Guaraciaba

28 dez07:40

Frangos morrendo, vacas sem água e milho seco

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A falta de água já está começando a mudar o cenário no Oeste. As lavouras de milho, que antes eram verde escuras, agora estão amareladas. André Baggio, de Coronel Freitas, estima em 50% o prejuízo nos dois hectares de milho que plantou. Alguns pés não formaram nem espigas. Outros tem espigas pequenas e poucos grãos. Ele pretendia colher mais de 300 sacas e vender metade da produção. Agora não sabe se vai colher o suficiente para alimentar os suínos, bezerros e ovelhas que tem na propriedade.

Seu vizinho, Antonio Trentin, enfrenta situação ainda pior. Ele não tem água suficiente para os animais. Mesmo recebendo diariamente 6 mil litros de um caminhão pipa da Prefeitura, estão morrendo 25 frangos por dia, devido ao calor. Ele não consegue fazer a nebulização dos dois aviários senão fica sem água para as aves beberem. –É muito triste- lamentou o produtor.

As aves começaram a morrer há uma semana. Mas a falta de água já começou há 20 dias, quando secaram as fontes da propriedade. Ele tem que dividir a água do caminhão pipa com as vacas. Nilce Trentin disse que a produção de leite já diminuiu 20%, de 230 litros/dia para 180 litros/dia.

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Até para o consumo humano o líquido já começa a escassear. –Temos água de poço artesiano mas não é sempre que ela vem- disse Nilse. O jeito é economizar para lavar roupa e fazer a limpeza.

O responsável pela distribuição de água da Prefeitura, Ricardo Martins, disse que diariamente são distribuídas 10 a 12 cargas de 6 mil litros cada no município. São 30 famílias que são abastecidas para o abastecimento humano e animal. Se não chover forte nos próximos dias, esse número deve aumentar.



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27 dez17:32

Nove cidades em situação de emergência, devido a estiagem, no Oeste

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

O número de cidades em situação de emergência aumenta no Oeste. Depois de Planalto Alegre, Ipuaçu, Guaraciaba, Coronel Freitas, Marema e São Miguel do Oeste, Águas Frias, Águas de Chapecó e São Carlos também assinaram o decreto.

A produção de melancia é a mais prejudicada em Águas Frias. Segundo o secretário de agricultura Antoninho Testa, os agricultores já tem perdas de mais de 50%. No milho chega aos 40%, 30% na plantação no fumo e 25% na soja.

Ainda não está faltando água para o consumo humano no interior do município. E para evitar que isso aconteça a prefeitura esta realizando a limpeza das fontes de águas.

Em Águas de Chapecó as perdas passam de 50% no milho e na produção leiteira e aos 30% no fumo. Para amenizar a situação a prefeitura fez, até a semana passada, o abastecimento de água para o interior da cidade.

– Como o reservatório não está mais dando conta, tivemos que parar de abastecer as propriedades – disse o secretário de agricultura André Tormen. Ele acrescentou ainda que a alternativa encontrada é a abertura de fontes de água nas propriedades rurais.


Água do Balneário abastece o interior

Após reunião com a Comissão Municipal de Defesa Civil, o prefeito de São Carlos, Elio Godoy, assinou o decreto de situação de emergência. Na cidade as lavouras de milho e fumo são as áreas mais atingidas pela falta de água.


Milho é uma lavouras mais atingidas pela falta de água e São Carlos.


Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Nelci Endler, a produção leiteira teve uma redução de 45% devido as pastagens estarem escassas.

Para tentar amenizar a situação, moradores do interior estão utilizando água mineral do poço de Balneário de Pratas. – Os agricultores estão alugando caminhões e puxando água para suas propriedades – disse o prefeito. Ainda segundo, deve ser encaminhado para a Câmara Municipal de Vereadores um projeto de lei sugerindo que os agricultores tenham cisternas em suas propriedades.

Em São Carlos a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento – Casan, está realizando a limpeza de um poço que estava em desuso. Segundo o Superintendente Regional da Casan, Nilso Macieski o investimento no local poderá amenizar a situação do abastecimento na cidade. – Estamos usando medidas como esta para evitar que seja realizado um rodízio de água na cidade – disse.


Em Ipuaçu prejuízos passam dos 50%

Mesmo com as chuvas do final de semana na região, a agricultura não vai recuperar as perdas nas lavouras com a estiagem em Ipuaçu. A prefeitura ainda está disponibilizando toda a estrutura necessária para o transporte de água para os agricultores.

Segundo o secretário de agricultura Eduir Ceron, mais de 50% do milho plantado já foi perdido. – O interior já esta sem água. Os córregos secaram e se não chover o suficiente, ficaremos sem água na cidade também – declarou o secretário.


>> Sobe para seis o número de cidades em situação de emergência, devido a estiagem, no Oeste

>> Quatro cidades em situação de emergência no Oeste

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27 dez11:48

Sobe para seis o número de cidades em situação de emergência, devido a estiagem, no Oeste

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

Mais duas cidades do Oeste, Marema e São Miguel do Oeste, decretaram situação de emergência devido a falta de chuvas regulares na região. Há mais de 45 dias não é registrada uma chuva significativa.

Na produção de milho as perdas chegam a 25%.

O secretário de administração Denilso Brancalione disse que a chuva do final de semana amenizou um pouco a situação, mas ainda falta água para consumo humano e animal de propriedades do interior. – Um caminhão pipa está levando água para sete comunidades há uma semana. Estamos abastecendo também diversos aviários, e criação de animais, como bovinos e suínos – relata Brancalione.

Na produção agrícola as perdas são significativas, segundo Brancalione, já foram perdidos 20% na soja, 25% no milho e 30% da produção de leiteira.

Em São Miguel do Oeste os prejuízos, segundo dados levantados pela Epagri e Secretaria Municipal de Agricultura, passam de R$ 3,6 milhões no campo. – Se não chover nos próximos cinco dias esse número pode aumentar – disse o secretário de administração e coordenador da Defesa Civil de São Miguel do Oeste, Moacir Fogolari.

A produção mais castigada é o milho, as perdas ficam entre 25% e 30%. A produção leiteira também está afetada.

Dois caminhões pipa estão abastecendo o interior, mas como o cascalho está solto em função da estiagem os veículos tem dificuldade de transitar. – Assim que chover vamos ter que patrolar e arrumar as estradas – disse Fogolari.


Se não chover Xanxerê pode decretar nos próximos dias

Em reunião realizada na tarde desta segunda-feira em Xanxerê ficou decidido que o município vai aguardar até a primeira semana de janeiro para definir se assina o decreto ou não.

– Como no final de semana tivemos uma chuva de 36 mm, decidimos aguardar até o início de janeiro para ver se a chuva ameniza a situação – disse o prefeito Bruno Bortoluzzi.

Desde a primeira quinzena do mês de dezembro não são registradas chuvas significativas na região e a previsão não é das melhores para os próximos dias. Segundo o meteorologista Leandro Puchalski o fenômeno La Ninã segue atuando e mudando os sistemas meteorológicos ao longo do verão.


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26 dez19:11

Quatro cidades em situação de emergência no Oeste

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

A estiagem tem deixado produtores da região Oeste preocupados. Desde a primeira quinzena do mês de dezembro não são registradas chuvas significativas na região e a previsão não é das melhores para os próximos dias. Segundo o meteorologista Leandro Puchalski o fenômeno La Ninã, que é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, segue atuando e mudando os sistemas meteorológicos ao longo do verão. – A tendência é trazer menos volume de chuva que o padrão da estação – disse.

Depois de Planalto Alegre, Ipuaçu e Guaraciaba, Coronel Freitas também decreta situação de emergência devido a estiagem. O Decreto foi assinado pelo prefeito Mauri José Zucco.


Caminhão pipa leva água para comunidades do interior em Coronel Freitas.


Segundo o diretor de agricultura, Roberto Cordazzo, a chuva que caiu no último final de semana amenizou, mas não resolveu a situação de diversas famílias que enfrentam problemas com a falta de água nas propriedades rurais. – Dois caminhões pipa estão fazendo o transporte de água para cerca de 30 propriedades rurais – disse Cordazzo.

A agricultura é a que mais sofre com a estiagem. De acordo com um levantamento feito pela Secretária Municipal de Agricultura, as lavouras de milho e as pastagens são as áreas mais castigadas. Os dados apontam perdas de 30% na produção de milho e 25% na produção de leite no município.

Preocupada com a situação a prefeitura está disponibilizando toda a estrutura necessária para o transporte de água para os agricultores.


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23 dez14:50

Placas são instaladas no interior de Guaraciaba

É um dos objetivos da Administração Municipal é proporcionar às comunidades do interior, placas indicativas e de informação a turistas e visitantes. A equipe da Secretaria de Obras, juntamente com o Departamento de Engenharia, está colocando as placas com indicação de todas as comunidades e com a quilometragem. O investimento foi de R$ 4.410,00.

As placas são padronizadas e indicam o caminho e as rotas a partir dos centros das comunidades. O Prefeito em Exercício Nelson Hüning destaca que esse trabalho era um dos grandes objetivos da Administração Municipal pelo relevante serviço que se presta às pessoas, em especial aos visitantes. O Prefeito destaca que o interior do município recebe muitos turistas, em especial o Museu Histórico Professor Edvino Carlos Hölscher, localizado na Linha Olímpio. As placas indicativas facilitam aos visitantes chegarem até o local desejado.

A meta é colocar as placas em todo o município até o final do ano, o que já vai facilitar aos que vem a Guaraciaba visitar os familiares neste período de Natal e Ano Novo. A equipe responsável pelo trabalho pede a população para que ajude a cuidar e preservar a permanência das placas, pois algumas já foram arrancadas. Depredar o patrimônio público é crime e se alguém for identificado cometendo ato de vandalismo será punido.

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21 dez15:58

Guaraciaba pode decretar situação de emergência

A dificuldade no abastecimento de água e as perdas nas lavouras pela falta de chuva fizeram a Defesa Civil de Guaraciaba decidir pelo decreto de situação de emergência. A decisão foi tomada em reunião realizada na tarde da terça-feira, após avaliação de dados já levantados no município.

O responsável pela Casan local, Luiz Fernando Simm, explanou que o abastecimento de água potável na cidade preocupa mais a cada dia. O sistema de rodízio já está sendo feito, mas nos pontos mais altos da cidade a água chega com certa dificuldade. A Defesa Civil orienta notificar os consumidores que estejam desperdiçando água, como lavando calçadas, carros, casas, molhando grama, horta ou outras atitudes que configurem desperdício.

Em relação a agricultura, o Secretário Jair Henkes, avalia que a perda na produção já chega a 40% em algumas culturas. O engenheiro agrônomo da Prefeitura, Leonir Dilly, salientou que fez uma pesquisa preliminar com alguns técnicos do município e constatou que o fumo apresenta perda de 25 a 30%, o milho de 35 a 40% e a produção de leite já teve queda de 20%.

A falta de água para os animais também foi uma preocupação levantada pela Defesa Civil. Em algumas propriedades os bebedouros estão quase secos e para reabri-los é necessária a licença ambiental. Os rios que cortam o município também estão com pouca água. A alimentação aos animais é outra questão que preocupa os produtores, pois as pastagens estão secando rapidamente.

Por estas e outras situações, a Defesa Civil decidiu que seja decretada Situação de Emergência. O Decreto será assinado assim que o Prefeito Nelson Hüning retornar de Brasília, onde foi assinar convênio de mais de R$ 3,5 milhões para investir em abastecimento de água.

Esse recurso é resultado do empenho da Administração Municipal na garantia de recursos para resolver o problema da falta de água. Para o mês de janeiro a intenção é fazer uma audiência pública com a participação da Casan para discutir os novos encaminhamentos.


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09 nov10:56

Indenização para atingidos em Guaraciaba

Os produtores rurais de Guaraciaba, Anchieta e São José do Cedro serão indenizados pelo Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fundesa) pelos animais mortos pela catástrofe ambiental de 2009. O secretário de Estado da Agricultura, João Rodrigues, fará a entrega das ordens de pagamento para, aproximadamente, 130 produtores rurais, na quinta-feira, 10, às 15h, no Salão Comunitário da Linha Guataparema, em Guaraciaba.

Na segunda-feira, dia 7, o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional de São Miguel do Oeste, Wilson Trevisan e o gerente de Desenvolvimento Econômico Sustentável e da Agricultura, Renato Romancini, se reuniram com lideranças dos municípios e produtores rurais que serão beneficiados para explicar sobre o pagamento das indenizações. De acordo com Trevisan, o Governo do Estado pagará quase R$ 300 mil sobre bovinos, suínos e aves mortos na catástrofe.

O secretário explica que serão pagos, aproximadamente, R$ 100 mil sobre os 1.278 suínos; R$ 15 mil sobre as 44.226 aves e R$ 185 mil sobre os 260 bovinos.

- Após a luta de lideranças estaduais e regionais, os produtores serão indenizados e receberão até mesmo o valor sobre animais integrados, o que antes não estava sendo aprovado no decreto – disse Trevisan.

Somente em bovinos, para os produtores do município de Guaraciaba será pago cerca de R$ 153 mil; Anchieta, R$ 18,6 mil e São José do Cedro R$ 13,5 mil.


Fundesa

O Fundesa foi instituído em 2008 na Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca. Os recursos do Fundo são utilizados nas ações referentes à indenização pelo abate sanitário e sacrifício sanitário de animais suspeitos ou atingidos por febre aftosa e outras doenças infecto-contagiosas contempladas em programas de controle sanitário do Estado ou em convênios com a União.

O Fundo é suplementar para ações relativas à vigilância em saúde animal, educação sanitária e para casos específicos: indenizar animais de produção, mortos por afogamento ou soterramento, em decorrência de catástrofes ambientais nos municípios do Estado de Santa Catarina declarados em estado de calamidade pública ou situação de emergência, em função do excesso de chuvas e suas consequências.



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08 set13:20

Cicatrizes do tornado em Guaraciaba

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br


A cicatriz nas costas do jovem Douglas Ludwig, de 18 anos, é apenas um dos sinais que permanecem do tornado que arrasou o município de Guarciaba na noite de 7 para 8 de setembro de 2009. Naquela noite ventos entre 120 e 180 quilômetros por hora causaram a morte de quatro pessoas, deixaram 89 feridos e cerca de nove mil pessoas foram atingidas de alguma forma pelo fenômeno.

Na zona urbana a passagem do tornado é praticamente imperceptível. O ginásio da Escola Sarah Castelhanho Kleinkauf foi reconstruído. Nos telhados é possível observar algumas telhas mais novas, que foram trocadas na época.


Mas o impacto maior foi no interior, onde 86 famílias tiveram mais de 50% de suas propriedades destruídas e tiveram que reconstruir as casas, galpões, estrebarias e chiqueiros.


Em algumas comunidades, como Sede Flores, é possível observar as construções novas. Algumas famílias até fizeram casas melhores do que tinham. De acordo com o prefeito em exercício, Nelson Hüning, 453 famílias receberam valores que variavam de R$ 3 mil a R$ 30 mil para reconstrução das residência, conforme as perdas, totalizando R$ 4,5 milhões, repassados pela Defesa Civil.


Apenas dois moradores ainda não reconstruíram as casas, mas estão com material. Mas o maior impacto não foi o material, já que a maioria das construções foi recuperada.


– O maior problema é o psicológico- afirmou o prefeito. Essa é uma cicatriz mais difícil de sarar.


A geladeira de um vizinho ainda está no meio do campo.



O próprio Douglas Ludwig, acordou duas vezes na segunda-feira, quando ocorreu o temporal que atingiu vários municípios catarinenses, entre eles Anchieta, que fica próximo a Guaraciaba. –A gente se aperta mais quando arma o tempo de noite- explicou.


Na noite do tornado os relâmpagos lhe chamaram a atenção. Ele ainda lembra dos papéis rodando no quarto e uma parede caindo. Depois apagou e acordou perto de um rio, que ficou seco após o tornado, a 50 metros de sua casa. Douglas ainda guarda a lanterna que ajudou a família a encontrar os destroços da moradia naquela noite.


A mãe, Melita Reichert Ludwig, guardou a Bíblia


A geladeira de um vizinho ainda está no meio do campo, a mais de 200 metros da casa que já não existe mais. A família Ludwig pegou os R$ 30 mil que ganharam de indenização e reconstruíram a casa, maior. Só que gastaram o dobro e parte ainda está para pagar. Do tornado ficaram alguns objetos, as cicatrizes, algumas dívidas e o medo a cada vez que o tempo fica nublado.


Resta só entulho da casa onde morreram duas pessoas


Da casa onde moravam Adalice Schwab, 45 anos, e Edvino Schwab, 94, duas vítimas fatais do tornado, restam apenas alguns escombros amontoados perto da estrada. O marido de Adalice e filho de Edvino, Pedro Paulo Schwabe, mudou-se para São José do Cedro, junto com os filhos. A propriedade foi vendida.


O secretário de agricultura de Guaraciaba, Jair Henkes, lembra que no local um cachorro foi encontrado morto em cima de uma árvore. Nem a vegetação ainda não se recuperou. Há ainda muitas árvores tortas, caídas e sem folhas. Nos matagais da região os moradores às vezes encontram panelas, chaleiras, sofás e outros utensílios das antigas casas que foram destruídas pelo vento.


Da família Schwab, só vai ficar a lembrança. Assim como das famílias de Irene Lazzari, 86 anos e Ana Paula Tersi, de 10 anos, as outras duas vítimas fatais do tornado. Para estas famílias, o 7 de setembro será sempre um segundo Finados.


Família Carossi ainda está sem os aviários



Izair chora ao lembrar dos seus dois aviários que foram destruídos.


A produção de 240 mil frangos por ano,o equivalente a 120 toneladas de carne, era uma atividade que garantia a renda da família Carossi, que se orgulhava da boa produção. Eles faturavam cerca de R$ 100 mil por ano. O tornado derrubou os dois aviários com 126 metros de comprimento cada, além de destelhar a casa. O telhado da residência os Carossi arrumaram, com o dinheiro da Defesa Civil.


Mas os aviários ainda não foram reconstruídos. Eles ganharam apenas o telhado dos aviários e pré-moldados de um. Mas não tem dinheiro para reconstruir as paredes e colocar os equipamentos automatizados. –Cada aviário custa R$ 200 mil- afirmou Izair Carossi.


Ele tinha seguro das construções mas ainda não recebeu a indenização. Segundo o avicultor a seguradora alega que o seguro não cobria tornado e, por isso, entrou na justiça. Carossi chega a chorar ao lembrar que perdeu cerca de R$ 1 milhão em construções. Os aviários eram o que garantia a renda da família. Um dos filhos, Ivonei, foi trabalhar numa propriedade no Mato Grosso para ter alguma remuneração. Segundo a mãe, Neiva Carossi, é ele que manda R$ 300 por mês para a família se manter. Para eles, a vida ainda não voltou ao normal.


Do contêiner para a casa nova



Olímpio Carossi feliz na casa nova.


Durante seis meses Olímpio Carossi morou com a esposa num contêiner. Depois, foi para um paiol. A filha caçula, Letícia, não agüentou e foi morar com a irmã, na cidade.

No final do ano passado, Olímpio conseguiu terminar a casa nova, de dois pisos. Ele ganhou R$ 30 mil da Defesa Civil, doações de portas e janelas e, com mais algumas economias, fez uma casa de R$ 70 mil.


Olímpio Carossi agora está feliz pois tem uma casa bonita em que a filha vem lhe visitar a cada final de semana. A única coisa que lhe incomoda é quando começa a ventar e o tempo ameaça chover. –A gente sofre muito- diz. Pelo menos ele fez uma casa “reforçada” que é bem mais difícil do vento derrubar.


Silo continua no chão


Os entulhos de dois silos comunitários que foram derrubados no tornado ainda dão uma dimensão do poder destrutivo do vento ocorrido há dois anos. Até uma parte das paredes de tijolo foram abaixo quando o telhado foi arrancado. A família de Ivan Zili era uma das 12 sócias do silo da Linha Welter, no interior de Guaraciaba. Eles tinham investido cerca de R$ 5 mil na obra. Além disso perderam 40 sacas de milho que estavam armazenadas no local.


Ivan mostra o que sobrou de um silo do qual era sócio.



Atualmente, a família Zili tem que pagar para um silo particular secar e armazenar a produção. Enquanto isso tentam recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário para reconstruir os armazéns.


Indenização aos criadores


Na semana passada a Assembléia Legislativa aprovou a lei 248/2011, de autoria do deputado Pedro Baldissera, que prevê a indenização dos criadores que perderam animais durante o tornado.


A lei ainda deve ser sancionada pelo Governador Raiumundo Colombo. De acordo com o secretário de Agricultura de Guaraciaba, Jair Henkes, os prejuízos foram de R$ 300 mil somente com a morte dos bovinos.


Ele afirmou que a indenização vai ajudar a recompor a produção das famílias. Henkes disse que alguns produtores não conseguiram reconstruir sua estrutura com o valor da indenização.


Ele citou o exemplo do suinocultor Amélio Barth, que tinha dois chiqueiros com cerca de 200 fêmeas, que atualmente estão abandonados. O agricultor foi trabalhar na cidade. Outro suinocultor, Valdir Fontana, reconstruiu apenas parte dos chiqueiros. O restante ainda está parecido com a cena de dois anos atrás.


Psicóloga afirma que população ainda vai levar anos para superar o medo


O medo da população de Guaraciaba a cada ameaça de chuva ainda vai continuar por um bom tempo, segundo a psicóloga do município, Ceres Fátima Lago. –Ainda vai alguns anos para que o cérebro perceba que é algo normal- explicou.


Ceres lembrou que a experiência que as pessoas passaram foi muito forte e ficou marcado. Por isso tanto uma ameaça de temporal ou a proximidade com a data já mexe com a população. Toda vez que chega próximo de Sete de Setembro os comentários sobre o tornado se tornam um dos assuntos prediletos na cidade.


Para a psicóloga Ceres Fátima Lago o medo da população a cada ameaça de chuva vai continuar ainda por um bom tempo.



–São resquícios que ficam na memória- afirmou Ceres.


Ela lembrou que logo após o tornado a cada chuva lotava de gente buscando atendimento psicológico. Na época foram feitos 28 grupos com o auxílio de psicólogos voluntários da região e até de outros estados. Em 2010 foi contratada uma psicóloga especificamente para trabalhar pessoas ainda sob efeito do fenômeno.


Atualmente o serviço oferecido pelo município foi encerrado. Mas é visível que as pessoas ainda se emocionam e choram quando começam a lembrar daquela noite.


Para Ceres, é até normal que isso aconteça. Para ela, nada melhor que o tempo para cicatrizar também essa ferida.




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07 set11:25

Vizinho achou que era pneu estourando até ouvir os gritos

Um morador que mora a cerca de 50 metros da BR 163 foi acordado com o barulho do acidente entre o ônibus e um caminhão.



O agricultor Lauro Wolfart foi acordado com o barulho do acidente.



–Pensei que tinha estourado um pneu- afirmou o agricultor Lauro Wolfart. Mas, em seguida, percebeu que era um acidente.


–Ouvi os gritos e daí saí para ver o que era-afirmou.


Daí ligou para vizinhos e bombeiros para avisar. Ele pegou a lanterna e, quando chegou perto do ônibus, viu uma mulher com as pernas machucadas que pedia ajuda. Ele conseguiu encostar a cabeça dela numa sacola e pôs um cobertor pois ela sentia frito. A cena era forte.


–Eram muitos gritos e pessoas sangrando- disse.


Wolfart procurou acalmar os sobreviventes até a chegada dos bombeiros.


>> Divulgados nomes de passageiros envolvidos no acidente da BR 163



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07 set10:46

PRF atribui acidente a falta de visibilidade

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br


A falta de visibilidade foi o principal fator do acidente entre um ônibus interestadual e um caminhão de leite, ocorrido à 1h40 da manhã, no quilômetro 96 da BR 163. A avaliação é da Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com o chefe da delegacia da PRF em Chapecó, Ivo Silveira, chovia e havia neblina no horário do acidente.


- É um local de ultrapassagem permitida mas havia pouca visibilidade- disse Silveira.


A avaliação preliminar é de que o ônibus foi tentar ultrapassar um caminhão de leite que ia no mesmo sentido, São José do Cedro/Guaraciaba, e acabou colidindo frontalmente contra um caminhão Cargo, também de transporte de leite, que vinha em sentido contrário. O ônibus ainda tentou jogar para o acostamento mas os dois veículos colidiram na parte frontal direita. O ônibus desceu um barranco.


O trânsito está parcialmente interrompido desde a madrugada. Há um desvio alternado por uma estrada de chão na linha Santo Antônio, interior de São José do Cedro. Mas os caminhões que trafegam no sentido Dionísio Cerqueira/São Miguel do Oeste, não conseguem passar, pois não conseguem transpor uma subida do desvio. Há filas de mais de três quilômetros nesse sentido. Os guinchos estão no local mas está difícil retirar o ônibus. A previsão da PRF é que o tráfego seja liberado a partir das 11 horas.


Pacientes de São José do Cedro já foram liberados


Os feridos do acidente em São José do Cedro, que foram atendidos no hospital da cidade, já foram liberados. Dos 19 atendidos, quatro tiveram que ser levados para o Hospital Regional de São Miguel do Oeste.


>> Divulgados nomes dos passageiros do acidente BR 163


Os demais foram atendidos e liberados. Eles foram transportados pela empresa e por familiares, segundo informações do hospital


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