Marcelino Ramos

23 jul13:29

Tubarão é pescado no rio Uruguai

Marielise Ferreira | marielise.ferreira@zerohora.com.br

Uma história que tem tudo para ser conto de pescador está assombrando a população de Marcelino Ramos, no norte do Estado. Um filhote de tubarão que teria sido pescado nas águas do rio Uruguai, já foi identificado como espécie marinha e intriga especialistas.

Pescador há mais de 30 anos, Adão Krug, 42 anos, conta que pescava no lago formado pela Usina Hidrelétrica Itá, no rio Uruguai, quando teve a rede rasgada por dois peixes grandes, com largas barbatanas. Ao recolher a rede, os peixes maiores haviam fugido, mas envolta na malha estava um filhote, já sem vida. Com 33 centímetros, o formato do peixe chamou a atenção. Acostumado a pescar jundiás e traíras, Krug, que jamais esteve no litoral do Estado, nunca tinha visto peixe parecido.

— Limpei ele e coloquei no freezer, então pensei em levar pro pessoal do Ibama dar uma olhada — conta.

Em Marcelino Ramos, o peixe rodou de mão em mão e acabou no freezer de outro pescador, Osvaldir de Souza, 59 anos, o Carioca, que se encarregou de mostrar o peixe a especialistas. Logo a casa dele virou ponto de visitas para pessoas do bairro e curiosos, loucos para ver o tubarão. O vizinho Paulo Dávila, 43 anos, engrossou o caldo da história, lembrando que nunca teve tanta rede furada.

— Tem pescador colocando a rede fora, de tão estragada, furada por estes bichos — conta Dávila.

— E as palometas que tinha aos montes, desapareceram, pra mim alguém soltou tubarão no lago para comer as piranhas — acrescenta o aposentado Miguel Pereira, 52 anos.

Como quem conta um ponto aumenta um ponto, Souza, conhecido como Carioca pelos amigos, assumiu ele próprio haver pescado o filhote de tubarão. Mas segundo ele o bicho estava vivo, se debateu bastante para se livrar e só foi pego na rede porque enroscou os dentes na malha.

— E tem outras pessoas que já viram iguais a estes nadando no rio, mas bem maiores — conta.

História de pescador ou não, o tubarão existe. E do freezer do Carioca, se transformou em fotografias enviadas a vários biólogos e especialistas, que concordam na identificação do peixe como o tubarão da espécie Rhizoprionodon lalandii, conhecido popularmente como tubarão frango.

Natural da costa leste da América do Sul, ele habita águas costeiras rasas, de fundo arenoso ou lodoso e é encontrado desde o Panamá até o litoral catarinense e gaúcho. A espécie se alimenta de peixes como anchovas e sardinhas, ou camarões e lulas e atinge até 77 cm de comprimento, sem oferecer risco ao homem, já que não é espécie violenta.

Mas o que mais intriga os pesquisadores, é como o tubarão marinho veio parar no rio Uruguai.

— Esta espécie não sobrevive por mais de uma hora em água doce, e mesmo que pensássemos na hipótese da migração, ele teria que entrar pelo Rio do Prata, vencer o salto do Yucumã e todas as barragens instaladas no Rio Uruguai — conta o biólogo Jorge Marinho, do museu da Universidade Regional Integrada em Erechim.

Depois de visitar as áreas em que os pescadores afirmam ter visto tubarões, Marinho levou o espécime pescado e pretende realizar exame de DNA. Mas desde cedo tranquiliza a população e turistas de que, mesmo que alguém tenha soltado no rio mais peixes da mesma espécie, eles não sobrevivem na água doce e portanto não oferecem qualquer risco.


ZERO HORA



2 comentários
26 ago18:33

Governo apresenta proposta para agricultores

Nova linha de crédito foi anunciada após a audiência em Brasília.

O governo apresentou uma nova linha de crédito agrícola para amenizar o problema do endividamento, no valor de R$ 20 mil por agricultor, a juros de 2% ao ano, com o prazo de sete anos para pagar. O recurso será destinado a liquidar o passivo, isto é, um refinanciamento para a regularização dos contratos já vencidos. Para quem tem as parcelas em dia, mas encontra dificuldade de pagamento e apresentou a declaração de incapacidade de pagamento confirme orientado nos sindicatos, poderá fazer o refinanciamento desta nova linha de crédito, que possibilita a redução de até 50% nos juros cobrados anteriormente.

Segundo Celso Ludwig, a Fetraf-Sul/CUT vai continuar lutando para que a reivindicação do bônus de adimplência de 12 mil reais seja atendida. A proposta de anistia do “Crédito Emergencial” não foi atendida, mas estaria inclusa na conta do rebate.

- Não abrimos mão do bônus. O governo reconheceu que existe o problema, a proposta não é ruim, mas pra resolver o é necessário o bônus –  explica Celso.

Na próxima segunda-feira, 29, a direção da Fetraf-Sul estará reunida em Chapecó para discutir a nova proposta do governo, e em seguida realizará o debate com as demais entidades da agricultura familiar para chegar a uma proposta conjunta.

Mobilizados

Nas mobilizações cerca de 2 mil agricultores familiares estiveram reunidos em Concórdia, SC, na ponte que dá acesso a Marcelino Ramos, RS. O trânsito ficou fechado até às 17horas. Em Três Passos,RS, 300 agricultores passaram o dia em frente à agência do Banco do Brasil. Agricultores de São Lourenço do Sul, RS, também estiveram mobilizados.

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26 ago14:30

Bloqueado acesso entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Juliano Zanotelli | juliano.zanotelli@rbsonline.com.br

Cerca de mil agricultores estão no local. O trânsito será liberado depois do resultado da audiência em Brasília.

Na manhã desta sexta-feira os manifestantes trancaram novamente a ponte do Rio Uruguai, na BR 153, entre os municípios de Concórdia e Marcelino Ramos. Às 15 horas está marcada uma audiência em Brasília com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério da Fazenda. De acordo com Celso Ludwig, coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), se não houver avanço nas negociações o trânsito poderá ser interrompido novamente na semana que vem.

Participam do ato integrantes da Fetraf-Sul e da Via Campesina. De acordo com o coordenador estadual da Fetraf-Sul, Alexandre Bergamin, os movimentos do campo tem uma pauta unificada, que é a renegociação das dívidas agrícolas que perduram há mais de uma década.

A agência do Banco do Brasil de Três Passos no Rio Grande do Sul, também está fechada.

Reivindicação

Eles reivindicamde uma anistia de R$ 12 mil nas dívidas dos produtores. Segundo Bergamin, os agricultores estão utilizando pegando novos financiamentos para pagar os antigos e não conseguem quitar os débitos.

Os agricultores querem um auxílio similar aos concedidos para montadores de automóveis e outros setores, que tem isenções de impostos em tempos de crise. Bergamin informou que as dívidas dos pequenos agricultores somam R$ 30 bilhões e os pedidos de isenção seriam de R$ 1 bilhão. São 500 mil contratos com pendências em todo o país, sendo 8 mil em Santa Catarina, o que representa 6,5% do total no estado.

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