Gêmeas

23 abr16:16

Gêmeas usam roupas iguais há 71 anos

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Chinelo marrom, bermuda azul e camisa branca com estampas coloridas. Há 71 anos as gêmeas Edeltraud e Gertrudes Schuster usam roupas exatamente iguais. –A mãe acostumou quando eram pequenas e desde então tem que ser bem igual – comenta a irmã mais velha, Teloca Schuster. As três irmãs moram juntas desde 1985 numa casa de madeira, com paredes verdes e área pintada de marrom, onde quase diariamente recebem visitas para conversar e tomar chimarrão.

A bebida aliás não pode faltar para as gêmeas. As duas acordam cedo, por volta das sete horas. Como dormem no mesmo quarto, a primeira decisão é sobre a roupa que vão usar.

Depois, vão acender o fogão a lenha. Gertrudes é a responsável por fazer o chimarrão. E, mesmo quando saem para passear, deixam uma garrafa térmica com água quente para o caso de receberem visitas.

As duas preparam juntas as refeições. – Gostamos de tudo: mandioca, feijão, arroz – conta Gertrudes. O que uma come, a outra come também. Aliás as duas sabem até fazer pão de milho, cuca, geleia e bolacha pintada. Até a roupa no varal elas recolhem juntas.

Só não gostam de tricô e crochê. –Não tempos paciência para isso- explicou Gertrudes. O que elas gostavam mesmo era de trabalhar na agricultura. Mas, com o passar dos anos, o serviço foi ficando muito pesado. Mesmo assim o jardim, que é cheio de flores, ainda recebe o cuidado carinhoso das gêmeas.

Quem não as conhece às vezes leva até um susto, ao ver duas senhoras grisalhas no pátio com roupas iguais. –Tem gente que pensa estar “vendo coisas”- explicou Teloca, sobre uma possível ilusão de ótica.

Mas a maioria dos moradores de São Carlos já conhece as duas. Até para chamar o táxi é só dizer que é na “casa das gêmeas”. O mesmo serve como referência para a entrega do supermercado. O que não pode faltar nas compras é banana.

Ambas garantem que não saem sem ter roupas iguais. Tanto que nas lojas, quando gostam de uma peça, só compram se o lojista encomendar outra igual. Às vezes vão fazer compras em Chapecó onde é mais fácil achar peças duplas. Elas afirmam que entram em consenso na hora de escolher as roupas. –Decidimos as duas juntas- explica Edeltraud, ao colocar uma camisa azul estampada de flores, para tirar mais fotografias.

Edeltraud parece ser mais quieta que Gertrudes, que é um pouco mais magra. Mas as diferenças param por aí. Nenhuma quis saber de namorado. Nem em bailes gostam de ir. Uma das poucas atividades que fazem separadas é ir na missa. Uma vai num domingo, outra vai noutro. Teloca disse que o padre até se confundiu, pensando que somente uma frequentava a igreja.

Mas quem convive com elas, vê que não são idênticas. Ainda bem, pois com roupas iguais seria difícil saber quem é quem. Edeltraud e Gertrudes garantem que nunca brigaram. É um exemplo de que é possível uma convivência harmônica e fraterna durante décadas.




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01 nov15:56

Colisão mata casal e filhas gêmeas

Marielise Ferreira | marielise.ferreira@zerohora.com.br

Nilson Mariano | nilson.mariano@zerohora.com.br


Acidentes de trânsito ceifam vidas, mutilam eventuais sobreviventes e abortam os sonhos. Às 17h de domingo, 30, outra tragédia enlutou oestado gaúcho: um casal e as filhas gêmeas que viajavam em um Corsa foram colhidos por uma carreta bitrem, na cabeceira da ponte que liga Chapecó à Nonoai, na SCT-480. Todos morreram. O sepultamento foi na segunda-feira, 31, em Erechim, terra natal das vítimas.

Andréia e Darlei Ribeiro.

O comovente da tragédia é que o casal Darlei e Andréia Ribeiro, de 32 e 31 anos, submeteu-se a tratamento de fertilidade para ter filhos. Felicidade, para eles, era ser pai e mãe. Um blog na internet conta a história. Apaixonaram-se jovens, nos cultos da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, em Erechim, casaram-se há sete anos.

Andréia engravidou em 2009, mas sofreu um aborto espontâneo devido à doença de Von Willebrand, que dificulta a coagulação sanguínea. Andréia perdeu uma das trompas mas não desistiu. Em 2010, após tratamento, voltou a engravidar. Já na primeira ultrassonografia, a revelação superou as expectativas: nasceriam quatro crianças.

Como moravam em Cascavel, no Paraná,Andréia e Darlei bolaram o blog QuadriGêmeos 4 Ever, para compartilhar a alegria com os pais,irmãos e amigos,de Erechim.

No blog, intitulado“Nos acompanhe nesta abençoada aventura”, o casal postou relatos emocionantes. A ajuda dos amigos, as rifas para custear as despesas médicas e de enxoval, os planos, os sobressaltos da gestação, o desenvolvimento dos bebês. Os dois meninos morreram durante o nascimento, o que Darlei, muito religioso, aceitou como um desígnio de Deus.

As duas meninas, Laura e Luísa, ficaram dois meses na UTI Neonatal. Sobreviveram para encontrar a morte no trânsito. Andréia resolvera passar dois meses em Erechim,para apresentar os bebês aos avós e às tias. Darlei estava em Cascavel, onde trabalhava como montador.

No seu último final de semana, Darlei guardou o trombone que costumava tocar na banda da Igreja Evangélica de Cascavel. Avisou que buscaria a família em Erechim. Não terminou a viagem. Ele, Andréia e Luísa morreram na hora. Laura se foi na tarde de ontem, na UTI do Hospital Regional de Chapecó.

– Estavam felizes, tudo o que mais queriam na vida havia se realizado, não sabemos onde buscar forças para enfrentar esta perda – lamenta o irmão de Darlei,Vanderlei Ribeiro.

Na última postagem do blog, em 22 de outubro, o casal narrou o peso das meninas e sua incrível recuperação. Detalhou que elas andavam interessadas no movimento das mãos e já tomavam sopinha. A família foi enterrada às 19h de segunda, no cemitério Parque dos Ervais, em Erechim.

>> Morre a quarta vítima do acidente no Goio-Ên

Motorista diz que carreta perdeu freios

Apuração da Polícia Rodoviária Estadual de Chapecó aponta que a carreta bitrem estaria desgovernada quando atingiu o Corsa em que viajavam Andréia, Darlei e as gêmeas Laura e Luísa. Carregado com milho, o veículo bateu em dois automóveis e tombou sobre um deles, na cabeceira da ponte sobre o Rio Uruguai,em Chapecó.

Em depoimento registrado na Polícia Rodoviária Estadual de Chapecó, o motorista da carreta, Flaviomar Luchtemberg, informou que a carreta ficou sem freios e que ele tentou desviar dos veículos. Ele teve ferimentos leves, foi medicado e liberado. O tacógrafo mostrou que a carreta seguia a 50 km/h.

A Polícia Civil de Chapecó aguarda o envio da ocorrência feita pela Polícia Rodoviária Estadual de Chapecó para instaurar o inquérito. A carreta foi apreendida para a realização de perícia.


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15 ago12:51

Ilusão de ótica?

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Gêmeas de Xaxim integram a equipe de futsal da cidade

Aquela história de um jogador seria tão rápido a ponto de bater escanteio e cabecear na área pode ser aplicado pelo time da CRE Xaxiense, de Xaxim, no Oeste do Estado. A equipe tem chamado a atenção nos campeonatos que disputa, pois parece ter jogadoras que se multiplicam em quadra. A mesma atleta que lança a bola na defesa parece estar no mesmo momento no ataque. A jogadora que é vista num lado da quadra, logo em seguida parece estar do outro lado. E às vezes o torcedor parece estar vendo dobrado, mesmo não tendo bebido. Seria ilusão de ótica. Não.

– Já somos conhecidos como o time das gêmeas- contou o técnico Andrei Sberse da Xaxiense.

A equipe de base do Xaxiense tem oito irmãs idênticas

Tudo começou com as irmãs Camila e Cândida Baccin, que tem 22 anos, e Andressa e Vanessa de Almeida Batista, ambas com 15 anos, e que desde os nove treinam no time.

O técnico Andrei Sberse gostou da experiência de ter gêmeas no plantel. No início do ano começaram a vir as gêmeas do Rio Grande do Sul fazer teste no time. Em fevereiro chegaram Jéssica e Ketruen Gritti, de Sananduva, e Ana Maria e Maria Isabel Zanatta, de Tapejara. As irmãs Zanatta indicaram as conterrâneas Karen e Kelen Bender.

– Foi um choque quando vi as meninas todas iguais- lembrou Kelen.

- Agora dá para distinguir mas no início era difícil- lembrou o técnico. Para tentar saber quem era quem, ele apelava para os números na camisa e calção. Mas, nos jogos, a confusão ainda é inevitável.

– Às vezes chamo uma e é a outra- diz. As próprias jogadores se confundem. Uma das brincadeiras preferidas das jogadoras e testar as outras para saber se identificam quem é quem. Camila Baccin tenta identificar, mas acaba errando. –Eu só sei quem são as loiras altas- afirma Vanessa, referindo-se às irmãs Gritti. Andressa diz que só reconhece a irmã, Vanessa. –Não diferencio nenhuma – confessa. Kelen é a única que diz conhecer todas.

Mas, ao mesmo tempo que traz confusão, há vantagem em ter tantas gêmeas no time. O técnico Andrei Sbertse disse que em várias vezes utiliza duas duplas delas em quadra. –Isso confunde o adversário que não sabe quem é quem – afirmou.

As meninas são campeãs da microrregional

Jéssica disse que em alguns jogos os adversários nem percebem que fez a substituição com a irmã e falam admirados. –Nossa, como você corre! Nesse caso ela corre por duas. Ana Maria Zanatta disse que é bom jogar em time de gêmeas, pois além de confundir os adversários o entrosamento é melhor. -A gente joga junto desde pequena- completa Vanessa As irmãs Karen e Kelen Bender, de Tapejara, gostam de jogar juntas. –Eu já sei onde minha irmã vai estar para largar a bola- disse Karen (ou será que foi a Kelen?). A única diferença é que a Karen tem a franja para a frente e a Kelen tem a franja para o lado, explicam as colegas.

Fora das quadras as pessoas acham que é a mesma pessoa que estava num lugar e depois já estava em outro. –As pessoas perguntam ô, tu não tava lá dentro – disse Kelen.

Apesar do time ser formado por pessoas tão parecidas, elas têm suas peculiaridades. Tirando Ana e Bel, que são alas, as demais jogam em posições diferentes das irmãs. E nenhuma quis ser goleira. Vai ver que é porque não dá para escalar duas goleiras.

O certo é que o time é atração por onde vai disputar os campeonatos e muitos querem tirar fotos com elas. E não vão pensar que o time é formado por gêmeas só para bonito. –Todas jogam bem- argumentou o técnico. Tanto que a equipe é campeã microrregional da Olesc e dos Joguinhos. Também, com um plantel desses, o time deve jogar o dobro.

QUEM SÃO ELAS:

Ketruen Fernanda Gritti- Fixa- 16 anos, natural de Sananduva-RS, joga desde os nove anos e torce para o Inter-RS. Está na Xaxiense desde fevereiro.

Jéssica Fernanda Gritti- Pivô- 16 anos, natural de Sananduva-RS, joga desde os nove anos e torce para o Inter-RS. A única diferença da irmã é que usa uma pulseira. Está na Xaxiense desde fevereiro.

Karen Bender- Fixa- 15 anos, natural de Tapejara-RS, joga desde os oito anos, torce para o Inter-RS. Para diferenciar-se da irmã usa franja para frente. Está na Xaxiense desde março.

Kelen Bender- Pivô- 15 anos, natural de Tapejara-RS, joga desde os oito anos, torce para o Inter-RS. Para diferenciar-se da irmã usa franja para o lado. E vive provocando a irmã. Está na Xaxiense desde março.

Ana Maria Zanatta-Ala-direita- 16 anos, natural de Tapejara-RS, joga desde os sete anos, torce para o Grêmio-RS. É mais falante do que a irmã. Jogou na Unochapecó/Nilo Tozzo/Aurora/Female no ano passado e foi contratada pela Xaxiense em fevereiro.

Maria Isabel Zanatta (Bel)-Ala-esquerda- 16 anos, natural de Tapejara-RS, joga desde os sete anos, torce para o Grêmio-RS. Jogou na Unochapecó/Nilo Tozzo/Aurora/Female no ano passado e foi contratada pela Xaxiense em fevereiro.

Vanessa de Almeida Batista- Pivô- 15 anos, natural de Xaxim, joga desde os nove anos na CRE Xaxiense. Torce para o Corinthians-SP.

Andressa de Almeida Batista- Ala-direita- 15 anos, natural de Xaxim, joga desde os nove anos na CRE Xaxiense. Torce para o Corinthians-SP.

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