Olhos

02 out08:53

Olhos vermelhos podem indicar hipertensão

Um dos muitos sintomas da pressão alta pode ser facilmente identificado estando cara a cara com o paciente: os olhos vermelhos.

Dados da Mayo Clinic revelam que em 90% dos casos trata-se de hipertensão primária, quando não há causa identificável. Já os 10% restantes estão relacionados a algum outro problema de base, como falência dos rins e tumores, ou ainda a medicações como a pílula anticoncepcional e os antigripais.

De acordo com o doutor Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, quando a vermelhidão nos olhos é persistente, vale a pena consultar um oftalmologista para descartar outros problemas relevantes.

“Principalmente se o sintoma for acompanhado de perda de visão, dor de cabeça intensa, sensibilidade exagerada à luz, dificuldade de manter os olhos abertos, ou ainda de uma secreção purulenta, é preciso fazer uma avaliação criteriosa para descartar conjuntivite, reações alérgicas ou infecções”, diz o médico.

Como os vasos sanguíneos dos olhos são relativamente mais finos, Neves diz que, em caso de hipertensão, eles respondem ao aumento de pressão sanguínea inicialmente inchando e, inclusive, rompendo – provocando hemorragia ocular.

“O sangue costuma se espalhar e ficar mais visível na parte branca e aquosa dos olhos. É preciso ressaltar que, inicialmente, não há razão para alarde. Os olhos podem estar vermelhos simplesmente devido a um período de noites mal dormidas. Caso o quadro persista e seja acompanhado de alguns dos sintomas descritos, daí sim é importante procurar um médico oftalmologista e controlar a pressão arterial – ciente de que o padrão da pressão normal é 12×8”.

HORA DE SANTA CATARINA



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13 ago15:44

Hospital de Olhos realiza primeiro transplante de córnea com laser Fenton em SC

Zenaide Lurdes dos Santos, 54 anos, foi a primeira paciente a receber um transplante de córnea com a tecnologia do laser Fenton em Chapecó. Ela descobriu que tinha visão fraca em 2006, quando lhe foi dado o diagnóstico de Ceratocone.

O equipamento adquirido pelo Hospital de Olhos e Clínica de Olhos Dr. Bonfante foi o oitavo a ser implantado em clínicas do Brasil. Em todo o País são apenas 17. O procedimento que foi realizado pela primeira vez em Chapecó foi feito pelo oftalmologista Fernando Bonfante. No Sul do País a técnica aconteceu apenas em Curitiba. Dona Zenaide irá recuperar, em cerca de três meses, 90% da visão.

Segundo Bonfante, o procedimento é extremamente seguro e leva cerca de meia hora.

- O laser pega a córnea doadora e a prepara com o encaixe exato para o olho do paciente receptor. É feito um corte preciso nas duas córneas. O procedimento é menos invasivo, não há rompimento ou impacto forte no tecido da córnea como nos procedimentos antigos – explicou o oftalmologista.

O procedimento foi acompanhado por dois profissionais estrangeiros que vieram à Chapecó dar o treinamento aos quatro médicos que integram a Clínica de Olhos Dr. Delso Bonfante. Um deles, o alemão Enrico J. Nitschke, gerente de negócios da Mediphacos Ophthalmic Professionals, ressalta que é admirável que Chapecó já possua esta tecnologia recente e inovadora.

Ele ressalta que é um ganho para a sociedade, pois além de recuperar aproximadamente 90% da visão, o procedimento feito com o laser permite que o paciente volte ao trabalho a partir do 3º mês, sendo que no método anterior levaria de um a dois anos.

- Com este procedimento anterior 100% dos pacientes teria que continuar usando óculos, com visão ruim, mesmo após a cirurgia. O Fenton possibilita além de uma visão melhor, a possibilidade de o paciente abandonar o uso de óculos – ressaltou Nitchke.


Ceratocone

É uma doença que faz com que a córnea se torne progressivamente mais torta e, em alguns casos, mais fina, causando piora da visão, sempre bilateral. Pode causar distorção substancial da visão, com múltiplas imagens, raios e sensibilidade à luz. Se trata da distrofia mais comum da córnea, afetando uma pessoa a cada mil. Ocorre em populações em todo o mundo, entretanto, alguns grupos étnicos apresentam prevalência maior.

Estão mais sujeitas a terem Ceratocone pessoas com história familiar de Ceratocone, pessoas alérgicas e jovens.

- Pelo menos 80% dos pacientes com Ceratocone tem alergia e 10% necessitam de transplante de córnea – disse Bonfante.

A doença surge no início da adolescência causando visão cada vez mais embaçada. Os óculos acabam por não auxiliar mais e, se não forem realizados procedimentos que parem a evolução da doença – como o chamado crosslinking de córnea –, ela progride até os 35-37 anos.


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27 mai10:31

Ceratocone, doença degenerativa, pode levar à cegueira

Quando Jefferson Martins Matos, 21 anos, identificou a gradual perda da visão, em 2006, tudo indicava que não passaria de simples miopia e astigmatismo. As imagens cada vez mais embaçadas e as fortes dores de cabeça, entretanto, levaram à desconfiança de uma doença rara na córnea do olho esquerdo de Jefferson, o ceratocone. Caracterizado pela distensão da córnea e pelo afinamento progressivo, o ceratocone é uma doença degenerativa e hereditária, que acomete menos de 0,5 % da populaçãol. Afeta homens e mulheres em igual proporção e, em 90% dos casos, em ambos os olhos.

Em geral, a doença se desenvolve assimetricamente: o diagnóstico do problema no segundo olho ocorre cerca de cinco anos após o diagnóstico no primeiro. À medida que a córnea se torna afinada e sua superfície cada vez mais cônica, o paciente percebe a diminuição da capacidade visual. Coceira e sensibilidade à luz são alguns dos sintomas que afetam o paciente com a córnea curvada. Quando em estágio avançado, a deformação ocular pode levar à cegueira. Segundo o oftalmologista Daniel Moon Lee, especialista no tratamento de ceratocone e catarata e em implantes intraoculares, a doença inicia-se geralmente durante a adolescência, por volta dos 16 anos.

-— No entanto, alguns pacientes podem levar mais tempo para descobrir o problema real, achando que se trata de miopia ou astigmatismo — explica.

Lee afirma que o tempo de aparecimento dos sinais de ceratocone também varia para cada paciente, podendo evoluir rapidamente ou levar anos para se desenvolver. Apesar de mais raros, há casos de pacientes que apresentam alterações na córnea na infância ou após os 30 anos.

Para Jefferson Martins, o avanço do ceratocone foi rápido. O grau de miopia do olho esquerdo chegou a oito em 2008, quando foi constatado o cone na córnea:

— Apesar de o aumento de grau ter estabilizado desde então, os óculos não conseguem mais melhorar minha visão. Até o fim de setembro, passarei a usar lentes de contato rígidas para correção — conta Jefferson.


Lentes de contato corrigem o problema

O uso de lentes de contato é o tratamento mais usado atualmente para a correção do ceratocone.

— A lente rígida estabiliza a superfície ocular, proporcionando uma curvatura da córnea mais regular — explica Moon Lee.

Por se tratar de uma lente rígida, a adaptação, especialmente sobre a córnea com curvatura muito irregular, não é imediata e deve ser feita com acompanhamento do oftalmologista, que vai testar e adaptar a lente ao paciente.

Segundo Alberto Reinaldo Rettold, especialista em lentes de contato, a capa lacrimal que se forma atrás da lente é o que dá a visão ao paciente, pois ela deixa a córnea ser cônica novamente.

— As gás-permeáveis (ou siliconadas) são as únicas recomendadas para os pacientes. Não servem as gelatinosas. É possível voltar a ter uma visão normal — afirma o especialista.

Aquele que se propõe a passar pela adaptação às lentes consegue grande melhora da qualidade de vida, sem necessidade de procedimentos cirúrgicos. Porém, quem não se adapta ou não obtêm o resultado esperado do tratamento podem recorrer a técnicas cirúrgicas, reversíveis ou permanentes, para correção da curvatura da córnea. A cirurgia não é recomendada nas fases iniciais, porque o uso de lentes de contato pode resolver o problema do paciente dando-lhe uma boa qualidade de visão.

Alguns pacientes acreditam que a única forma de tratar o ceratocone é por meio de transplante de córnea, o que, segundo o médico, é a última opção – e apenas para casos graves e de rápido avanço. Além disso, um procedimento cirúrgico sempre traz riscos associados, como rejeição, infecção e até perda da visão.

VIDA E SAÚDE



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