Florestal

08 dez18:10

Professores temem redução da água

O novo código ambiental não foi bem recebido no meio acadêmico. O professor da área de Ecologia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Geraldo Coelho, atacou a anistia de produtores que desmataram sem autorização. -É uma premiação para quem não preservou- argumentou. Ele afirmou que os mecanismos do antigo código permitiam manter as áreas de preservação com ajustes de conduta aos infratores. Para ele houve um retrocesso com o novo código.

A argumentação de que a agricultura familiar ficaria inviável com a lei antiga é uma falácia, segundo o professor, já que era previsto um manejo sustentável para pequenas propriedades.

Ele afirmou que até o código catarinense era mais flexível em áreas de preservação do que a proposta do senado. -O código catarinense possibilitava atividades de menor impacto como pomares e erva-mate- explicou.

Para o professor o novo código atende apenas os grandes produtores, principalmente do Centro Oeste, que acabarão desmatando áreas superiores a 15 metros de mata ciliar nos rios com menos de 15 metros, onde antes eram obrigatórios 30 metros. -Estão tratando de forma igual situações diferentes- reclamou. Para o professor, áreas menores deveriam ter uma política diferenciada das grandes propriedades.

Ele constatou que a proposta nova não contempla o uso sustentável de florestas. -Ele trata de forma excludente: ou é floresta ou é área de produção- destacou.

Para Coelho, a nova proposta vai reduzir áreas de proteção e isso terá impacto na contaminação da água.

A coordenadora do Mestrado em Ciências Ambientais da Unochapecó, Gilza Franco, disse que o novo código vai aumentar a degradação ambiental. Ela prevê perda da matar ciliar, aumento do assoreamento dos rios e redução da disponibilidade de água por infiltração menor das chuvas no solo. -A floresta facilita a infiltração e a recomposição dos mananciais- explicou.

Para a professora a disponibilidade de água potável é um bem que tem valor enorme, que não é compensado pelo aumento de áreas de produção. -Quanto será o custo de tratar uma água contaminada?-concluiu.


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08 dez11:02

Lideranças do agronegócio apóiam novo código

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Lideranças do agronegócio catarinense demonstraram apoio ao novo Código Florestal, aprovado na terça-feira, pelo senado federal. O presidente da Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, considera que o código catarinense era mais adequado para a realidade do estado. No entanto ele considera que o novo projeto nacional já é bem melhor que a lei de 1965 e traz tranqüilidade para o campo.

Lanznaster elogiou a possibilidade de áreas de preservação permanente serem computadas na reserva legal, que é de 20% da propriedade em Santa Catarina. O presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina, José Zeferino Pedrozo, disse que as mudanças do novo código evitam que 32 mil pessoas deixariam de produzir.

Na avaliação do secretário da agricultura, João Rodrigues, a proposta é positiva para o estado.

-Estamos comemorando- declarou. Ele considera que as demandas catarinenses foram atendidas parcialmente, mas que tanto ambientalistas quanto produtores não poderiam ter seus interesses 100% atendidos.

Para o presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri, o código aprovado pelo senado é até melhor que o código catarinense.

-Ele serviu de base para o senado e foi aperfeiçoado em alguns pontos- explicou. Barbieri disse que os senadores conseguiram conciliar preservação com produção.

Barbieri disse que agora o trabalho é adaptar a lei catarinense ao novo código nacional. Só que a proposta do senado ainda necessita de aprovação na Câmara dos Deputados. E o deputa Valdir Colatto não está muito contente com as modificações que o projeto teve no senado.

-Houve um retrocesso- afirmou.

Para Colatto, a atual proposta vai reduzir a área produtiva de Santa Catarina. -Na área de arroz poderemos ter uma redução de até 25%- calculou. Ele estima perda de áreas de fruticultura e produção de leite, que ocupam encostas de morros. Colatto disse que solicitou ao governador Raimundo Colombo um estudo sobre o impacto do novo código em Santa Catarina.

Ele disse que vai estudar bem o projeto. E adiantou que não deve aprovar alguns artigos propostos pelo senado.


MULTAS

Há possibilidade de converter multas em serviços de recuperação ambiental. Tem pouco impacto em Santa Catarina.


RECOMPOSIÇÃO DAS MARGENS

Grande interesse para Santa Catarina, pois afeta praticamente todas as propriedades. O código antigo previa 30 metros de preservação para rios com até 10 metros de largura. O código catarinense propunha cinco metros. E a proposta do senado ficou em 15 metros. Propriedades com menos de quatro módulos (cada módulo varia de 72 a 96 hectares no estado) e que tinham áreas consolidadas até 2008 podem continuar produzindo. São 187 mil propriedades nessa situação que poderão se legalizar apenas com um ato declaratório no órgão ambiental. As propriedades com mais de quatro módulos, que representam 7,8 mil unidades em SC, terão que recuperar até 15 metros e precisam fazer um goereferenciamento da propriedade, em até dois anos.

Nos rios com mais de 10 metros de largura a medida de preservação é de metade da largura do rio, com mínimo de 30 metros e máximo de 100 metros.


NASCENTES E OLHOS DE ÁGUA

-Obrigatória a recomposição num raio de 30 metros. Pequenas propriedades com várias fontes podem ter dificuldade em cumprir a legislação.


ATIVIDADES EM ENCOSTAS DE MORROS

-As atividades agrosilvopastoris serão permitidas nas encostas com inclinação de 25 e 45 graus. Em Santa Catarina algumas áreas de produção de frutas ou pecuárias que ultrapassem essas inclinações terão que ser encerradas.


RESERVA LEGAL

A possibilidade de computar as áreas de preservação nos 20% de reserva legal ajudou bastante os produtores catarinenses, que senão poderiam ficar sem utilizar ter até 40% das áreas.


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14 out15:54

Viveiro Florestal na Efapi 2011

Tema recorrente na sociedade atual, o meio ambiente também ganha espaço na Efapi 2011. Diversos stands da feira trabalham a educação ambiental através de atividades educativas e orientações aos visitantes. Um desses locais é o Viveiro Florestal Universitário mantido pela Unochapecó e que, além de trabalhar com espécies e sementes nativas, atua com a separação de lixo e a produção de composto orgânico.

Um dos grandes desafios deste tempo é aprender a viver de maneira mais sustentável, reutilizando objetos que antes eram simplesmente descartados sem nenhum cuidado. A preocupação com o descarte correto dos materiais tem impulsionado ações como a coleta seletiva, realizada pelo Viveiro Universitário no campus da Unochapecó.

Através de lixeiras coloridas dispostas pelo campus e investimentos para a conscientização da comunidade acadêmica é possível ter maior controle sobre os materiais que são descartados no campi da universidade. Todo o lixo reciclável é encaminhado para as cooperativas de coleta e venda destes materiais, instaladas na região, e os resíduos orgânicos são levados para o Viveiro onde são utilizados para a produção de adubos, através de um sistema conhecido como compostagem.

O bolsista do Viveiro Universitário, Adriano Keller, explica que o processo de fabricação de substratos através da compostagem é simples e pode ser feita mesmo em pequenos espaços. A técnica consiste na montagem de um bloco de materiais orgânicos intercalados: camadas de folhas, galhos ou gramas e de lixo orgânico como cascas de frutas e resto de alimentos.

Os blocos produzidos podem conter várias camadas e levar até 120 dias para se decompor completamente, dependendo do calor incidente. Porém, antes de introduzir a técnica é necessário tomar alguns cuidados.

- Não é aconselhável utilizar restos de carne ou mesmo ossos de animais, pois o tempo de de composição é diferente dos resíduos de folhas ou frutas. É importante não montar a compostagem próximo a fontes de água ou rios, para que não haja nenhum tipo de problema com os mananciais – disse Adriano.

Depois de pronto, o substrato produzido na compostagem pode ser usada na horta, em fruteiras e mesmo nas flores, como complemento aos nutrientes existentes no solo.

Além de orientar sobre a correta montagem da compostagem, o Viveiro Universitário da Unochapecó está recolhendo os dejetos dos animais que estão alocados nos pavilhões da Efapi e levando para a universidade. Depois tudo o que for coletado será transformado em adubo para ser utilizado nas plantas produzidas pelo próprio Viveiro.


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