Produtores

22 ago10:06

SC quer ampliar o limite de abastecimento de grãos por produtor

Danilo Duarte | danilo.duarte@diario.com.br

As entidades que representam os pequenos e médio agricultores de Santa Catarina estiveram reunidas com o secretário da Agricultura João Rodrigues na manhã da terça-feira, dia 21, para avaliar as propostas divulgadas no dia anterior pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Ministério da Agricultura.

Os representantes da categoria consideraram baixa a oferta de até mil toneladas por produtor para diminuir a crise. A contraproposta formalizada hoje e que será encaminhada para Brasília pelo governo de Santa Catarina propõe que este limite seja ampliado para até 4 mil toneladas.

A expectativa é que o retorno para esta demanda seja dado em até uma semana. Na mesa do consumidor, o reflexo da crise pode ser o aumento dos preço das carnes de frango e do suíno de até 20%.

O secretário de Estado da Agricultura reconhece que a produção de milho em Santa Catarina está aquém do necessário, sem apresentar uma alternativa concreta para o problema. Segundo o governo federal, não falta abastecimento de milho e soja no país, mas o problema estaria no transporte do principal centro produtor, o Centro-Oeste, para outras regiões, como os estados do Sul.

Para amenizar o problema dos produtores catarinenses, o governo de SC está discutindo a possibilidade de cobrir a diferença do frete pago pela Conab ou ainda desonerar o ICMS das agroindústrias. As alternativas propostas por Rodrigues ainda precisam passar pela avaliação do governador Raimundo Colombo e do secretário da Fazenda, Nelson Serpa.

Enquanto o consumo diário gira em torno de 5,5 milhões de toneladas ao ano, a produção catarinense é de apenas 3,6 milhões do grão, conforme os dados da Secretaria de Agricultura, e sem perspectiva de expandir este número em função da pouca disponibilidade de terras para esta ampliação.

Nem mesmo a construção de silos da Conab no Oeste do Estado para estocar os grãos trazidos de Mato Grosso e Goiás, onde ficam os estoques para todo o país, está acompanhando a urgência que o caso exige — a previsão é de que as estruturas estejam disponíveis apenas em 2015.

Ontem, dia 20, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Maria dos Anjos, esteve em Florianópolis e informou que o governo trabalha para que, em até 20 dias, possa fazer um leilão no Centro-Oeste, onde os grãos serão ofertados a um preço 15% a 20% menos do que o valor da exportação, hoje em em torno de R$ 35 a saca de 60 quilos. Isso significaria um preço de R$ 29 por saca de 60 quilos para compradores de até mil toneladas por mês (ou seja, pequenas e médias agroindústrias).

Diante da necessidade e do consumo dos produtores catarinenses, o secretário e entidades que representam os agricultores pediram, além do aumento do limite para 4 mil toneladas, para que o frete se transforme em subsídio no preço da saca, uma vez que as empresas contratadas para fazer o transporte do milho não estão aceitando manter o preço do frete mesmo com a elevação nos custos.

O cenário vislumbrado pelas entidades do setor é que a baixa produção e o nível alto de demanda devem continuar a puxar para cima o preço das carnes de frango e suíno, além do leite. A crise no setor deve afetar ainda mais a vida das mais de 80 mil famílias do Estado e provocar um efeito cascata que chegará a mesa do consumidor.

— O custo para trazer uma saca (do Centro-Oeste) é de aproximadamente R$ 14, mas falta tranporte para que o grão venha para cá. Então vamos sugerir que este valor seja retirado do preço final vendido ao produtor, que por sua vez precisará arcar com a contratação do caminhão para fazer este serviço. Com isso, podemos chegar próximo de equalizar a falta de milho nas agroindústrias e nos pequenos produtores catarinenses — estima Rodrigues.



REPERCUSSÕES:


Nelton Rogério de Souza, diretor da Federação de Agricultores de SC:

“A medida (do governo federal) pode apenas aplacar o problema temporariamente. Os principais calos no Estado são a falta de silos da Conab para estocar grãos em Santa Catarina e a burocracia para que armazéns particulares sejam locados pelo governo federal”


Milton Dalago, coordenador técnico da Organização das Cooperativas de SC:

“Os governos de SC e federal não têm estruturas para resolver o problema de forma permanente. O ideal seria ter instrumentos de forma continuada, como estoques de segurança mais próximos ao produtor catarinense, principalmente no Oeste”


Clever Pirola Ávila, presidente da Associação Catarinense de Avicultura e do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados em SC:

“A curto prazo, uma boa medida seria redirecionar parte da produção norte-americana, que é usada no biodiesel, para o uso na agricultura, liberando parte do que é produzido em SC. Mas a solução deve ser desenhada apenas na próxima safra brasileira e dos Estados Unidos”



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21 ago15:32

Faesc alerta produtores sobre o prazo de entrega da declaração do DITR

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) orienta os produtores rurais sobre o prazo de entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), referente ao exercício de 2012, que iniciou na última segunda-feira (20) e encerra no dia 28 de setembro. A Receita Federal publicou a Instrução Normativa RFB nº 1.279, de 6 de julho de 2012, com as regras para a declaração.

A apresentação é obrigatória para pessoa física ou jurídica que seja proprietária, titular do domínio útil e possuidora a qualquer título, inclusive a usufrutuária, do imóvel rural, exceto o imune ou isento. Um condômino deverá apresentar a declaração quando o imóvel rural pertencer simultaneamente a mais de um contribuinte, em decorrência de contrato ou decisão judicial ou em função de doação recebida em comum.

Há dois meios para apresentar a DITR. A primeira opção é pela internet, mediante utilização do programa de transmissão Receitanet, disponível no site da Refeita Federal (www.receita.fazenda.gov.br). Porém, o serviço de recepção será interrompido às 23h59min59s, horário de Brasília, do último dia do prazo. A outra maneira é por meio de disquete, nas agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal, durante o horário de expediente. A comprovação da apresentação da DITR é feita por meio de recibo gravado após a sua transmissão, em disco rígido de computador ou em mídia removível que contenha a declaração transmitida, cuja impressão deve ser realizada pelo contribuinte mediante a utilização do Programa Gerador da Declaração (PGD), relativo ao exercício de 2012.

Conforme a Instrução Normativa RFB nº 1.279, a entrega fora do prazo corresponderá à multa de 1% ao mês-calendário ou fração de atraso, calculada sobre o total do imposto devido, não podendo seu valor ser inferior a R$ 50, no caso de imóvel rural sujeito à apuração do imposto, sem prejuízo da multa e dos juros de mora devidos pela falta ou insuficiência do recolhimento do imposto ou quota. Para imóvel rural imune ou isento de ITR, a multa é de R$ 50. De acordo com o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, quem não fizer a declaração está impedido de tirar a Certidão Negativa de Débitos, documento indispensável para registro de uma compra ou venda de propriedade rural e na obtenção de financiamento agrícola.

O valor do imposto pode ser pago em até quatro quotas iguais, mensais e consecutivas, sendo que: nenhuma quota deve ser inferior a R$ 50; o imposto de valor inferior a R$ 100 deve ser pago em parcela única; a primeira ou única quota deve ser paga até o dia 28 de setembro, as demais devem ser quitadas até o último dia de cada mês, acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês de outubro de 2012 até o mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês do pagamento.

Para fins de exclusão das áreas não tributáveis da área total do imóvel rural, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o artigo 17, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, observada a legislação pertinente.


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27 jul08:08

Prevenção contra a estiagem em SC

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A estiagem do último verão já se foi, deixando um prejuízo de R$ 748 milhões e 152 municípios em emergência. Para amenizar as consequências de um novo período seco os agricultores estão se prevenindo. Somente na região de Chapecó a empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) fez 80 projetos de cisternas em 2012, segundo o gerente regional, Valdir Crestani. Somente em cisternas foram investidos entre 65 e 70% dos R$ 5 milhões em projetos encaminhados ao Programa Juro Zero, do Governo do Estado, que banca o juro do financiamento bancário. O restante dos recursos foi para projetos de expansão da atividade leiteira.

Além da construção de cisternas alguns agricultores estão investindo em projetos de irrigação. É o caso de Romar Nespolo, de Marema. No ano passado ele já tinha financiado R$ 22 mil para a instalação de um sistema de irrigação em 2,8 hectares de pastagem, pegando a água de um rio que passa pela propriedade. O investimento deu resultado pois ele conseguiu manter a produção de 6,5 mil litros por mês, mesmo durante o período seco.

– A estiagem não atingiu a produção de leite – declarou.

Ele lembra que, em 2008, sua produção baixou para 2,5 mil litros por mês.

O produtor Romar Nespolo, de Marema, investiu na instalação de um sistema de irrigação.

Graças à irrigação ele conseguiu manter uma renda de R$ 5,7 mil por mês. Em compensação perdeu mais da metade da lavoura de milho, que não era irrigada.

Nespolo ficou tão satisfeito com o resultado que pegou mais um financiamento, de R$ 50 mil, para irrigar mais dois hectares e ampliar a infraestrutura de produção de leite. Além do encanamento ele comprou freezer, mas cinco vacas e construiu nova sala de ordenha.

O agricultorpegou o dinheiro do Governo Federal e se cadastrou no Programas Juro Zero, do Governo do Estado. Com isso não precisa pagar o juro, que é de 2% ao ano. Além disso terá 10 anos para pagar.

O projeto foi encaminhado pela Epagri. O engenheiro agrônomo Adilson Barella disse que há crédito disponível e os projetos de irrigação são viáveis.

– Com cinco a seis milímetros por dia é possível manter a pastagem- explicou. Ele afirmou que as pequenas propriedades situadas na bacia do Rio Chapecó não precisam de outorga de uso da água, bastando um cadastro de usuário na Secretaria de Desenvolvimento Social.

O secretário de Agricultura do Estado, João Rodrigues, disse que mais de 300 projetos foram beneficiados pelo Programa Juro Zero e mais produtores serão beneficiados com o empréstimo de R$ 60 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Ele afirmou que as licitações devem ser encaminhadas ainda neste ano.

Além disso afirmou que no próximo ano serão disponibilizados mais R$ 10 milhões para o Programa Juro Zero.

O coordenador da Federação dos Agricultores da Agricultura Familiar de Santa Catarina, Alexandre Bergamin, disse que os investimentos em cisternas são importantes mas devem ser disponibilizados mais recursos. Bergamin informou ainda que 15 mil a 18 mil famílias conseguiram acessar o seguro agrícola, quitando os financiamentos no banco. Mas o que preocupa ainda é que muitos produtores ficaram sem renda e por isso é necessário avançar nas políticas públicas.


Medidas do Governo do Estado

Programa Juro Zero

- R$ 10 milhões para bancar o juro de financiamentos captados pelos produtores. Esse dinheiro já se esgotou e, no próximo ano, devem ser disponibilizados mais R$ 10 milhões


Recursos do BNDES

-R$ 20 milhões ser]ao investidos na compra de duas mil cisternas com capacidade para 40 mil litros cada

-R$ 6,5 milhões para perfuração de 200 poços artesianos comunitários, com bomba e caixa de água de 20 mil litros, para as comunidades que tiveram maior problema.

-R$ 2,8 milhões para a compra de 134 distribuidores de adubo orgânico, com capacidade para seis mil litros cada, que pode ser utilizado para o transporte de água, que serão disponibilizados para os 134 municípios que frequentemente são atingidos por estiagem.

-R$ 20 milhões para subsídio de R$ 5 mil para cisternas em propriedades privadas de agricultores de baixa renda, com capacidade de 500 mil litros cada. A medida deve beneficiar quatro mil agricultores.

-R$ 9,4 milhões para subsídio de 30% do valor de financiamento de sistemas de irrigação, de até dois hectares. A medida deve beneficiar 4.780 famílias.



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13 jul08:01

ACCS espera avanço nas medidas de apoio à suinocultura

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

As medidas anunciadas ontem pelo Governo Federal para auxiliar a suinocultura foram consideradas insuficientes pelo presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivânio Di Lorenzi.

– Foi um pouco frustrante, esperamos avanço nas medidas até quarta-feira que vem – afirmou o presidente da ACCS.

Moacir Mattielo, produtor de Seara, abandonou a suinocultura e vai transformar o chiqueiro numa estufa para plantar tomates.

Ele considera que a renegociação das dívidas não resolve a situação. –Queremos subsídio de 40 centavos por quilo na venda- argumentou.

A categoria também quer retirar o limite de R$ 1,2 milhão para manutenção das matrizes reprodutoras. Temos integradores com 30 mil matrizes, que necessitariam de R$ 15 milhões, afirmou, tendo como base de cálculo de R$ 500 por animal.

Na próxima quarta-feira será realizada uma nova audiência no Ministério da Agricultura. Lorenzi destacou como positiva a participação política de Santa Catarina, que contou com os três senadores, deputados federais, deputados estaduais e o secretário de Agricultura, João Rodrigues.

Lorenzi comemorou também a decisão do governo do estado de isentar por 30 dias o ICMS para a venda interestadual de carne suína.

Em Santa Catarina estima-se que 240 produtores já abandonaram a atividade só em 2012, em virtude da crise.


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04 jul08:01

Crise da suinocultura afeta comércio no Oeste

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A crise na suinocultura já está afetando a economia dos municípios do Alto Uruguai Catarinense, onde á uma das principais atividades. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Xavantina, Dirceu Casarotto, estima em 50% a queda no movimento em relação ao ano passado.

– Até o dinheiro do leite sumiu para tapar os furos do porco- comentou.

Balduíno Tonatto, dono de uma loja de confecções, afirma que o movimento caiu 30% de R$ 11 mil a R$ 12 mil para R$ 7,5 mil. Além disso, tem entre 70 e 80 clientes com dívidas. –Já suspendi as compras- afirmou.

Na loja de material esportivo de Dilceu Seghetto, já são R$ 15 mil em dívida de clientes, praticamente todos relacionados com a suinocultura.

Márcio Foralosso disse que a queda nas vendas caiu 40%.

Na agropecuária onde trabalha Dalvan Spagnol parte da mercadoria está sendo paga em suínos vivos. E na agropecuária de Márcio Foralosso a queda na venda de produtos da suinocultura caiu 40% e as dívidas dos clientes já superam R$ 300 mil.

– Estamos nos atolando junto com eles- constatou Foralosso.

O secretário de Agricultura Leonir Caus estima que mais de 200 produtores desistiram da atividade nos últimos cinco anos, somente no município. Restam pouco mais de 400 dos 650 criadores. –Se a crise continuar vão sobrar só uns 200- afirmou disse o secretário.

Até sua família está fechando uma das duas granjas. Das 300 matrizes devem sobrar apenas 115. O sobrinho Welinton Caus pretendia cursar um Colégio Agrícola e seguir na suinocultura. Agora desistiu e deve ir para a cidade. –Sem renda não dá, vou tentar eletromecânica ou Educação Física- declarou.

Diante dessas perdas os municípios estão decretando situação de emergência. Ontem três municípios do Alto Uruguai Catarinense, Irani, Presidente Castelo Branco e Alto Bela Vista decretaram situação de emergência. Já são 13 no Estado. De acordo com o prefeito de Alto Bela Vista e presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai Catarinense, Sérgio Luiz Schmitz, as perdas na arrecadação do seu município, que devem refletir nos próximos dois anos, já passa dos R$ 2 milhões. Isso representa dois meses de arrecadação do município. A recomendação é que outras cidades também decretem emergência.

A Associação dos Municípios do Extremo Oeste Catarinense também convocou os 19 prefeitos para um ato na quinta-feira, às 14 horas, na praça Walmir Botaro Daniel. De acordo com a secretária executiva da Associação, Sandra Franco, alguns prefeitos devem assinar o decreto durante o ato.

O secretário de Administração de São João do Oeste, Wilson Weber, disse que o município vai assinar o decreto. No Meio-Oeste o prefeito de Videira, Wilmar Carelli, também vai decretar situação de emergência hoje.

O presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos, Losivânio de Lorenzi, disse que até o final de semana já devem somar 50 decretos. O objetivo é pressionar as autoridades para tomar medidas de apoio ao setor. O preço base do suíno está em R$ 1,90 por quilo, contra um custo de R$ 2,57. No dia 12 de julho está previsto um ato e uma reunião com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, em Brasília.


Ministério anuncia que Argentina vai retomar compras

O ministério da Agricultura do Brasil anunciou no final da manhã de ontem que as exportações de carne suína para o país vizinho está liberada. No início do ano a Argentina tomou medidas de restrição de alguns produtos brasileiros, o que ajudou a agravar a crise da suinocultura. De acordo com o ministro Mendes Ribeiro Filho foram realizados vários encontros com lideranças do governo vizinho para recuperar esse mercado. A expectativa é que sejam exportados um volume similar às 27 mil toneladas vendidas no segundo semestre do ano passado.

A medida é considerada boa pelas lideranças de Santa Catarina mas insuficiente para amenizar a crise do setor. Os suinocultores querem subsídio no transporte de milho do Centro Oeste para Santa Catarina, renegociação das dívidas e um preço mínimo. –Queremos que o governo banque a diferença de 67 centavos entre o custo e valor de mercado- explicou o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivânio de Lorenzi.

O secretário de Agricultura do Estado, João Rodrigues, informou que o Governo do Estado deve incrementar em 15 a 20 toneladas o consumo de carne suína na merenda escolar, hospitais e presídios.

Além disso foi articulada uma ação com a Associação Brasileiras dos Restaurantes, para incrementar os pratos à base suína, e outra ação com a Associação Catarinense dos Supermercados (Acats), para fazer promoção do produto.

Rodrigues marcou ainda duas reuniões, segunda-feira, às 10 horas, em Concórdia, e na terça-feira, às 10 horas, em Braço do Norte. O objetivo é verificar a demanda dos suinocultores para levar ao ministro Mendes Ribeiro, no dia 12, quando uma comitiva catarinense vai à Brasília.


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03 jul14:43

Produtor ignora crise e investe alto na suinocultura

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Enquanto muitos suinocultores estão reduzindo o plantel de animais ou até desistindo da atividade o produtor Marcos Ruppenthal está fazendo um movimento contrário, investindo R$ 700 mil no aumento da produção. –É no momento da crise que tem que investir- aposta o criador de suínos de Arabutã.

Ele tinha 140 matrizes reprodutoras de suínos e, até o final do mês, já terá 500. Com isso a produção de leitões vai quase quadruplicar, chegando a 1.1150 animais por mês. Para isso ele teve que construir dois chiqueiros novos, automatizados e novos sistema de tratamento de dejetos. Metade do dinheiro investido por Ruppenthal é de recursos próprios e, o restante, é financiado.

O suinocultor explicou que não está cometendo nenhuma “loucura” e sim se adaptando a uma nova realidade do mercado. Antes os suínos eram dele e ele era o responsável por praticamente todas as despesas. Quando o preço do suíno estava bom, ele ganhava dinheiro. Quando o preço estava ruim, como nos últimos meses, tinha prejuízo.

Pelo novo sistema todos os animais são da agroindústria e é ela a responsável por fornecer a ração, medicação e transporte dos animais. O produtor fica responsável por alimentar e cuidar dos animais.

>> Chiqueiro vira loja de roupas em Concórdia

O vice-presidente da Aurora Alimentos, Neivor Canton, disse que cerca de 90% dos 3,2 mil suinocultores da cooperativa já são nesse sistema, que é denominado “vertical”.

– Só a Aurora tem mais de um milhão de suínos- calculou.

Ruppenthal também fez um contrato com a Coopérdia, que é uma das afiliadas da Aurora Alimentos, com garantia de preço, entre R$ 15 a R$ 17 por leitão produzido. Com isso ele tem uma renda garantida para pagar o investimento e ainda ter uma sobra no final do mês. –Não tem risco- comemora o suinocultor.

Ele avaliou que não dá mais para criar porcos sem ter um ganho de escala. O presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina, Enori Barbieri, considera que só vai sobreviver quem tiver ligado a uma agroindústria para diluir custos e agregar valor nos produtos.


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03 jul07:56

Crise assombra o Oeste catarinense

Darci Debona   | darci.debona@diario.com.br

Criadores com suínos gordos sem ter para quem vender, criadores chorando por ter que abandonar a atividade que exerciam há décadas, gente com dívidas que não consegue pagar, chiqueiros que estão sendo transformados em estufa, galinheiro ou então depósito e municípios decretando situação de emergência.

Esta é a realidade da suinocultura catarinense, uma das principais atividades econômicas do Estado, que somente em exportações movimentou US$ 452 milhões no ano passado.


Natalino Altenhofen quer vender a propriedade onde criava porcos para saldar suas dívidas.


A situação da família Altenhofen, de Xavantina, é desesperadora. Eles acumulam uma dívida de R$ 200 mil com a criação e agora estão vendendo a terra. No mês passado, Natalino Altenhofen entregou as 80 reprodutoras por um real ao quilo, pois não tinha mais milho para alimentar os animais. Sobraram quatro porcas de descarte e oito vacas de leite, que dão o sustento para a família.

Um filho que ajudava na criação foi trabalhar de empregado em outra propriedade. A filha Rosane, que ainda está em casa, pensa em ir trabalhar de diarista ou numa padaria. E o casal Natalino e Rosália tenta vender a propriedade por um valor que, pelo menos, cubra as dívidas.

— Senão vamos pra debaixo da ponte — afirma Altenhofen, que está com 65 anos e ainda enfrenta problema de saúde em um olho e nos rins.

Nas últimas duas semanas, 10 municípios decretaram situação de emergência: Braço do Norte, Seara, Xavantina, Grão Pará, Arroio Trinta, São Ludgero, Salto Veloso, Lindoia do Sul, Orleans. Nesta segunda-feira, foi a vez de Concórdia decretar emergência. Outros municípios estudam a mesma medida.

Os decretos precisam ser reconhecidos pela Defesa Civil, mas o principal objetivo, segundo o secretário de Agricultura de Concórdia, Márnio Cadore, é dar apoio aos produtores e sensibilizar as autoridades, pois as perdas do setor impactam também na economia destes municípios, com reflexo no comércio e na arrecadação.

— O primeiro impacto é no social, mas depois começa a influenciar na arrecadação — explica o secretário de Agricultura de Seara, Fred Müller.

— Se o governo não der uma mão, a suinocultura está com os dias contados — sentencia o produtor Sigmar Ruppenthal, que está com cerca de 700 leitões e não consegue vendê-los.

Ele entregava os animais com oito quilos e alguns já estão com quase 40 quilos.

— Ninguém quer — lamenta.

Ruppenthal vendeu suínos a R$ 2,50 por quilo há um ano e, recentemente, negociou algumas reprodutoras a R$ 0,94 por quilo. Ele diz que as economias que tinha acumulado se foram, pois a despesa mensal na criação é de R$ 28 mil a R$ 30 mil.

O suinocultor Moacir Mattielo decidiu que vai terminar com a criação. Ele tinha 70 porcas e restam apenas 30, que devem ser vendidas até o final do ano.

— Não tem mais o que fazer — decreta.

Seu filho, que ajudava na criação, foi trabalhar na cidade de Seara. E um dos chiqueiros que Mattielo tinha está sendo desmanchado.

— Vou fazer uma estufa para cultivar tomate — diz.

Para o diretor da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia, Dirceu Talamini, o aumento na produção nacional e o excesso de suínos no mercado, aliados às restrições da Argentina, fizeram o preço despencar. Por outro lado, os custos de milho e soja aumentaram muito. A Embrapa calcula o custo em R$ 2,57 por quilo, para uma remuneração de R$ 1,90.

O presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos, Losivânio de Lorenzi, afirma que SC já teve 70 mil suinocultores na década de 1970 e hoje tem cada vez menos. Só neste ano, 240 produtores desistiram. O setor pede ao governo federal a renegociação de dívida e financiamento de R$ 500 por matriz para manter os plantéis. Também querem subsídio de 67 centavos por quilo de suíno vendido, que é a diferença entre o custo e o preço de mercado.

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04 jun09:03

Crise leva suinocultores a desistirem da atividade

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O baixo preço do suíno aliado ao alto custo de produção está levando produtores de Santa Catarina a abandonar a atividade que exerciam há décadas. A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) estima que 240 suinocultores desistiram da atividade neste ano.



Lino Mayer já reduziu a criação pela metade e pretende parar de criar suínos até setembro.



Um dos produtores que está abandonando a atividade é Lino Mayer, morador da linha Santa Fé Baixa, em Itapiranga. –Está bem difícil, a maioria dos produtores está no vermelho- declarou. Mayer lembra que o preço por quilo caiu de R$ 2,40 no ano passado para os atuais R$ 1,90, o que não cobre os custos de produção. De acordo com cálculos da ACCS hoje o custo de um suíno é de R$ 2,65 por quilo.

Mayer já reduziu o plantel de fêmeas de 160 para 80 e, até. Ele é dono das matrizes e, até agosto ou setembro, pretende terminar com a criação. Com a venda dos suínos ele vai comprar mais vacas e dobrar a produção de leite.

Ele disse que pretende parar antes de perder capital, como já aconteceu com outros produtores. Mayer disse que nos últimos anos só conseguiu manter o capital que tinha, sem nenhuma sobra. –Tenho o mesmo capital que tinha há 20 anos- comentou.

Além da crise outro fator que o fez desistir é a necessidade de reforma e ampliação do chiqueiro. A agroindústria da qual é integrado solicitou que ele dobrasse a produção, o que geraria um investimento de R$ 300 mil. Mayer acha que não vale a pena o investimento.

No entanto é com dor no coração que ele vê as baias vazias. –Sempre gostei, trabalho com isso há 30, 40 anos- lembrou. No entanto ele considera que não dá para pagar para trabalhar.

O presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos, Losivânio de Lorenzi, disse que nos últimos anos as crises vem sendo frequentes e com poucos meses bons, o que acabou descapitalizando os produtores. No início deste ano houve uma retração no consumo, restrições na venda para a Argentina e aumento do custo de produção que agravaram a situação. Outro problema citado pelo presidente da ACCS foi ou aumento de produção de outros estados, que tomaram espaço da suinocultura catarinense. Tudo isso gerou um excedente de carne suína no mercado que derrubou o preço.

-O produtor não tem mais perspectiva- afirmou, citando que 25% a 30% dos 800 suinocultores independentes desistiram ou estão desistindo da atividade.

>> Governo anuncia isenção do ICMS Interestadual na venda de leitões até 30 quilos

Os suinocultores fizeram um protesto na Feira Agropecuária de Braço do Norte (Feagro), na sexta-feira, onde colocaram cruzes no lugar onde deveriam ser expostos os suínos.

Lorenzi afirmou que mercados como China, Japão e Estados Unidos ainda não efetivaram as compras, o que deixa os produtores apreensivos. Ele sugere que o Governo do Estado auxilie com medidas para que Santa Catarina não perca o esforço de conseguir status sanitário de Zona Livre de Aftosa Sem Vacinação. Senão pode ser que quando os mercados se abrirem muitos produtores já não poderão usufruir do benefício. Na sexta-feira passada o Governo do Estado anunciou uma medida que foi a isenção de ICMS interestadual para leitões até 30 quilos. Lorenzi disse que é uma medida que ajuda a tirar o excesso de produção no estado mas não resolve a crise.


Perspectiva é de melhora

A crise na suinocultura é cíclica e atinge mais os produtores independentes na visão do diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne), Ricardo Gouvêa. Ele afirmou que o momento é de retração de consumo no mercado interno que afeta todos os setores. E até citou que o Governo Federal reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados dos carros, quando também poderia estender esse benefício para a indústria de alimentação.

Ele lembrou que Santa Catarina está habilitado para vender para os Estados Unidos e falta apenas uma documentação de requisitos técnicos ser aprovada. A partir disso ele também acredita que podem começar as vendas para o Japão. Outro mercado que estaria próximo é o da Coréia do Sul. Além disso a Argentina prometeu retomar as compras.

O presidente da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, também está otimista. Mas não para os produtores independentes. Ele considera que esse setor arca com custos muito altos que a indústria acaba diluindo na agregação de valor.

Barbieri também espera o início das vendas para o Japão até o final do ano. –Infelizmente muitos produtores vão abandonar mas há boa perspectiva para quem continuar, dentro do sistema de integração-concluiu.


Preço do suíno por quilo vivo

2011:

Janeiro: R$ 2,40

Fevereiro: R$ 2,21

Março: R$ 2,16

Abril: R$ 2,20

Maio: R$ 2,09

Junho: R$ 1,83

Julho: R$ 1,96

Agosto: R$ 2,06

Setembro: R$ 2,04

Outubro: R$ 2,10

Novembro: R$ 2,18

Dezembro: R$ 2,30


2012

Janeiro: R$ 2,28

Fevereiro: R$ 2,20

Março: R$ 2,08

Abril: R$ 1,91

Maio: R$ 1,90

Custo de Produção: R$ 2,65 por quilo

Fonte: ACCS


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21 mai16:01

Produtores de Concórdia comercializam diariamente mais de 600 dúzias de ovos

A Administração Municipal de Concórdia tem incentivado a diversificação de culturas como forma de preservar o homem no campo. Uma prova dessa política são as agroindústrias familiares. Duas famílias de produtores de Linha Guarani utilizam o Entreposto para comercializar ovos. Roberto Ghidorsi e Ivan Uberti vendem mais de 600 dúzias de ovos diariamente. A produção atende o mercado de Concórdia. A Secretaria Municipal da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente (SEMADRA) proporcionou para o empreendimento o acompanhamento técnico e a terraplanagem.

Ghidorsi que entrou na atividade em 2007, se dedicava a plantação de tomates e não se arrepende da troca. -Tenho maior estabilidade financeira – garante. O produtor comercializa diariamente 350 dúzias de ovos que veem das seis mil aves poedeiras que possui. Para alimentar as aves compra os insumos e faz a ração na propriedade.

Com uma produção diária de 330 dúzias de ovos, Uberti explica que antes criava suínos e com as constantes crises no setor buscou alternativas para ter uma renda maior. Ele, que também está na atividade desde 2007, assegura que o consumo maior da produção ocorre nos meses mais frios e tem dias que as aves põem cerca de cinco mil ovos. Quanto à investimentos lembra que se o mercado tiver demanda pretende fazê-los.

O Serviço de Inspeção Municipal (SIM) da SEMADRA controla a qualidade dos produtos de origem animal, como embutidos cárneos, queijo, ovos, mel e doces, monitorando e inspecionando a sanidade do rebanho, o local e a higiene da industrialização, certificando com selo de garantia todos estes produtos.


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27 fev10:11

Só 6% dos produtores de SC pediram seguro contra seca

Alessandra Ogeda | alessandra.ogeda@diario.com.br

Quase metade de Santa Catarina sofre, de forma recorrente, com o problema das estiagens. Dos 293 municípios do Estado, 132 registram a escassez de chuvas com frequência. O maior prejuízo é registrado na lavoura. Desde dezembro, a quebra na produção de diferentes culturas provocou perdas de R$ 549,6 milhões. O seguro da lavoura, que poderia remediar o problema, cobre uma parte pequena da produção.

Mesmo a estiagem sendo um problema recorrente, poucos agricultores cobrem as possíveis perdas com seguro. O secretário adjunto da Agricultura de SC, Airton Spies, calcula que cerca de 75 mil produtores rurais foram prejudicados pela estiagem que começou a castigar as lavouras de 96 municípios do Estado em novembro.

Na safra 2011-2012, 59,6 mil agricultores tiveram a lavoura segurada pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Deste total, 4.640 solicitaram a cobertura dos prejuízos até o dia 17 deste mês. Pouco mais de 6% do total de produtores atingidos pela estiagem.

Uma das razões para este acesso baixo ao seguro é que o Proagro, capitaneado pelo governo federal e o mais barato do mercado, serve apenas para cobrir a dívida do agricultor que financiou o custeio de plantio da lavoura. Essa modalidade de seguro não garante a produção, e custa 2% do financiamento para os agricultores familiares. Apenas a modalidade Proagro Mais prevê o pagamento de até 65% do lucro estimado pelo agricultor. Mas quem não pede financiamento ou o agricultor que quer ter uma cobertura total não busca o Proagro.

Na safra atual, o Banco do Brasil, que concentra grande parte das operações de crédito rural no país, assinou 76,5 mil contratos de financiamento no Estado. Destes, 59,6 mil aderiram ao Proagro. Outros 1,55 mil produtores aderiram ao seguro agrícola. O número de produtores que procuraram esta cobertura no BB, uma das cinco instituições que oferecem a modalidade, não chega a 1% do total do Estado.

— Este é um número ínfimo e que mostra como o seguro não vai resolver o problema que enfrentamos neste momento. O seguro agrícola é algo novo e que ainda não está popularizado, por desconhecimento e pelo custo — analisa Spies.

Nos moldes atuais, o seguro agrícola só funciona se tiver o estímulo de subvenções do governo. Entre 2006 e 2010, elas representaram 51,7% dos recursos arrecadados para os prêmios dos seguros — como é chamado o custo para fazer a cobertura.

— O crescimento do seguro agrícola no país foi diretamente proporcional à subvenção. O problema é que, nos últimos três anos, os valores orçados para essa subvenção foram inferiores às necessidades dos agricultores — argumenta Luiz Roberto Foz, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Sem a garantia de uma subvenção, reduz a oferta de produtos para cobrir os prejuízos. Fora do Proagro, o custo do seguro acaba ficando caro para o produtor, avalia Carlos Bestetti, gerente de Levantamento e Avaliação de Safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse custo flutuaria entre 3% e 12% do valor segurado.

Além do subsídio do governo federal, um incentivo para os produtores, segundo Bestetti, são programas estaduais que pagam parte da parcela do custo do agricultor. Mesmo com atraso, SC começa a trilhar este caminho. Será assinado nesta segunda, dia 27, um convênio com o BB para subsidiar em 50% o prêmio devido pelo agricultor que plante milho, soja, trigo e arroz.

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