Ingestão

29 ago09:23

Brasileiros ingerem cada vez menos fibras, alerta especialista

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda à população adulta o consumo de 27 a 40 gramas de fibras por dia, mas os brasileiros não só ingerem menos do que o sugerido, como também estão incluindo nas refeições cada vez mais alimentos industrializados pobres em fibras, alerta o gastroenterologista Vladimir Schraibman, do hospital Albert Einstein, de São Paulo.

— A ingestão média de fibras dos brasileiros é insuficiente. Com o aumento do poder aquisitivo das classes C e D, o consumo de alimentos industrializados pobres em fibras é cada vez maior — diz.

O problema atinge inclusive as criançasdo país, afirma Schraibman, que explica como é feito o cálculo de ingestão de fibras para os pequenos:

— A recomendação da American Health Foundation (Fundação Americana da Saúde) para crianças e adolescentes de 3 a 20 anos é a quantidade correspondente à idade acrescida de 5 a 10 gramas. Por exemplo, uma criança de 10 anos deveria ingerir de 15 a 20 gramas de fibras diariamente.

Segundo ele, além de fornecer nutrientes, as fibras servem como matéria-prima para fermentação de bactérias da flora intestinal, que produzem vitaminas essenciais para o bom funcionamento do organismo e podem evitar doenças do coração, câncer, diabetes e prisão de ventre.

Outra função importante das fibras é que elas regulam o hábito intestinal por meio do aumento do bolo fecal, graças à sua capacidade de reter água associada à fermentação pela flora bacteriana. As fibras beneficiam também os processos de emagrecimento.

— Além de ser um alimento de baixa caloria, as fibras fazem com que estômago demore mais tempo para se esvaziar entre as refeições, causando uma sensação de saciedade precoce e, consequentemente, diminuindo o apetite. Também no intestino, as fibras ligam-se aos sais biliares e, dessa maneira, reduzem a absorção de gorduras — conta o médico.

Mas para ter o efeito correto a ingestão de fibras deve ser acompanhada de consumo de líquidos, pois algumas delas, como as encontradas na maçã, alho, cebola e folhas verdes, só agem no intestino por meio da absorção de água.

— Com pouca oferta de líquidos, as fibras alimentares, principalmente as solúveis, tornam-se ineficientes. Por isso, recomenda-se a ingestão de pelo menos dois litros de água e sucos todo dia.

Substituir o consumo de fibras encontradas nos alimentos naturais por vários suplementos e laxantes à base de fibras não é o ideal, defende Schraibman, que aconselha obtê-las por meio de uma alimentação saudável.

— O consumo de sementes e grãos, assim como chia, amaranto, quinua e linhaça, ajudam a potencializar a concentração de fibras e proteínas no organismo — conclui.


::: Exemplos de mais alimentos ricos em fibras

:: Cereais integrais: aveia,cevada, arroz, pão integral, linhaça e centeio.

:: Frutas: maçã, laranja, abacate e limão.

:: Legumes: batata, beterraba e mandioca.

:: Vegetais: couve, repolho, brócolis e agrião.

:: Grãos: feijão, lentilha, soja, ervilha, milho e grão-de-bico.


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18 jul07:45

Consumo de sódio, que já é alto no país, cresce no inverno

A ingestão de sódio no Brasil, que já é normalmente alta, tende a atingir os mais elevados índices no inverno, quando cresce o consumo de alimentos calóricos e condimentados. Nesses três meses do ano é fundamental, portanto, mais do que em qualquer outra estação, verificar o teor de sódio no rótulo de alimentos industrializados e consumir aqueles que contêm menor quantidade da substância.

O consumo excessivo de sódio provoca hipertensão e aumenta os riscos de a pessoa desenvolver doenças renais. No Brasil, a ingestão média de sal é de 12 gramas por dia, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda cinco gramas. Sem contar que a maior parte do sódio consumido não vem do saleiro de casa.

— No inverno, as pessoas consomem mais alimentos condimentados e calóricos e 75% do sódio que elas ingerem vêm dos alimentos processados e industrializados — afirma Daniel Rinaldi, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), entidade que reúne médicos e outros profissionais da saúde especializados no diagnóstico e tratamento de doenças do sistema urinário, em especial o rim, que tem entre suas funções justamente filtrar e eliminar o excesso de sal do organismo.

Rinaldi conta que o governo federal já assinou um termo de compromisso com as associações que representam os produtores de alimentos processados para estabelecer um plano de redução gradual na quantidade de sódio presente nos alimentos industrializados.

— A meta é uma queda anual de 6,9% no consumo médio de sal — diz Rinaldi, chegando-se a cinco gramas diárias a partir de 2021.

Sódio em excesso é uma das principais causas da insuficência renal, que atinge 10 milhões de brasileiros, embora apenas 30% saibam que têm a doença.

— Geralmente, quando o paciente percebe os sintomas, a doença já está instalada em seus estágios avançados, quando já deve ser encaminhado para diálise ou mesmo transplante — afirma Rinaldi, que recomenda o exame de creatinina, que pode detectar a doença renal em seus estágios iniciais e determinar o início do tratamento.


Confira abaixo três recomendações para reduzir a ingestão de sódio:

1) Leia o rótulo dos alimentos para verificar a quantidade de sódio. Os fabricantes são obrigados a informar, no rótulo do produto industrializado, o teor de sódio no alimento. Alguns alimentos processados concentram tanto sódio que uma única porção tem quantidade superior à recomendada para ingestão diária.

2) Tire o saleiro da mesa. É recomendável salgar os alimentos na panela, durante o preparo, para ter controle da quantidade usada.

3) Substitua o sal por condimentos e ervas. Há uma série de alimentos naturais que acentuam os sabores dos alimentos e podem substituir o sal, como salsinha, alecrim, orégano, pimenta-do-reino, louro, hortelã, páprica e outros.



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