Prejuízos

03 out09:57

Ministra explica veto à MP criada para socorrer prejuízos da seca

De férias em Mafra, onde participa da campanha eleitoral na região, a ministra de Relações Institucionais Ideli Salvatti credita o debate sobre auxílio a agricultores atingidos pela seca a brigas político-partidárias.

— Não tem nenhum agricultor sem auxílio, não tem nenhum agricultor catarinense sem refinanciamento da dívida — afirmou ontem.

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Ideli garante que o PSDB, que protocolou um pedido para estender aos agricultores do Sul os benefícios de uma Medida Provisória (MP) para atender o Nordeste, sabia que a ampliação geográfica geraria uma “confusão jurídica”, pois os produtores rurais do Sul já estavam sendo atingidos via MP, porém editada em 2011. Confira os trechos da conversa mantida ontem com o DC:

Diário Catarinense — Temos notícias de que os agricultores catarinenses gostariam de que a MP que socorreu a estiagem do Nordeste fosse ampliada para o Sul. Por que isso não ocorreu?

Ideli Salvatti — Não existe este pleito. Não existe pleito da região Sul, pois a região justamente já está sendo contemplada por uma MP editada no ano passado. As entidades da região Sul não fizeram esse pleito. Isso é guerra política apenas.


DC — A edição de uma MP em 2011 impede a ampliação da MP de 2012?

Ideli — Claro. Juridicamente isso não é possível. A Medida Provisória do ano passado inclusive foi referendada pelo Conselho Monetário Nacional. A MP do Nordeste é específica para aquela região. Até porque os agricultores das duas regiões vivem situações diferenciadas.


DC — Como assim?

Ideli — Os financiamentos não são idênticos, pois no Nordeste o financiador é o Banco do Nordeste. No Sul, é o Banco do Brasil. Não dava para incluir tudo no mesmo bolo, pois têm naturezas diferentes. Quando o PSDB apresentou a emenda, o governo ficou rouco de dizer que aquele pedido era um equívoco, um erro. Por isso houve o veto, por uma necessidade legal. A razão do veto, inclusive, consta no documento do próprio veto. Se o Sul já estava amparado por uma MP, como receberia outra MP?


DC — Os agricultores do Nordeste foram mais agraciados?

Ideli — Ao contrário. Se fôssemos fazer uma situação comparativa, hipoteticamente falando, creio que os agricultores catarinenses foram atendidos até em situação melhor.


DC — A senhora pode ilustrar isso?

Ideli — Além da MP do ano passado, ainda conseguimos em maio de 2012 um crédito extraordinário de R$ 10 milhões para socorrer as prefeituras catarinenses. Este dinheiro já está na conta da Secretaria da Agricultura de SC, com quem dividimos a definição dos critérios a serem adotados na distribuição do dinheiro.


DC — E que critérios são esses?

Ideli — Os municípios com maior número de decretos de emergência por estiagem, nos últimos 10 anos, seriam os beneficiados por este crédito extraordinário. Assim, estamos conseguindo atender, com este dinheiro extra, mais 117 prefeituras.


DC — O que os agricultores destes municípios estão recebendo com este dinheiro?

Ideli — Um trator e um distribuidor de adubo líquido que, nas épocas de estiagem, podem servir para transportar água.


DC — Ministra, mas se os produtores rurais catarinense estão bem atendidos, porque o pleito de ver a MP do Nordeste ampliada para cá?

Ideli — Insisto, não há esse pleito.


DC — Algum outro pleito, no mesmo sentido?

Ideli — Tem a questão do milho. E um debate entre o Ministério da Fazenda e o da Agricultura (ontem) avaliando a possibilidade de autorizar a Conab a adquirir milho acima do preço médio. Hoje, a Conab está proibida de fazer essa aquisição. Se os dois ministérios concordarem, o milho poderá ser adquirido no PR — e portanto mais perto de SC e do RS — e com preço mais flexível. Hoje, os produtores estão tendo de pagar mais caro e esperar a logística de transporte desde o Centro Oeste. Se for autorizada a mudança, os agricultores vão ganhar em tempo e em dinheiro, pois reduz o custo do frete devido à proximidade.


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05 set09:08

Estiagem amplia prejuízos de agricultores no Oeste

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Santa Catarina mal acabou de sair de um período de estiagem, que trouxe prejuízos de R$ 777 milhões, e a falta de chuva já começa a trazer problemas no estado, principalmente na região Oeste. Ontem houve uma reunião da Defesa Civil de Chapecó para tomar algumas medidas de fornecimento de água, que já está faltando em algumas propriedades do interior.

Agosto, com 2,3 milímetros, foi o mês com menor chuva já registrado na Estação Meteorológica da Epagri em Chapecó. Isso em 43 anos de registro, segundo o observador meteorológico Francisco Schervinski.

De acordo com o secretário de Agricultura de Chapoecó, Altair Silva, a produção de leite no município já caiu 30%, devido às pastagens secas, e o plantio das lavouras de milho está atrasado cerca de 15 dias.

O produtor Flávio Fonseca, por exemplo, deveria ter plantado 20 hectares de milho.

– Já deveria estar nascido – explicou. Ele lamenta que teve prejuízo na safra passada, onde perdeu 70% das lavouras de milho e soja.

– Deixei de colocar no bolso R$ 600 mil.  Agora está preocupado pois novamente falta água para as plantas. Pelo menos ele conseguiu um desconto R$ 17 mil no financiamento de R$ 30 mil do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf).

Outro produtor que teve perdas na safra passada e agora novamente amarga prejuízo é Claudemir Laval. Ele perdeu 50% da safra de milho e de soja. Agora já tem quebra de 50% nos 43 hectares de trigo e, nos 26 hectares de milho, não germinaram 35% das plantas.

– Já é uma lavoura estragada – explicou.

Se chover nos próximos dias ele vai tentar replantar manualmente nos espaços onde o milho não nasceu. Ele afirmou que o ano de 2012 não está favorável ao agricultor.

– Às vezes dá vontade de vender tudo e ir para o Mato Grosso – desabafou.

O funcionário da Agropecuária Locatelli, Paulo Kreibich, aguarda a chuva para plantar os 150 hectares de milho, que já deveriam estar na terra.

– Estamos com as máquinas prontas e paradas há duas semanas – explicou. O solo chega a estar rachando de tão seco.

O secretário adjunto de Agricultura do Estado, Airton Spies, afirmou que as perdas são mais concentradas na região Oeste. Mas ainda não tem um levantamento de quanto é o prejuízo. Spies disse que a falta de chuva já começa a comprometer a próxima safra. E lembrou que a estiagem passada, que causou perda de 900 mil toneladas de milho no Estado, é um dos fatores que está agravando a crise na suinocultura e avicultura, causada pelo alto custo de produção.

Ele lembrou que, no início do ano, a saca de milho de 60 quilos estava em R$ 24 ou R$ 25. Atualmente, está em R$ 35. Se não chover, o problema pode se estender para a próxima safra.

>> 33 municípios seguem em situação de emergência em Santa Catarina

Previsão de chuva a partir da segunda quinzena de setembro

Até metade de setembro os moradores de Santa Catarina ainda vão conviver com a falta de chuva. Segundo o meteorologista do Grupo RBS, Leandro Puchalski, há uma massa de ar seco que funciona como um bloqueio atmosférico desviando as massas de ar frio, que vem da Argentina, para o Oceano Atlântico. Puchalski disse que a falta de chuva não é uma estiagem nova e nem continuidade da ocorrida no verão passado.

– É uma condição pontual – explicou.

A boa notícia é que as chuvas devem normalizar a partir da segunda quinzena de setembro. As chuvas podem até ser acima do normal se confirmar o fenômeno El Niño, que é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico na altura da linha do Equador.

–Há uma expectativa de El Niño – disse Puchalski. O efeito deste fenômeno é o contrário do La Niña, que provocou estiagem em Santa Catarina.

O secretário adjunto da Agricultura, Airton Spies, disse que a Epagri/Ciram também prevê normalização das chuvas a partir da segunda quinzena de setembrol. Em outubro as chuvas podem passar de 200 milímetros no Oeste e Meio Oeste, com volume de 140 a 180 milímetros do Planalto ao litoral.

Em Chapecó 375 famílias do interior já estão recebendo água em caminhões pipa. O volume transportado é de 65 mil a 80 mil litros por dia. No verão passado esse volume chegou a 350 mil litros/dia.


Oito meses de chuva abaixo da média

Em Chapecó, nos últimos 10 meses, houve chuva abaixo da média em oito, segundo registro da Epagri. Apenas em abril e julho o volume superou a média.


2011

Novembro: 91,1 milímetros (média de 166,7 mm)

Dezembro: 56,7 milímetros (média de 167,5 mm)

2012

Janeiro: 86,2 milímetros (média de 182,5 mm)

Fevereiro: 98,5 milímetros (média de 184,8 mm)

Março: 85 milímetros (média de 125,9 mm)

Abril: 197,4 milímetros (média de 167,9 mm)

Maio: 47 milímetros (média de 167,6 mm)

Junho: 101,6 milímetros (média de 170,7 mm)

Julho: 180.4 milímetros (média de 155,9 mm)

Agosto: 2,3 milímetros (média de 142,5 mm)


Observação: Um milímetro é um litro de água por metro quadrado


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05 mai08:01

Ação Global em Xaxim

O projeto Ação Global, iniciativa da Rede Globo e do Serviço Social da Indústria (Sesi), em parceria com a RBS TV, oferece ações gratuitas para a população de Xaxim, no Oeste catarinense, neste sábado, dia 5, das 9h às 17h. O tema da edição deste ano do projeto será “Eu faço Ação Global o ano inteiro”.

O mutirão de solidariedade é realizado simultaneamente em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal uma vez por ano. A prestação de serviços gratuitos à população facilita o acesso a direitos que são essenciais a todos. Emissão de documentos, atendimento médico e odontológico, atividades de lazer, educação e esportes, união civil, divórcio e outros serviços estarão disponível para a população.

Desde 1995, Sesi e Rede Globo se unem para promover ações gratuitas em todo o país. Por meio da mobilização de instituições parceiras, públicas e privadas, e da convocação de profissionais voluntários, a Ação Global forma uma rede de atendimento que oferece serviços gratuitos de documentação, saúde preventiva, educação, esporte e lazer. A Ação Global já beneficiou mais de 16,8 milhões de pessoas e prestou mais de 27,3 milhões de atendimentos.


SERVIÇO

O quê: Ação Global

Quando: sábado, 5, das 9h às 17h

Onde: Xaxim (Rua da Matriz, em torno da Praça Frei Bruno)

Quanto: gratuito


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05 mar09:06

Restrição parcial do aeroporto de Chapecó causa prejuízos em cascata

Alessandra Ogeda | alessandra.ogeda@diario.com.br

Depois de Santa Catarina sofrer com a estiagem que provocou perdas de cerca de R$ 550 milhões para a agricultura, agora a restrição de voos com mais de 72 passageiros no aeroporto de Chapecó provoca uma cadeia de prejuízos no Estado.

Comerciantes e empresários da região estão sendo prejudicados com a medida, que começou a valer por determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na última quinta-feira. Três eventos de grande porte programados para este mês e abril estariam ameaçados.

O aeroporto de Chapecó foi o que registrou o maior crescimento no Estado nos últimos cinco anos. Entre o primeiro semestre de 2007 e o mesmo período do ano passado, o número de passageiros no aeroporto de Chapecó aumentou 83,5%.

A medida da Anac prejudicou a operação das companhias Gol e Avianca, que tinham quatro voos diários entre chegadas e partidas, com destino a Florianópolis e São Paulo. Elas operavam com aeronaves de 144 (Gol), 120 e 100 (Avianca) lugares. As empresas NHT e Trip não devem ser afetadas porque operam com aeronaves com um número menor de passageiros.

O vice-presidente da Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de SC (Faesc), Enori Barbieri, acredita que metade da movimentação do aeroporto era formada por técnicos, executivos e outros funcionários que trabalham com a agroindústria. Eles terão a mobilidade prejudicada e suas empresas, que dependem do aeroporto para a chegada de insumos, este abastecimento alterado.

— Essa restrição vai trazer um grande transtorno para quem tem por hábito ir e vir de Chapecó, cidade-pólo no Oeste, principalmente para São Paulo. Ainda não temos como mensurar os prejuízos, mas eles serão consideráveis para toda a cadeia do setor de aves e suínos do Estado — explica.

Atraso nos negócios

Na prática, segundo o presidente da Faesc, as complicações podem chegar à protelação de negócios em andamento, por parte dos executivos e, no caso dos técnicos, atrasos na prestação de serviços nas diversas unidades de grandes indústrias como BRF Brasil Foods, Marfrig e Aurora.

Estas empresas, com produção no Oeste, também teriam que achar alternativas para a vinda de insumos básicos com chegada, até então, via aérea, como pintinhos com um dia de vida, materiais de laboratório e genéticos.

Além dos prejuízos diretos para a indústria, dois grandes eventos do setor, programados para o próximo mês, estariam em risco, segundo Barbieri. Tanto o InterLeite Sul 2012 – 3º Simpósio sobre Produção Competitiva de Leite Região Sul quanto o 13º Simpósio Brasil Sul de Avicultura dependeriam do aeroporto para a chegada de palestrantes internacionais e de participantes vindos de fora.

Outro evento programado para a cidade que poderá ser prejudicado é o Expen 2012 – Feira de Multisoluções em Gestão, Serviços e Tecnologia programada para o final deste mês. O presidente do Conselho das Entidades Empresariais de Chapecó, que congrega 16 sindicatos e entidades empresariais do município, Gilberto João Badalotti, acredita que os prejuízos para a região serão generalizados.

— Teremos cerca de 1 mil passageiros por dia que serão prejudicados. Para os próximos dias, já tinham sido vendidas 15 mil passagens. Esses prejuízos vão afetar a todos, das indústrias até o comércio e os prestadores de serviços — explica.

A alternativa mais próxima para os usuários do Oeste seria o aeroporto de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, distante duas horas e meia de automóvel de Chapecó.


Prejuízo para agências

Os prejuízos, segundo o presidente do conselho, serão sentidos por agentes de viagens, que deixarão de vender passagens, por comerciantes, a rede hoteleira, bares, restaurantes e taxistas, que já temem registrar uma queda expressiva no número de clientes na região.

— Chapecó está muito distante dos outros pólos do Estado. Dependemos muito do aeroporto e não temos uma cidade próxima que possa suprir esta necessidade. E o pior de tudo é que a Anac não nos avisou com uma antecedência razoável, de uma semana ou 15 dias, para que pudéssemos reprogramar compromissos — questina.

O vice-presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Bento Zanoni, afirma que a agroindústria será bastante prejudicada com a medida da Anac, e lamenta que usuários da região tenham que procurar alternativa em um aeroporto do RS.

— O número de pessoas que voavam por Chapecó a cada mês era bastante significativo, e agora poderão ser usadas aeronaves com até 72 lugares. As companhias aéreas não estão preparadas para isto, e esta alternativa não irá suprir a demanda.


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