Importação

01 mai09:25

Estado briga pelo maior importador de carne suína

Gabrielle Bittelbrun | gabrielle.bittelbrun@diario.com.br

A Ucrânia pretende aumentar a importação de carne brasileira para 20 mil toneladas mensais, 80% suína e 20% bovina, e a preferência é de Santa Catarina, anunciou ontem a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, depois de uma reunião com representantes do setor.

Mas Santa Catarina pode não ter produção suficiente para abastecer o mercado ucraniano e os outros importadores de carne suína, segundo o representante do Sindicarne/SC no encontro, Ronaldo Müller.

A Ucrânia é o segundo maior importador mundial de carne suína e já é o principal comprador de Santa Catarina. E 20 mil toneladas a mais significa quase a metade de tudo que o Estado exportou no primeiro trimestre de 2012.

A Ucrânia comprava o produto pela Rússia, líder mundial de importação de suínos. Com o fechamento do mercado russo, que hoje importa apenas de dois frigoríficos catarinenses (Seara e Pamplona), o governo ucraniano busca novas alternativas, além de reduzir a dependência aos EUA nas importações.

O país do Leste Europeu está em fase de aproximação com o Brasil. O interesse é exportar tecnologia aeroespacial, combustíveis, medicamentos e até instalar uma fábrica de insulina em terras brasileiras.

O representante do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) e da empresa Seara e do Marfrig Group, Ronaldo Müller, destaca que, atualmente, o Estado exporta cerca de 8 mil toneladas de carne suína por mês. Aumentar essa demanda para 16 mil toneladas (80% das 20 mil toneladas) solicitadas pelo mercado ucraniano pode significar comprometer os outros fornecimentos.

— Não adianta exportar só para a Ucrânia. Temos um consumo interno grande, para o restante do país, e exportamos para vários países. Temos outros compromissos — ressaltou.

O Estado também não conseguiria atender, sozinho, os 20% de carne bovina, o equivalente a 4 mil toneladas mensais. A fim de atender às demandas imediatas, os outros dois estados do Sul podem complementar o fornecimento para a Ucrânia. Santa Catarina já tem fábricas habilitadas para fornecer as carnes para a Ucrânia.

Para Müller, o início das importações seria possível nos próximos 30 dias, dependendo apenas de negociações. O país do Leste Europeu tem pressa porque precisa abastecer o estoque para a Eurocopa, evento que sediará em junho, e a próxima reunião com os representantes catarinenses deverá ser feita no final desta semana, em Brasília.


DIÁRIO CATARINENSE



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13 abr11:14

Importação de leite é tema de audiência pública em Pinhalzinho

Acontece em Pinhalzinho nesta sexta-ferira uma audiência pública para discutir o controle da importação de leite e derivados que entram no Brasil a partir do Uruguai e da Argentina.

A iniciativa é do deputado estadual Mauro De Nadal através da Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa e conta com o apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina – Fetaesc.

A audiência será no Salão Paroquial Católico de Pinhalzinho. Conforme explica o deputado, o Uruguai e a Argentina estão colocando leite no mercado brasileiro com preços muito baixos o que dificulta a concorrência do produto nacional.

- O leite é um produto diferenciado por que todo mês faz chegar dinheiro nas nossas pequenas propriedades. Além de fundamental para diminuir o êxodo rural e estimular a sucessão familiar no campo – afirma De Nadal.


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23 fev16:15

Importação excessiva de leite prejudica produtor e indústria em SC

O Brasil está fazendo importações excessivas, predatórias e possivelmente fraudulentas de leite, prejudicando produtores rurais e indústrias. A “farra” da importação maciça de leite em pó de países do Mercosul foi duramente criticada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC).

O presidente da FAESC, José Zeferino Pedrozo, disse que o governo deve investigar o expressivo e suspeito crescimento das importações de lácteos em janeiro deste ano, conforme denunciado ao Ministério da Agricultura pela Câmara Setorial do Leite da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Em janeiro as importações de lácteos dispararam e atingiram 11.753 toneladas de leite em pó (equivalente a 200 milhões de litros de leite), muito acima da média mensal do ano de 2011 que foi de 7.162 toneladas. Somente as importações de leite em pó do Uruguai somaram 6.221 toneladas, volume 67% acima das 3.750 importadas em janeiro do ano passado.

Pedrozo suspeita da triangulação nas vendas por países vizinhos e parceiros do Mercosul. Outros países poderiam estar utilizando o Uruguai como escala para entrar no mercado brasileiro, aproveitando-se da tarifa zero no comércio dentro do Mercosul.

- É uma concorrência predatória, que desestrutura a produção nacional – argumenta o dirigente. O crescimento expressivo na importação ainda não teve pressão sobre os preços internos por causa da redução da captação de leite provocada pela estiagem no sul do país e excesso de chuvas em Minas Gerais.

O presidente da FAESC afirma que não pretende qualquer tipo de proteção ao mercado interno, mas coibir as práticas desleais de comércio, que trazem graves prejuízos aos produtores de leite catarinenses.

Critica a não fixação de cotas de importação e a revogação, ainda em 2010, das licenças de importações não-automáticas do Uruguai, o que facilita a entrada de produtos no Brasil. O dirigente adverte que haverá recuo da produção leiteira e o sucateamento dos laticínios e propriedades rurais, pois em breve os produtores terão que comercializar o leite abaixo dos custos de produção.


Cotas

O presidente da FAESC reivindica a definição de cotas para o Uruguai, como ocorreu com a Argentina, também integrante do Mercosul, e justifica os custos mais elevados do produtor brasileiro: a alta tributação vigente no Brasil prejudica os produtores nacionais, ampliando a desvantagem competitiva em relação ao Uruguai. No Brasil, os pecuaristas de leite pagam 9,25% de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em insumos como ração e sal mineral. Estes itens representam cerca de 40% do custo operacional total da produção.

Esta não é a primeira vez que a Faesc protesta contra o surto de importações de leite em pó proveniente do Uruguai. A Federação alerta que, acrescidas a entrada de produtos lácteos de terceiros mercados, essa importação inviabiliza a competitividade dos produtores de leite brasileiros, que não conseguem concorrer com o volume de subsídios aplicados aos produtores desses países.

O presidente lembra que os demais exportadores considerados competitivos no mercado mundial, a exemplo da Argentina e do Uruguai, adotaram práticas desleais de comércio para continuar exportando seus excedentes.

Em 2009, uma crise semelhante envolveu Brasil e Uruguai. Na ocasião, além de subfaturamento, os parceiros do Mercosul realizavam pagamentos diretos aos seus produtores, ou seja, também subsidiavam a produção. A Faesc e a CNA chegaram a solicitar o cancelamento das importações de leite em pó do Uruguai e de outros países para a redução das distorções do mercado internacional do leite.


Efeitos

O leite é o principal produto de grande parte dos estabelecimentos rurais. Santa Catarina produz 2,2 bilhões de litros/ano gerados por 60.000 estabelecimentos rurais e processados por 23 indústrias de laticínios. O Estado ocupa a sexta posição nacional como maior produtor, concentrando 72% da produção no Oeste, onde a maioria dos produtores é vinculada às cooperativas. As pequenas propriedades (com menos de 50 hectares) respondem por 82% do leite produzido.


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