Feijão

09 fev10:06

Alta dos alimentos reduz poder de compra dos chapecoenses

Pesquisa realizada pelo curso de Ciências Econômicas da Unochapecó mostra que a cesta básica em Chapecó apresentou aumento de 1,14% em janeiro. Essa variação positiva fez seu valor passar de R$ 187,31 em dezembro para R$ 189,45 em janeiro passado. Dos produtos que mais contribuíram para esse aumento, destaca-se a variação positiva no feijão preto, em 25,85%, na banana, em 12,04%, e na batata inglesa, em 10,33%.

Com a variação positiva, uma família típica de Chapecó precisou de 0,33% salários mínimos para adquirir a cesta básica em janeiro. Em dezembro esse montante era de 0,37%, ou seja, uma redução de aproximadamente quatro pontos percentuais. Conforme o professor Guilherme de Oliveira, coordenador da pesquisa da cesta básica, cabe salientar que no mês de janeiro o salário mínimo foi reajustado em 14%.

A cesta básica é composta por 13 produtos. São eles: açúcar, arroz, banana, batata inglesa, café moído, carne moída de segunda, farinha de trigo, feijão preto, leite tipo C, margarina, óleo de soja, pão francês e tomate.

O curso desenvolve mensalmente o levantamento dos preços e o cálculo da cesta básica em Chapecó, tendo como base a Pesquisa de Orçamento Familiar, realizada em 1994. Nesse ano, os hábitos de consumo foram estudados com base em entrevista com famílias do município, escolhidas segundo critérios estatísticos. Os preços são coletados atualmente nos seguintes locais de compra: Alberti (Efapi), Barp, Brasão (Centro), Bedin I (Palmital), Celeiro (Itália), Cristo Rei, Moura & Santos (Efapi), Royal (Presidente Médice), Sivial (Passo dos Fortes) e Superalfa.


Cesto de produtos básicos

Outro levantamento realizado pelo curso de Ciências Econômicas da Unochapecó é o custo do cesto de produtos básicos de 57 produtos. No mês de janeiro, o custo do cesto de produtos básicos apresentou elevação média 2,20%. O valor para sua aquisição passou de R$ 773,50 para R$ 790,52 em janeiro deste ano. Ou seja, para o bolso do consumidor foi um aumento de R$ 17,02. Se compararmos com o valor do cesto de janeiro do ano passado, este aumento é ainda maior de R$ 29,90.

Diante dos 57 produtos pesquisados pelo cesto de produtos básicos, 35 registraram aumento e 16 tiveram redução, enquanto que seis não sofreram alterações. O grupo dos produtos alimentares, que possui o maior peso no total do cesto de produtos básicos, apresentou elevação de 2,98% em janeiro. Já no subgrupo de alimentação, os produtos in-natura apresentaram aumento de 8,08%, os industrializados subiram 0,27% e os semi-industrializados aumentaram 2,53%. No grupo dos não alimentares, janeiro registrou elevação de 1,57% e os artigos de higiene tiveram os preços reduzidos em 0,03%.

O cesto de produtos básicos considera famílias que residem em Chapecó e ganham de um a cinco salários mínimos. É composto por produtos alimentares in natura, semi-industrializados e industrializados, além de produtos de higiene e materiais de limpeza, bem como o item diversos.



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22 nov12:06

Soja perde área depois de três anos em alta

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Três culturas perderam espaço para o milho de acordo com a economista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Márcia Janice da Cunha Varaschin. Ela afirmou que houve uma queda de 11,2% na área de feijão, 8% na área de fumo e, 2,2% na área de soja.

Neste caso houve uma interrupção de três anos seguidos em que a oleaginosa avançada sobre áreas e milho.

O vice-presidente da Cooperativa Agroindustrial Alfa, Cládis Furlanetto, acredita que a área de soja pode diminuir em até 15% no Oeste e Planalto Norte, que são áreas de abrangência da cooperativa.

Um dos motivos é que o retorno da lavoura de milho está mais vantajoso no momento. A família Laval, de Chapecó, espera colher pelo menos 180 sacas de milho por hectare, numa área de 30 hectares. Mantendo o preço atual de R$ 24 a saca do cereal, a renda bruta por hectare seria de R$ 4.320. Mesmo tirando 60% para despesa, segundo cálculo do produtor, incluindo colheita e frete, ainda sobraria R$ 1,7 mil. Já na lavoura de soja, colhendo 65 sacas por hectare, ao preço de R$ 41, a renda bruta seria de R$ 2.665. Se sobrar 40%, tirando a despesa, restaria apenas mil reais por hectare, cerca de R$ 700 a menos que na lavoura de milho. Por isso Claudemir Laval e o pai, Orval Laval, se arrependem de não terem plantado mais milho. O plantio dos 58 hectares de soja deve ser concluído nos próximos dias. No Estado, está em cerca de 60%, segundo a economista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Márcia Janice da Cunha Varaschin.

Mesmo coma queda de área a oleaginosa deve ter a sua segunda maior safra da história, perdendo apenas para a produção da safra passada.


Mais milho para aumentar produção de leite

O agricultor Ivo Munarini, de Chapecó, não tinha muito como aumentar a área de milho, que é de 3,5 hectares. Mas decidiu investir mais na lavoura neste ano para colher mais, mesmo sem ampliar a área plantada. –Comprei uma variedade de semente melhor- explicou. Ele vai transformar toda a produção em silagem, para alimentar as vacas durante o inverno.

A expectativa é de produzir 100 toneladas de silagem, 66% a mais do que as 60 toneladas da safra passada.

Com isso ele pretente aumentar a produção de leite, que é de 3,5 mil a 4 mil litros/mês, para 6 mil litros/mês. Ou seja, uma safra melhor de milho vai garantir mais renda para a família.


Dependência continua grande

Mesmo com a previsão de um aumento de 6,3% na produção de milho, de acordo com dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, o déficit catarinense em relação ao consumo continua alto. A produção deve crescer 230 mil toneladas em relação à safra passada mas o estado traz de fora cerca de dois milhões de toneladas por ano, segundo o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina e diretor agropecuário da Aurora Alimentos, Marcos Zordan.

O diretor explica que pode até ocorrer uma redução no preço do milho, mas não muito significativa. Isso aliviaria os custos de produção, que vem castigando o setor agroindustrial.

O aumento do preço do milho, que subiu cera de 50% em relação ao praticado há dois anos, prejudicou os criadores, principalmente de suínos. O preço alto do milho acaba impactando em toda a cadeia produtiva e chega até o consumidor, que paga mais caro pela carne e pelo leite.

Zordan disse que o preço ideal da saca do cereal, tanto para o produtor de grãos quanto para o criador, seria de R$ 20 a R$ 22.

O presidente da Ocesc também teme uma oscilação do preço do petróleo, que pode manter ou até elevar o preço do milho. O motivo é que, aumentando o preço do barril de petróleo, há um estímulo para que os norte-americanos produzam mais etanol à base de grãos.

Para o presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri, não deve ocorrer redução dos preços, pois a Argentina também está com duas usinas de produção de etanol. –O preço vai continuar alto e isso será transferido para o consumidor- prevê.

Outro fator que evita queda de preço é a diminuição dos estoques do Governo Federal. Barbieri disse que no ano anterior muitos produtores venderam milho para o Governo pois o preço compensava. Como o produto está mais caro poucos vão vender para o governo e os estoques devem ficar baixos.

Portanto, mesmo com a previsão de aumento da safra no país, de 57 milhões para 60 milhões de toneladas, o cereal vai continuar fazendo jus ao seu dourado. E, se já descobriram o porco diet, com menos gordura, resta desenvolver um animal ainda mais diet, no consumo de milho. Ou então diminuir o churrasco.


SOJA EM SC

PRODUÇÃO (mil toneladas)

2002/2003: 712

2003/2004: 642

2004/2005: 599

2005/2006: 799

2006/2007: 1.104

2007/2008: 943

2008/2009: 975

2009/2010: 1.374

2010/2011: 1.490

2011/2012: 1.399*


ÁREA PLANTADA (mil hectares)

2002/2003: 257

2003/2004: 314

2004/2005: 355

2005/2006: 332

2006/2007: 377

2007/2008: 372

2008/2009: 385

2009/2010: 440

2010/2011: 457

2011/2012: 447*


PRODUTIVIDADE (quilos por hectare)

2002/2003: 2.770

2003/2004: 1.907

2004/2005: 1.710

2004/2006: 2.406

2006/2007: 2.930

2007/2008: 2.534

2008/2009: 2.530

2009/2010: 3.123

2010/2011: 3.259

2010/2012: 3.128*


Fontes: Cepa/Epagri com dados do IBGE e Conab | *estimativa


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