três professoras vem para o Brasil dar aula na Escola de Educação Básica Dr. Theodureto Carlos de Faria Souto.

Enquanto no lado argentino Maximiliano Benjamin Ramirez, de seis anos, ouve histórias em português e aprende a dizer: Bom dia, tudo bem; no lado brasileiro Pedro Henrique Bronstrup, de 11 anos, cumprimenta dizendo: Hola, que tal?

Ao entrar na sala do quinto ano da escola Theodureto é como atravessar a fronteira. Nas paredes, há mapas da Argentina, frase em espanhol e a bandeira da província de Misiones. Nos cadernos, os alunos exibem a bandeira azul e branca com um sol no meio.

Durante a aula a professora Fátima Zaragoza, coordenadora do projeto bilíngue em Misiones, ensina a música “El niño y el tucano”, de Fausto Rizani. Os alunos não têm aulas de espanhol e sim em espanhol, que contempla a cultura, tradições, costumes e a vida real no país vizinho.

Os alunos afirmam que é muito melhor ter aulas com professores “importados”. –Até pelo conhecimento que eles têm é muito melhor- afirmou Dayani Machado Machiavelli. Gustavo de Oliveira Gabriel, de 10 anos, disse que já melhorou a comunicação com seus tios, que moram na Argentina. –Agora eu entendo o que eles falam- explicou.

Sthefanie Carvalho, de 11 anos, veio de Porto Alegre, pela primeira vez teve espanhol e está gostando. Até porque ela mora com os pais no lado argentino e isso vai ajudar na comunicação. Izabella Carolina Presser Fortes pensa até em morar na Argentina, depois que fizer o sonhado curso de Biologia.

Para o diretor da escola Theodureto, Mauro Edvan Prado, a parte positiva do projeto é essa questão intercultural. –Os alunos acabam conhecendo as duas culturas- afirmou. A partir disso, há uma aproximação natural.

O conhecimento bilíngue permite aos alunos que passarem pelo projeto melhores condições de trabalhar no comércio local, já que há brasileiros trabalhando na argentina e argentinos morando no Brasil.

O diretor da Escuela Frontera 604 Intercultural Bilíngue No 1, Juan Carlos Morinico, lembra que o projeto está melhorando a compreensão do português. –Antes era um portunhol- lembra. Ele afirmou que, melhorando a compreensão, conhecendo a cultura de cada lado, ajuda a melhorar no relacionamento entre brasileiros e argentinos.

Tanto que alunos argentinos já participaram de atividades no Brasil e prometem desfilar junto no Sete de Setembro. Por outro lado os brasileiros devem participar das comemorações de 25 de Maio, data de comemoração da independência da Argentina. Pelo menos nas duas escolas da fronteira, o Mercosul existe de fato.


O QUE É O PROJETO

O Projeto Intercultural Bilíngue Escola de Fronteira foi criado em 2005, numa parceria entre Brasil e Argentina, para promover o intercâmbio entre professores e alunos. Entre as 14 escolas do início do projeto, há uma catarinense, a Escola de Educação Básica Dr Theodureto Carlos de Faria Souto, em Dionísio Cerqueira. Atualmente cerca de 240 alunos, de 12 turmas, participam do projeto. Em 2009 o projeto foi ampliado para 26 escolas, em cinco países.



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27 ago11:34

Vida de Fronteira em Dionísio Cerqueira

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Já pensou morar em Santa Catarina, almoçar no Paraná e ir fazer umas compras na Argentina. Para os moradores de Dionísio Cerqueira, no Extremo Oeste de Santa Catarina, isso é algo rotineiro. Tanto que essa união já se refletiu até em vários casamentos entre moradores dos dois países.

É que a cidade Catarinense está praticamente emendada com Barracão-PR e Bernardo de Irigoyen (Argentina). São quase 40 mil pessoas que convivem entre dois países, dois estados e uma província e três municípios.

Apenas uma calçada divide os dois países - o lado esquerdo é Argentina e o direito é o Brasil.

Muitas vezes é difícil para as pessoas identificarem se estão em Santa Catarina ou no Paraná. –nem eu sei direito- afirma a cabeleireira Judite Campos. O comerciante Adelino Lourenço explica que um dos indicativos é que no Paraná os postes de iluminação são quadrados e com as cores branca, verde e azul, da bandeira paranaense. Em Dionísio Cerqueira os postes são redondos e com as cores verde e amarela.

Mas esse critério só é válido em algumas ruas centrais das duas cidades e nem sempre o padrão é obedecido. Já o que separa o Brasil da Argentina em Santa Catarina é o Rio Peperi Guaçu. Ele pode ser cruzado pela Aduana Turística de Dionísio Cerqueira, onde mil carros passam por dia. Existe também a Aduana de Cargas, com onde em média 80 caminhões entram o saem do país diariamente.

Na parte fronteiriça de Barracão o que separa as ruas entre os dois países é apenas um barranco com três metros de largura. A diferença é que o nome das lojas do lado argentino normalmente estão em espanhol. E a língua falada no outro lado é espanhol, embora eles entendam bem o português.

Por lá centenas de pessoas passam de um lado para o outro diariamente. A dona de casa argentina Carolina Mello vem para o Brasil comprar carne, açúcar, arroz e derivados de lácteos. E matriculou sua filha de seis anos num curso de dança no Brasil. –Aqui no hay nada- diz, sobre a falta de escolas desse tipo no lado argentino.

Por outro lado a brasileira Maria Rodrigues vai para a Argentina com frequência para comprar farinha, que é mais barata. O fluxo é reflexo das políticas econômicas e cambiais dos dois países.

Há quase duas décadas muitos argentinos vinham fazer compras no Brasil. Mas, nos últimos anos, o fluxo sempre foi maior de brasileiros indo comprar na Argentina. Produtos como vinhos, desodorante e outros produtos de higiene custavam metade do preço. Muitos aproveitavam para abastecer o carro.

Mas, com a inflação argentina, as compras em Bernardo de Irigoyen não estão mais tão vantajosas. Tanto que o fluxo de carros, que chegava a três mil por dia, baixou para mil.

A relação entre os municípios ficou tão intensa que eles resolveram se unir, formando o Consórcio Intermunicipal da Fronteira, reunindo os três municípios mais Bom Jesus do Sul, cidade paranaense que fica a oito quilômetros de Barracão. Os municípios brasileiros criaram até uma patrulha mecanizada conjunta, receberam investimentos federais para transformar o hospital de Dionísio Cerqueira num hospital regional e, em conjunto com a Argentina, estão construindo o Parque Turístico Ambiental, que deve ser concluído ainda neste ano, com investimento de R$ 13 milhões.

-Antes as cidades se viam como rivais, hoje trabalham em conjunto- concluiu o presidente da Associaçaõ Comercial e Industrial de Barracão, Dionísio Cerqueira e Bom Jesus do Sul, Carlos Vanderley Porfírio. O resultado é que a fronteira está ficando mais bonita.



Irmãos de sangue, mas com nacionalidades diferentes

Ramon Mendoza, 62 anos é argentino e tem um comércio em Bernardo de Irigoyen. Davi Mendonça, 55 anos é brasileiro e mora em Dionísio Cerqueira. O que os dois têm em comum? Eles são irmãos de pai e mãe. O pai, Eduardo Aleixo Mendonça, que era natural de Campo Erê ficou um tempo sem trabalho fixo e, durante as andanças pela fronteira, encantou-se pela argentina Maximina Ramalho, com quem teve cinco filhos. –Ele vivia um tempo no Brasil, um tempo na Argentina- explicou Ramon. Ele e Antonia, já falecida, foram morar na Argentina, onde nasceram. Davi, Luiz Carlos e Maria, que são brasileiros, moram em Santa Catarina.

Ramon chegou a morar no Brasil por quase 20 anos, quando o pai foi trabalhar na Polícia Militar de Barracão, onde chegou a ser comandante do Destacamento. Mas, quando chegou a hora de prestar serviço militar, Ramon foi defender as cores de seu país natal. Daí ficou morando no lado de lá da fronteira. E, como não poderia deixar de ser, torce para a seleção argentina nos jogos contra o Brasil. – Mas é uma rivalidade boa- brinca. Quando o Brasil joga com outras seleções, ele se une aos irmãos. Ramon sabe falar bem o português. Por outro lado, Davi não sabe muitas palavras em espanhol.

Mas isso não impede que eles se reúnam com frequência. Afinal, o churrasco é apreciado dos dois lados da fronteira.


Amor com sotaque

O amor não respeita os limites geográficos e políticos. Tanto que é comum casamentos entre brasileiros e argentinas e, principalmente de brasileiras com argentinos.

– As brasileiras estão invadindo o lado de cá, no cassino e no boliche- confirmou a dona de casa argentina Carolina Mello.

No cartório de registros civis de Dionísio Cerqueira são registradas anualmente quatro uniões internacionais. Mas as funcionárias garantem que existem bem mais, só que não são oficializadas. Um dos casos é da dentista Michelli Costa, 30 anos, e do corretor de Seguros, Hector Oscar Ponce, de 29 anos.

Eles se conheceram no início de 2007, num show musical num cassino de Bernardo de Irigoyen. Há um ano estão noivos e já convivem em união estável. Mas pretendem em breve oficializar o relacionamento.

O casal resolveu fixar residência no lado brasileiro pois no Norte argentino sofre com alguns problemas de infraestrutura, como as frequentes quedas de energia.

Para Hector, as brasileiras se arrumam melhor, usam roupas mais estampadas. –Elas são mais alegres- avaliou. Já o que atraiu Michelli, foi justamente o contrário. No outro lado da fronteira, os homens usam estampas mais lisas, manta e boina.

–Os argentinos são mais certinhos, eu sou mais pilhada e ele é mais tranquilo- explicou. O carisma, charme argentino também marcaram ponto.

Outra coisa que atraiu Michele foram os costumes. Na gastronomia, os argentinos têm alguns pratos, como tripa assada, eu não tem no Brasil. Na música, o ritmo predominante é a “cumbia” e o rock argentino também é diferente.

A dentista lembra que no início não foi fácil se comunicar com os parentes do namorado. –Todo mundo ria do que eu falava- lembrou. Por isso teve que aprender a falar espanhol.

Hector ainda fala poucas palavras em português e também já passou das suas. Ele não conhecia o strogonofe e quando foi convidado para comer este prato criou uma expectativa enorme. –Veio arroz, carne com molho e salsa e batata palha e eu pensei, cadê o strogonofe?-lembrou.


Cozinhando em Santa Catarina e dormindo no Paraná

A aposentada Vera Janete Motta Barreiro lava a roupa e cozinha em Santa Catarina mas assiste televisão e dorme no Paraná. É que o apartamento do prédio onde mora fica exatamente na divisa entre os dois estados. Ela lembra que no terreno que seu pai comprou há 52 anos, a divisa foi estabelecida pela queda de água. Por isso a frente do prédio ficou no Paraná e os fundos em Santa Catarina. O IPTU do Apartamento e o endereço das cartas é de Barracão. O IPTU da garagem é de Dionísio Cerqueira.

A água é fornecida pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), que abastece os dois estados. A energia elétrica é fornecida por uma empresa do Paraná. E o prefixo do telefone é o mesmo de Dionísio Cerqueira.

Janete já votava em Santa Catarina mas agora é eleitora do Paraná. Mas quando manda cartas e encomendas para familiares em Florianópolis, vai na agência dos Correios em Dionísio Cerqueira. Senão os envelopes viajam até Curitiba antes de chegarem ao destino, demorando mais.

Parece confuso, mas ela já está acostumada. –Para nós é normal-disse. Afinal, várias vezes ao dia ela está com um pé em Santa Catarina e outro no Paraná.


Associação Comercial une dois estados mas sofre com burocracia

Desde que foi fundada, há 37 anos, a Associação Comercial e Empresarial de Dionísio Cerqueira e Barracão representas as cidades paranaense e catarinense. Recentemente também adotou o município paranaense de Bom Jesus do Sul. A sede da Associação, fica exatamente na divisa entre os dois estados. Na sala de reuniões, parte das pessoas fica num estado e a outra parte no outro.

O presidente, Carlos Vanderlei Porfírio, é paranaense. E a secretária executiva, Andressa Stamm, é catarinense.

Mesmo com o objetivo de integrar, a associação enfrenta algumas dificuldades. Recentemente, numa feira em Dionísio Cerqueira, alguns expositores de Barracão não puderam passar para Santa Catarina com seus produtos, como queijo, devido a barreiras sanitárias.

Por isso a próxima feira deve ser realizada na divisa. Já houve casos que técnicos de Santa Catarina estiveram na associação e não puderam dar o curso para empresários do Paraná. Por isso os eventos contam com representantes de entidades dos dois estados, para ninguém ser discriminado.

Porfírio disse que já teve contratempos burocráticos por morar no Paraná e ter escritório em Santa Catarina. Também não teve reconhecido no Brasil o Mestrado que fez em Posadas, na Argentina.

Apesar da proximidade, a secretária executiva conta que as características culturais são mantidas. Andressa disse que sabe diferenciar um brasileiro de um argentino pelo cabelo e o jeito de se vestir. A erva-mate dos vizinhos é mais grossa e geralmente bebida com água fria, o chamado tererê, diferente da água quente do chimarrão brasileiro. –Alguma coisa é comum, mas geralmente é cada um na sua- explicou.



COMO FUNCIONAM AS REGRAS NA FRONTEIRA

FLUXO DE PESSOAS- De acordo com informações da Polícia Federal de Dionísio Cerqueira, o cidadão “fronteiriço” pode atravessar a fronteira quantas vezes quiser durante o dia, sem necessidade de documentação de imigração. A regra vale para os dois lados. O que eles não podem é sair dos limites dos municípios de fronteira, sob pena de deportação. O argentino que quiser ir a Chapecó, por exemplo, precisa da tarjeta de imigração.

CARGAS- É obrigatório o despacho aduaneiro e passagem pela aduana de cargas COMPRAS PESSOAIS- Os brasileiros podem comprar na Argentina dentro da cota de US$ 300 e há um limite por produtos. No caso do vinho, uísque e espumante, que é mais barato no país vizinho, há um limite de 12 litros por pessoa. Produtos de origem animal e vegetal não podem ser trazidos, além de partes e peças de veículos.

IRREGULARIDADE- O inspetor chefe da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, Arnaldo Borteze, disse que o único local alfandegário para cruzar a fronteira é pela aduana. Ele afirmou que a prática de fazer compras e atravessar a fronteira pelo barranco, como é comum, não é autorizada e é passível de apreensão. Só que os órgãos fiscalizadores acabam não tendo estrutura e pessoal para impedir essa prática.


Fonte: Delegacia da Polícia Federal e Receita Federal




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23 ago15:33

Educador nota 10 de Dionísio Cerqueira recebe premiação

Professores de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste, fizeram a bernunça, a maricota e o boi de mamão atravessarem o Estado. O professor de história Cesar Luis Theis e a professora de artes Ledi Demozzi quiseram reavivar os elementos da cultura do litoral junto à 9ª série da Escola Estadual Dr. Theodureto Carlos de Faria Souto. O trabalho rendeu a eles o prêmio Victor Civita Educador nota 10.

O resgate histórico e os ensaios foram feitos pela professora, com o apoio dos alunos. Já o professor Theis, trabalhou para o registro da apresentação do boi de mamão e encaminhou o projeto para o concurso.

Outros 11 profissionais que se destacaram pelo país foram premiados no início de agosto, após uma seleção que envolveu 2,5 mil participantes.

A premiação serviu de motivo para a escola continuar com as apresentações, que aconteceram na festa junina da instituição e também em um colégio da região. A intenção dos professores, ao promover as atividades, que começaram no início do ano, é ressaltar a cultura, considerando a realidade dos alunos.

– É importante para valorizar o local em que eles vivem, a região de fronteira – explica o professor de história.

As apresentações, os cartazes, o próprio figurino e até um site sobre o assunto têm sido produzidos por estudantes voluntários. Para registrar os trabalhos e, principalmente, as apresentações do boi de mamão, um curta-metragem dos alunos está em fase de finalização.

Nas gravações e apresentações, eles têm o apoio de pais e até a compreensão dos comerciantes da comunidade.

– A gente conta com a ajuda de voluntários para fornecer os equipamentos de filmagem e compramos fiado o material para as apresentações – conta o professor.

Felizmente, as dívidas foram pagas e a festa junina teve muitos participantes, entre eles, alunos com sotaque espanhol.

Por estar em uma região de fronteira, a escola tem uma parceria com um colégio da cidade argentina de Bernardo de Irigoyen, que deve ser complementada com futuras aulas de boi de mamão. Os estudantes argentinos da plateia em breve deverão integrar as apresentações. Para Theis, os trabalhos estão longe de acabar.

– O que eles aprendem e os valores que são passados deverão ser mantidos de geração em geração – estima o professor.


Trabalhos selecionados vão ter publicação nacional

Os educadores vencedores e suas escolas receberam prêmios em dinheiro e a publicação dos trabalhos em veículos da Editora Abril. Os vencedores também estão concorrendo ao título de Educador do Ano de 2012, na mesma premiação, que ocorrerá em outubro, em São Paulo.

Outro educador catarinense também foi premiado. A professora de matemática Valkiria Grun Karnopp, da Escola Municipal Governador Pedro Ivo Campos, de Joinville, apresentou a geometria aos alunos com bicicletas, casas em estilo enxaimel e até por meio de dobraduras de flores.

– Com as dobraduras de flores eles estudaram os ângulos – disse ela.


O prêmio

- Criado em 1998, o prêmio visa a identificar, valorizar e divulgar experiências edu-cativas de qualidade em escolas de ensino regular.

- Todo ano, são escolhidos 10 professores e um gestor escolar, selecionados por um grupo de especialistas.

- Os vencedores ganham um troféu, um prêmio em dinheiro e participam de uma grande festa em outubro, mês do professor.

- Este ano, dois catarinenses estiveram entre os vencedores.


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22 ago15:18

Mais de mil pessoas participaram da 1ª Feira das Profissões em Anchieta

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Dionísio Cerqueira, por meio da Gerência de Educação (Gered) promoveu, nos dias 16 e 17 de agosto, a 1ª Edição da Feira das Profissões. A exposição ocorreu paralela à Feira Regional de Ciências e Tecnologia, no ginásio de esportes da Escola de Educação Básica Professor Osni Paulino da Silva (POPS), no município de Anchieta.

Conforme a gerente de Educação, professora Nilza Suffredini, mais de 1 mi pessoas acompanharam as exposições e explanações dos alunos nos dois dias de Feira. Participaram alunos do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

- As profissões que cada escola explanou foram elencadas pela gerência de Educação da SDR. Foi realizado sorteio para saber qual escola falaria de determinada profissão. No total, foram apresentadas 24 profissões com 66 participantes/expositores e a nossa avaliação é extremamente positiva – disse Nilza.

Nilza Suffredini ressalta ainda que o objetivo da Feira das Profissões era despertar nos jovens o conhecimento e a importância de uma formação superior. Também foram realizadas orientações vocacionais com os visitantes interessados. Os alunos abordaram aspectos sobre as profissões de nutrição, turismo rural, arquitetura, medicina veterinária, terapia ocupacional, sistemas de informação, psicologia, engenharia florestal, fisioterapia, jornalismo, direito, relações públicas, agronomia, fotografia, engenharia sanitária, ciências econômicas e contábeis, técnico em eletrônica, astronomia, engenharia química, serviço social, geólogo, técnico em informática, educador e odontologia.


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