Laudo

17 jul20:32

Corpo de Marcelino é enterrado novamente

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O corpo do vereador Marcelino Chiarello, que foi exumado na quarta-feira passada e levado para São Paulo, foi enterrado novamente ontem à tarde, no cemitério Jardim do Éden, em Chapecó. Amostras do pescoço e do nariz ficaram no Centro de Medicina Legal da Universidade de São Paulo, para exames mais detalhados. Estes exames devem indicar se Marcelino se houve homicídio ou suicídio.

O corpo chegou no aeroporto de Chapecó por volta das 17 horas. Em seguida foi encaminhado para o cemitério, retirado da urna usada no transporte aéreo e colocado no caixão onde ele havia sito enterrado anteriormente. O enterro não teve nenhuma cerimônia religiosa. Demorou menos de uma hora e foi acompanhado apenas pelo advogado da família, representante da família e policiais federais.

Três peritos vieram de São Paulo acompanhando o corpo. De acordo com o delgado da Polícia Federal de Chapecó, Oscar Biffi, resta aguardar os laudos finais do corpo e da nova perícia na casa de Chiarello, que foi realizada na Polícia Federal.

Chiarello foi encontrado morto em sua casa no dia 28 de novembro do ano passado. Ele estava enforcado no quarto de visitas. A causa de sua morte não foi esclarecida. Laudos do Instituto Médico Legal foram contraditórios. Por isso o Ministério Público solicitou que a Polícia Federal fizesse novas perícias.



Comente aqui
16 mar13:16

Caso Marcelino Chiarello

Representantes do Fórum em Defesa da Vida, por Justiça e Democracia, composto por 42 entidades, fazem manifestação nesta sexta-feira, dia 16, a partir das 13h30, em frente ao Fórum de Chapecó.

O ato acontece durante a reunião dos promotores do Ministério Público, que investigam o caso. O Fórum vai entregar um documento com informações sobre as contradições na investigação da morte do vereador Marcelino Chiarello.

>> Junta conclui que Marcelino morreu por enforcamento

O vereador foi encontrado morto em casa na manhã do dia 22 de novembro de 2011. Peritos que impressionaram o Brasil ao desvendar o assassinato da menina Isabela Nardoni, em SP, devem analisar os laudos do caso.


3 comentários
09 mar17:15

Junta conclui que Marcelino morreu por enforcamento

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A junta médica do Instituto Geral de Perícias que analisou os laudos e pareceres da morte do vereador Marcelino Chiarello concluiu que ele morreu por enforcamento. O delegado responsável pelo inquérito, Ronaldo Neckel Moretto, recebeu hoje à tarde o parecer.

Mesmo assim ele não vai concluir o inquérito nem por tese de suicídio, nem por homicídio. – Não vamos emitir juízo de valor por não queremos prejudicar o trabalho do Ministério Público – afirmou Moretto. O Ministério Público já instaurou um procedimento para dar sequência nas investigações.

Moretto afirmou que o parecer dos três médicos peritos do IGP coloca que a causa mais provável do enforcamento é suicídio, mas não exclui completamente o homicídio pois há casos na literatura médica de enforcamento por homicídio.

Ele afirmou que o parecer é contrário a muitos aspectos do primeiro laudo emitido pelo médico legista Antonio de Marco. O parecer exclui a possibilidade de estrangulamento e conclui que a mancha no olho do vereador não foi causada por um soco ou batida e sim por decorrência de um processo natural de pressão sanguínea decorrente do enforcamento. Também indica que a batida na cabeça pode ter ocorrido pelo vereador ter se debatido. Na questão da lesão do nariz não há indicativo de fratura, segundo o parecer do IGP.

Quando a um segundo sulco no pescoço do vereador a conclusão é de que ele teria ocorrido no transporte do corpo até o Instituto Médico Legal.

>> Parecer do IGP é encaminhado para delegado.

>> Polícia não tem suspeito do caso Chiarello.

Moretto lembrou ainda que exames de DNA na fita utilizada para enforcamento e nas manchas de sangue são todas compatíveis com o DNA da vítima. Além disso não foi encontrado sinal de luta no quarto da casa onde ele foi encontrado, nem de arrombamento da casa. Imagens de câmeras de vigilância indicam que ele foi sozinho da escola Pedro Maciel, onde deu aula na manhã de sua morte, até em casa. Duas testemunhas afirmam ter visto o vereador entrar sozinho em casa.

Exames toxicológicos não encontraram nenhum indício de droga ou álcool que poderia ter sido utilizado para sedar o vereador. Moretto afirmou que na segunda-feira vai encaminhar o inquérito para o Ministério Público dar sequência ao trabalho.


6 comentários
07 mar11:16

Caso Marcelinho Chiarello

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Foi encaminhado no final da tarde de ontem, via malote, o parecer da junta médica do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Florianópolis sobre as contradições nos laudos sobre a morte do vereador Marcelino Chiarello.

O documento deve chegar hoje no Insituto Geral de Perícias de Chapecó e, em seguida, encaminhado para o delegado responsável pela investigação, Ronaldo Neckel Moretto.


>> Polícia não tem suspeito do caso Chiarello


Ele deve receber o material entre hoje e amanhã. O diretor do IGP, Rodrigo Tasso, disse que o resultado do parecer deve ser divulgado pelo delegado, que foi quem solicitou uma nova avaliação.

O motivo é que há informações divergentes sobre o enforcamento, a lesão no nariz e outra mancha no olho do vereador. O IGP deve marcar uma coletiva para os próximos dias para detalhar os laudos e explicar as contradições.


1 comentário
06 mar08:33

Polícia não tem suspeito do caso Chiarello

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Após 98 dias de investigação a Polícia Civil de Chapecó não encontrou nenhum suspeito da morte do vereador Marcelino Chiarello e, apesar da maioria dos laudos e pareceres do Instituto Geral de Perícias apontarem para um provável suicídio, o delegado Ronaldo Neckel Moretto não fecha a questão.

Moretto disse que restam ainda algumas dúvidas. Ele relatou que o médico Antonio de Marco, que apontou inicialmente a causa da morte como sendo em virtude de asfixia mecânica e traumatismo crânio encefálico, fez depois um laudo pericial indentificando apenas traumatismo craniano como, tendo como causa da morte a asfixia, por estrangulamento e enforcamento.

>> Laudos diferentes sobre caso Chiarello geram desconforto

>> Laudo e investigações reforçam tese de suicídio no caso Marcelino Chiarello

Essa é uma das dúvidas que persiste. –Isso para nós é crucial- afirmou. Outra dúvida é se a mancha no olho foi causada por pancada ou resultado do esforço em caso de enforcamento. A terceira dúvida é se a fratura do nariz era antiga ou recente. Ele aguarda um parecer da junta médica formada pelo Instituto Geral de Perícias que iria analisar os laudos. Essa junta deve concluir o trabalho hoje.

Moretto afirmou que falta só isso para encaminhar o inquérito para o Ministério Público, que vai dar sequência na investigação. Cerca de 10 suspeitos foram investigados e o inquérito já tem mais de 800 laudas. Ele afirmou que há certeza absoluta de que Chiarello foi sozinho da escola até sua casa, onde entrou sozinho, segundo duas testemunhas. Lá encontrou o filho que estava sozinho e mandou ele para a casa da avó. O menino disse que ouviu o pai falar sozinho a palavra polícia mas não que tivesse pedido para chamar a polícia.

Moretto disse que não houve nenhuma ameaça comprovada contra o vereador. Citou que ele ligou às 7h10 para seu assessor, que foi na escola buscar um cheque. Ele recebeu três chamadas enquanto estava na escola, mas não atendeu. As operadoras de telefone não registraram nenhuma chamada no momento. Moretto disse que o aparelho foi encaminhado para o IGP no dia 6 de dezembro e o instituto não periciou a tempo, pois o aparelho tinha configuração que apagava as informações após 30 dias. O diretor do IGP, Rodrigo Tasso, foi procurado ontem para falar sobre o laudo da junta médica e disse que iria se pronunciar hoje.



10 comentários
29 fev09:10

Laudo e investigações reforçam tese de suicídio no caso Marcelino Chiarello

Diogo Vargas | diogo.vargas@diario.com.br

Inexistência de vestígios na casa, móveis arrumados e falta de lesões no corpo que indicassem gesto de defesa são os principais pontos que levam a Polícia Civil a acreditar que não houve assassinato na morte do vereador Marcelino Chiarello, de Chapecó.

Essa conclusão ocorreu a partir de um laudo assinado por quatro peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Chapecó, os quais indicaram que a causa mais provável da morte foi suicídio. Mas esse indício também ficou reforçado a partir de depoimentos e da apuração dos policiais locais no inquérito durante a investigação.

Mas o que causa divergência no caso é a existência de um outro laudo, assinado pelo médico legista Antonio José de Marco, de Chapecó, que indicou ter havido homicídio. Esse é o laudo da necropsia e foi o primeiro a ser entregue à polícia. O médico examinou o corpo do vereador e concluiu que a morte foi por traumatismo craniano. Ele afirma, ainda, que houve ação de terceiros para provocar a morte.


>> Polícia tem mais 15 dias de prazo e é alvo de protesto

>> Delegado responsável pelo caso aguarda publicação da suspensão do sigilo

>> O vereador Marcelino Chiarello foi encontrado morto em sua residência no dia 28 de novembro de 2011


O que torna ainda mais intrigante o caso é o fato de haver um parecer anexado ao inquérito que sugere que as características das lesões indicam suicídio. O autor do parecer é o gerente técnico do IML em Florianópolis, o médico legista Zulmar Coutinho, que também é professor de medicina legal da Universidade Federal de SC (UFSC) _ o seu entendimento saiu a partir de análise das fotos feitas do corpo.

Já o laudo dos peritos, que estiveram na casa de Chiarello, onde o corpo foi encontrado, revela que não havia nenhum vestígio de arrombamento ou gota de sangue pela casa. Os peritos chegaram a usar luminol, produto que revela os vestígios ocultos a partir de reação química.

O corpo estava pendurado com a alça do notebook numa grade da janela do quarto de visitas. Havia sangue na grade, onde ele teria se debatido antes de morrer por enforcamento, e no chão.

Os policiais têm outras conclusões também que reforçam o suicídio. Uma delas é de que o filho teria dito que o pai estava trancado sozinho no quarto. A polícia pensa também que, se tivesse havido execução, os autores deixariam evidências como da arma do crime e da própria presença pela moradia _ era de manhã e ninguém viu nada de estranho ou pessoas suspeitas pela região.

Consta no inquérito, ainda, que o vereador afirmou a uma pessoa chamada Rita, em reunião do PT no dia 26 de novembro, que o seu destino seria decidido nos próximos dias. Há outras afirmações de Chiarello a políticos dias antes da morte de que ele renunciaria ao mandato. Colegas da escola e do partido disseram ao DC que Chiarello estava pressionado em casa para abandonar a política.


DIÁRIO CATARINENSE



3 comentários
28 fev21:42

Caso Chiarello: Polícia tem mais 15 dias de prazo e é alvo de protesto

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

No mesmo dia em que a morte do vereador Marcelino Chiarello (PT) completou três meses a Polícia Civil recebeu o inquérito de volta da Justiça, ganhou um prazo de mais 15 dias para conclusão e foi alvo de um protesto público.

Cerca de 50 pessoas participaram de um ato em frente à Delegacia Regional de Chapecó, munidas de faixas cobrando o esclarecimento do caso. –É um protesto porque a Polícia Civil não cumpriu seu papel- disse a vereadora Angela Vitória (PT). Ela disse que está perdendo a confiança na investigação, pois no início os delegados afirmavam que se tratava de homicídio e as últimas informações dão conta da tese de suicídio.

>> Delegado responsável pelo caso aguarda publicação da suspensão do sigilo.

Deise Paludo, uma das coordenadoras do Fórum em Defesa da Vida, por Justiça e Democracia, lamentou que o laudo feito pelo perito Antonio De Marco, que apontava homicídio, está sendo questionado. Ela afirmou que um documento foi encaminhado para o delegado responsável pelo caso, Ronaldo Neckel Moretto, questionando o que considera uma mudança de rumo da investigação, falta de respostas convincentes e sonegação de informações para a sociedade.

A professora Vanda Casagrande, que teoricamente foi a última pessoa a falar com Chiarello, não aceita a possibilidade de suicídio. –Ele tinha projetos para a hora seguinte, para o dia seguinte e para a semana seguinte- afirmou. Chiarello teria dito para Vanda que iria aumentar a carga horária na escola Pedro Maciel, onde ambos trabalhavam.

O delegado Ronaldo Neckel Moretto pegou de volta ontem o inquérito de 650 páginas que estava no Fórum de Chapecó. Ele tem mais 15 dias de prazo para a conclusão dos trabalhos. Apesar da quebra do segredo de justiça no processo, ele não repassou muitas informações. Disse que há dois laudos, um apontando para o homicídio e outro apontando para o suicídio. Complementou dizendo que as provas técnicas do Instituto Geral de Perícias não indicam homicídio.

Por isso ele solicitou uma junta médica do IGP, para analisar as “incongruências” entre os laudos. A Polícia Civil não identificou nenhum suspeito de crime e também não houve nenhuma prisão. Moretto afirmou que o trabalho da polícia é técnico e não se pauta por pressão política ou institucional. Uma coletiva de imprensa deve ser convocada nos próximos dias. Mas é pouco provável que o inquérito tenha um final conclusivo.

Tanto que o Ministério Público já está sendo acionado. Na noite de segunda-feira lideranças do Partido dos Trabalhadores e amigos de Chiarello tiveram uma reunião com promotores de Chapecó para tratar do caso.

De acordo com o promotor Fabiano Baldissarelli o Ministério Público tem interesse de ver o caso esclarecido e vai dar sequência nas investigações. O órgão pode solicitar novas investigações para a Polícia, novas informações para o Instituto Geral de Perícias, solicitar apoio do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado. Lideranças do PT o advogado da família de Chiarello, Sérgio Martins de Quadros, trabalham para tentar federalizar as investigações.


Comente aqui
28 fev10:39

Caso Marcelino Chiarello

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O delegado Ronaldo Neckel Moretto aguarda apenas a comunicação oficial da suspensão do sigilo do inquérito que investiga a morte do vereador Marcelino Chiarello para convocar uma coletiva de imprensa. A decisão do juiz da primeira vara criminal, Jefferson Zanini, foi tomada ainda na semana passada e encaminhada para o Ministério Público. Ontem os promotores da Comarca de Chapecó realizaram uma reunião.


Três meses da morte

O Fórum em Defesa da Vida, por Justiça e Cidadania programou um ato para às 16 horas de hoje em frente à Delegacia Regional de Chapecó.

O vereador Marcelino Chiarello foi encontrado morto em sua residência no dia 28 de novembro de 2011.

>> Advogado da família de Marcelino Chiarello fala sobre a morte do vereador

>> Três meses depois, continua mistério sobre a morte de Marcelino Chiarello


1 comentário
25 fev19:10

Três meses depois, continua mistério sobre a morte de Marcelino Chiarello

Diogo Vargas | diogo.vargas@diario.com.br

O Ministério Público (MP) vai continuar a investigação da morte do vereador e professor Marcelino Chiarello, 42 anos, de Chapecó. O anúncio foi dado ao DC na sexta-feira à tarde pelo promotor Fernando Guilherme de Brito.

Ele e colegas da cidade não estão convencidos nem de que houve suicídio nem de que houve assassinato. O grupo de promotores pretende esclarecer os pontos que mantém o mistério sobre o trágico fim do político do Partido dos Trabalhadores (PT) que ainda comove o Oeste catarinense e que o DC relata nesta reportagem.

Na próxima terça-feira (28), a morte completará três meses sem que a polícia conseguisse apontar o que realmente ocorreu na manhã do dia 28 de novembro, quando o corpo de Chiarello foi encontrado pendurado na grade da janela do quarto de visitas da sua casa, no bairro Santo Antônio.

As primeiras informações assim que a morte foi descoberta eram de suicídio. Afinal, a cena do crime indicava isso. Em seguida, delegados da Polícia Civil vieram a público afirmar que tratava-se de homicídio. Agora, três meses depois, a polícia mais uma vez dá a entender que concluiu ter havido suicídio. Oficialmente, os policiais ainda não apresentaram publicamente essa condição com a alegação de que o inquérito está em segredo de Justiça.

>> Comissão de médicos legistas devem avaliar o laudo médico

O fato é que a população não sabe o que realmente aconteceu com o vereador conhecido por denunciar irregularidades e suspeitas de corrupção em Chapecó. Essas respostas também não foram respondidas pela Polícia Civil local, nem pela cúpula da segurança pública do Estado.

Divergência de laudos, pressão política, desconfiança de manipulações de provas e clamor popular marcam o caso. A figura central que leva a acreditar que Chiarello foi morto está no médico legista do IML de Chapecó, Antonio José De Marco. Ele tem 22 anos de profissão. Os laudos do legista indicam que a morte ocorreu por homicídio. Há na cidade especulação de que De Marco teria sido pressionado a mudar esse laudo.

O DC conversou na quarta e sexta-feira com o médico em sua clínica, no Centro. De Marco recusou-se a dar entrevista. Disse que não quer polemizar. Ele nega que tenha sido pressionado. No inquérito, há informações complementares dele mantendo a tese de assassinato. De Marco afirma no inquérito que a morte foi provocada por ação de terceiros e descarta hipótese de suicídio.

A tese que gerou dúvida e fez policiais suspeitarem que o vereador tirou a própria vida está no laudo da localística feito por peritos que foram ao local onde o corpo foi encontrado. Os peritos não encontraram vestígios de que mais pessoas estiveram ali e de que tenha sido morto.

Esse caminho é reforçado pelo fato de a polícia local não ter avançado na apuração em cima de pessoas suspeitas. Reforçou a linha de suicídio um parecer anexado ao inquérito feito pelo gerente técnico do IML em Florianópolis, o médico legista Zulmar Vieira Coutinho. Ele sugeriu que as características das lesões indicam suicídio. Zulmar é professor de medicina legal da Universidade Federal de SC (UFSC).

Na última quarta-feira, o delegado Ronaldo Moretto, responsável pelo inquérito, o enviou à Justiça. Não houve indiciamento. O policial pediu mais prazo para concluir questões periciais e se necessário fazer mais diligências.

O delegado disse que vai falar sobre o caso somente após o fim do sigilo no inquérito. Foi o próprio policial quem havia pedido à justiça o sigilo anteriormente para não perturbar a investigação. Até o advogado da família precisou recorrer ao juiz para conseguir acesso às informações.

— Eu pretendo atender a necessidade da comunidade em passar informação e por isso mesmo representei ao Judiciário para que fosse aberto o sigilo do caso. Estou aguardando e pretendo o quanto antes informar — declarou Moretto.

O delegado Moretto é ex-agente da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), onde trabalhou por sete anos. Ele contou com apoio informal na apuração da morte de Chiarello do delegado da Deic, Renato Hendges, policial experiente e que atua nos casos policiais de grande repercussão no Estado.

Renato está convicto que foi suicídio, lembra que existe muita exploração política em cima da morte e acusações negativas contra a polícia que não procedem.

O delegado geral da Polícia Civil em SC, Aldo Pinheiro D’Ávila, disse que o laudo pericial é o referencial em investigação. Segundo ele, desde o início a polícia trabalhou com a chance de homicídio, mas que ao longo dos meses não surgiram indícios de crime. Ele nega que a polícia tenha recebido pressão política.


DIÁRIO CATARINENSE


2 comentários
15 fev07:15

Caso Chiarello: laudos tem conclusões diferentes

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A Polícia Civil de Chapecó pediu nova prorrogação para conclusão do inquérito da morte do vereador Marcelino Chiarello. A Polícia Civil ainda aguarda informações complementares pois os laudos até o momento foram inconclusivos. O laudo do médico legista de Chapecó, Antônio de Marco, apontou como causa da morte traumatismo crânio-encefálico. Já outro laudo elaborado por peritos do Instituto Geral de Perícias de Florianópolis, indica suicídio.

De acordo com o advogado da família do vereador, Sérgio Martins de Quadros, o segundo laudo aponta nesse sentido pois não foram encontradas evidências de luta corporal e outros elementos que indicassem o homicídio. A tese é que o vereador teria se apoiado na cama para se enforcar.

-Esse laudo foi arranjado- acusou, atribuindo a influência de interesses políticos. –Da forma que está o inquérito será arquivado- avaliou.

Martins de Quadros disse que o primeiro laudo tem evidências de descartam o suicídio, como o sangue que escorreu na horizontal.

- Ele teria que ter se enforcado no chão e depois se pendurado- argumentou.

Ele acredita que o vereador foi morto, amarrado no chão e depois pendurado, pois havia dois sulcos no pescoço do vereador, a fita era menor que a circunferência do pescoço e o nó era firme.

– O nó foi feito por profissionais e o crime tem técnicas militares- avaliou o advogado.

Ele cogita que especialistas atuaram na morte de Chiarello. Ele afirmou que o vereador não tinha motivo para cometer suicídio e, na sexta-feira anterior ao crime, ocorrido numa segunda-feira, tinha conversado com Chiarello sobre novas denúncias de uso da máquina pública em favor pessoal, suspeita de fraude nas planilhas de transporte coletivo e o encaminhamento de um pedido de impeachmeant contra o vereador Dalmir Pelicioli (PSD), alvo de denúncias de improbidade administrativa que resultaram no seu afastamento do cargo de superintende da Prefeitura no bairro Efapi.

O presidente estadual do PT, José Fritsch, também contesta a tese de suicídio.

–O que vale é o primeiro laudo o resto é manipulação- declarou. Fritsch disse que há indícios de homicídio como lesão na cabeça e no nariz e sangue nas costas do vereador.

Fritsch reclamou do segredo de justiça no inquérito. –É uma vergonha, não pode ter segredo de justiça num caso deses- afirmou. O PT deve pedir que um promotor de justiça acompanhe o caso.


>> Ausência de ligações no celular  será argumento para federalização


Diretor do IML diz que laudo é técnico e IGP é isento de política

O Diretor do Instituto Geral de Perícias José Maurício da Costa Ortiga rebateu que o advogado da família de Chiarello está sendo pago para contestar as informações. –Ele diz o que quer mas a verdade é uma só- declarou. Ele destacou que a elaboração do laudo leva em conta os fatos, pois foram realizados exames de DNA, e todo o trabalho foi técnico. –O IGP é isento de política- afirmou. Ele não vê problema que o primeiro laudo apontou indícios de homicídio e a avaliação de outros peritos tenha sido por suicídio.

- Já pensou se todo mundo torcesse pro Flamengo- comparou.

O diretor do IML só aguarda a liberação do segredo de justiça para fornecer as informações. O delegado que preside o inquérito, Ronaldo Neckel Moretto, já solicitou a quebra do sigilo para a justiça.

Ortiga não disse abertamente que o laudo aponta para suicídio mas chegou a declarar “que todo mundo já sabe” e que o delegado Geral Aldo Pinheiro D’Ávila já teria dado declarações nesse sentido.

Ávila negou que tenha confirmado que o laudo do IGP tenha concluído pelo suicídio.

– Não disse que foi homicídio nem suicídio pois não vi esse segundo laudo- afirmou.

O delegado geral afirmou que isso será apontado pelos delegados responsáveis pelo caso. –Os laudos mais a investigação é que vão definir- explicou. Ele também rebateu as críticas do PT e do advogado da família afirmando que o inquérito policial é neutro.


Linha do tempo

25 de novembro: Marcelino liga para o suplente Euclides Silva dizendo que vai renunciar ao mandato.


26 de novembro: Marcelino vai na casa do deputado federal Pedro Uczai, diz que vai renunciar e afirma que está sendo ameaçado.


27 de novembro: Marcelino passa o final da tarde e o início da noite na área da casa, com a mulher e o filho.


28 de novembro: Vereador dá apenas três aulas na escola Pedro Maciel, vai para casa e é encontrado morto no final da manhã. Tese inicial é de suicídio mas polícia afirma que é homicídio.


29 de novembro: Vereador é enterrado no cemitério Jardim do Éden, centenas de pessoas prestam homenagem.


30 de novembro: advogado criminalista Luiz Eduardo Greenhalgh vai a Chapecó para acompanhar o caso. Vereador Dalmir Pelicioli (PSD), afastado da superintendência da Efapi por denúncias que teriam Chiarello como um dos autores, dá coletiva dizendo que não tem nada a ver com o crime. Alunos da Escola Pedro Maciel colam cartazes em homenagem ao professor.


1 de dezembro: Greenhalgh tem encontro com autoridades de Segurança Pública em Florianópolis. Polícia diz que crime está ligado á vida pública do vereador.


2 de dezembro: Perícia complementar é realizada na casa do vereador


3 de dezembro: Diretório do PT dá coletiva onde anuncia ação contra o Estado por vazamento de fotos do vereador. PM apreende computadores que teriam vazado as fotos.


5 de dezembro: Ato público por Justiça e Cidadania reúne entre duas e três mil pessoas.


6 de dezembro: MP anuncia que já tem roteiro do vereador entre a escola e sua casa.


19 de dezembro: Entidades fazem vigília em frente à Delegacia Regional de Polícia pedindo agilidade no caso.


28 de dezembro: Celebração em frente à Catedral Santo Antônio lembra um mês da morte do vereador.


3 a 13 de janeiro: Vigília no Salão Paroquial da Comunidade Santo Antônio, com celebrações todas as noites.


9 de janeiro: Polícia Civil pede prorrogação para conclusão do inquérito.


19 de janeiro: Delegado Ronaldo Neckel Moretto afirma que não pode passar informações pois o inquérito está sob segredo de justiça.


20 de janeiro: Lideranças do PT e o advogado criminalista Luiz Eduardo Greenhalgh realizam audiência com o secretário de Segurança Pública e Defesa do Cidadão César Grubba pedindo empenho no caso e conclusão dos laudos.


27 de janeiro: Diário Catarinense tem acesso ao laudo do médico legista Antonio De Marco onde as causas da morte são apontadas como traumatismo crânio-encefálico e asfixia mecânica. Delegado de Chapecó, José Augusto Brandão, informa que polícia vai pedir nova avaliação do exame cadavérico pois considera o laudo inconclusivo.


3 de fevereiro: Caminhada na Avenida Getúlio Vargas e ato ecumênico na Praça Coronel Bertaso pede esclarecimento do caso Chiarello.


9 de fevereiro: Polícia Civil solicita nova prorrogação do inquérito.


10 de fevereiro: Deputados Pedro Uczai , Luciane Carminatti e Dirceu Dresch realizam audiência com o Procurador Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, para solicitar a federalização das investigações do caso Chiarello.



2 comentários