Pericial

25 fev19:10

Três meses depois, continua mistério sobre a morte de Marcelino Chiarello

Diogo Vargas | diogo.vargas@diario.com.br

O Ministério Público (MP) vai continuar a investigação da morte do vereador e professor Marcelino Chiarello, 42 anos, de Chapecó. O anúncio foi dado ao DC na sexta-feira à tarde pelo promotor Fernando Guilherme de Brito.

Ele e colegas da cidade não estão convencidos nem de que houve suicídio nem de que houve assassinato. O grupo de promotores pretende esclarecer os pontos que mantém o mistério sobre o trágico fim do político do Partido dos Trabalhadores (PT) que ainda comove o Oeste catarinense e que o DC relata nesta reportagem.

Na próxima terça-feira (28), a morte completará três meses sem que a polícia conseguisse apontar o que realmente ocorreu na manhã do dia 28 de novembro, quando o corpo de Chiarello foi encontrado pendurado na grade da janela do quarto de visitas da sua casa, no bairro Santo Antônio.

As primeiras informações assim que a morte foi descoberta eram de suicídio. Afinal, a cena do crime indicava isso. Em seguida, delegados da Polícia Civil vieram a público afirmar que tratava-se de homicídio. Agora, três meses depois, a polícia mais uma vez dá a entender que concluiu ter havido suicídio. Oficialmente, os policiais ainda não apresentaram publicamente essa condição com a alegação de que o inquérito está em segredo de Justiça.

>> Comissão de médicos legistas devem avaliar o laudo médico

O fato é que a população não sabe o que realmente aconteceu com o vereador conhecido por denunciar irregularidades e suspeitas de corrupção em Chapecó. Essas respostas também não foram respondidas pela Polícia Civil local, nem pela cúpula da segurança pública do Estado.

Divergência de laudos, pressão política, desconfiança de manipulações de provas e clamor popular marcam o caso. A figura central que leva a acreditar que Chiarello foi morto está no médico legista do IML de Chapecó, Antonio José De Marco. Ele tem 22 anos de profissão. Os laudos do legista indicam que a morte ocorreu por homicídio. Há na cidade especulação de que De Marco teria sido pressionado a mudar esse laudo.

O DC conversou na quarta e sexta-feira com o médico em sua clínica, no Centro. De Marco recusou-se a dar entrevista. Disse que não quer polemizar. Ele nega que tenha sido pressionado. No inquérito, há informações complementares dele mantendo a tese de assassinato. De Marco afirma no inquérito que a morte foi provocada por ação de terceiros e descarta hipótese de suicídio.

A tese que gerou dúvida e fez policiais suspeitarem que o vereador tirou a própria vida está no laudo da localística feito por peritos que foram ao local onde o corpo foi encontrado. Os peritos não encontraram vestígios de que mais pessoas estiveram ali e de que tenha sido morto.

Esse caminho é reforçado pelo fato de a polícia local não ter avançado na apuração em cima de pessoas suspeitas. Reforçou a linha de suicídio um parecer anexado ao inquérito feito pelo gerente técnico do IML em Florianópolis, o médico legista Zulmar Vieira Coutinho. Ele sugeriu que as características das lesões indicam suicídio. Zulmar é professor de medicina legal da Universidade Federal de SC (UFSC).

Na última quarta-feira, o delegado Ronaldo Moretto, responsável pelo inquérito, o enviou à Justiça. Não houve indiciamento. O policial pediu mais prazo para concluir questões periciais e se necessário fazer mais diligências.

O delegado disse que vai falar sobre o caso somente após o fim do sigilo no inquérito. Foi o próprio policial quem havia pedido à justiça o sigilo anteriormente para não perturbar a investigação. Até o advogado da família precisou recorrer ao juiz para conseguir acesso às informações.

— Eu pretendo atender a necessidade da comunidade em passar informação e por isso mesmo representei ao Judiciário para que fosse aberto o sigilo do caso. Estou aguardando e pretendo o quanto antes informar — declarou Moretto.

O delegado Moretto é ex-agente da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), onde trabalhou por sete anos. Ele contou com apoio informal na apuração da morte de Chiarello do delegado da Deic, Renato Hendges, policial experiente e que atua nos casos policiais de grande repercussão no Estado.

Renato está convicto que foi suicídio, lembra que existe muita exploração política em cima da morte e acusações negativas contra a polícia que não procedem.

O delegado geral da Polícia Civil em SC, Aldo Pinheiro D’Ávila, disse que o laudo pericial é o referencial em investigação. Segundo ele, desde o início a polícia trabalhou com a chance de homicídio, mas que ao longo dos meses não surgiram indícios de crime. Ele nega que a polícia tenha recebido pressão política.


DIÁRIO CATARINENSE


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05 out10:04

Motorista de caminhão é considerado culpado por 29 mortes em Descanso

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O laudo pericial do acidente com 29 mortes e 17 feridos, ocorrido no dia 5 de março, na BR 282, em Descanso, apontou que o acidente foi provocado pelo motorista da carreta placas de Pelotas, Fernando Zanetti Furtado, que transportava pranchas de madeira. A carreta que ia em direção ao Rio Grande do Sul tombou no quilômetro 639 e atingiu um ônibus de turismo placas de Horizontina, que levava moradores de Santo Cristo que iriam participar de uma confraternização em Pato Bragado-PR.

De acordo com o laudo a culpabilidade é do motorista do caminhão- a firmou o delegado da Polícia Civil de Descanso, Rudinei Charão Teixeira. O laudo aponta que a carreta entrou na curva que antecedeu a colisão em alta velocidade e, no final da curva, chegou a invadir parcialmente a contramão. Diz o laudo: “ao chegar no fim da curva o condutor do caminhão efetuou uma manobra brusca virando o volante para a direita tormando um raio de curvatura de 145 gaus”.


Cruzes lembram o acidente na BR 282.


Além disso o tacógrafo indicou que o veículo estava a 95,4 quilômetros por hora quando tombou. Os peritos chegaram à conclusão de que a alta velocidade mais o movimento brusco provocaram o tombamento da carreta, que levava pelo menos 27 toneladas de pranchas de madeira.

Nisso o caminhão e a carga atravessaram na pista. O ônibus, que trafegava a 70 quilômetros por hora no momento da colisão, ainda tentou tirar para a esquerda mas bateu contra a cabine da carreta. No local do acidente o limite é de 80 quilômetros por hora.

-O caminhão estava com velocidade acima do limite e o ônibus não- concluiu o delegado.

Entre o tombamento e o choque demorou apenas 1,89 segundos. A carroceria do caminhão chegou a arrastar 72 metros após o tombamento.

O tacógrafo também apontou que, às 2h20 da manhã, 42 minutos antes do acidente, o caminhão atingiu velocidade de 118 quilômetros por hora.

-Em vários momentos o motorista ultrapassou 90 quilômetros por hora e, em outros mais de 100- explicou o delegado.

Ele afirmou que, como o responsável pelo acidente morreu, o processo não deve ter prosseguimento na área criminal. No entanto deve servir para ações de indenização. Ele aguarda apenas um laudo complementar dos feridos de Santo Cristo-RS para fazer o relatório e concluir o inquérito, que será remetido ao Fórum de Descanso.


O que diz a perícia

1-Uma carreta bitrem Volvo placas de Pelotas, carregada com pranchas de madeira, que fazia o sentido São Miguel do Oeste/Maravilha, entrou em alta velocidade na curva, invadiu a pista contrária.

2-O motorista da carreta fez um movimento brusco para a direita, para volta à sua pista, nisso a carga pendeu e tombou a carreta

3-O caminhão atravessou na pista

4- Nisso um ônibus Scânia da empresa Nyland Turismo Ltda, placas de Horizontina, que fazia o sentido Maravilha/São Miguel do Oeste, não teve como evitar a colisão. O motorista tendou tirar levemente para a esquerda mas bateu na cabine.

5- A carreta deslizou por 72 metros para o lado direito e o ônibus saiu para o seu lado direito também, saído da pista e ficando escorado nas árvores do barranco.


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