Queijo

03 set10:17

Ovinocultura ganha espaço em Santa Catarina

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

A ovelha, aquele bichinho simpático que muitas vezes aparece em desenhos animados, está se tornando cada vez mais comuns nos campos catarinenses. E novas indústrias estão surgindo para a fabricação de linguiça, salame, queijo, iogurte e até sorvete de leite de ovelha.

A atividade que até a década de 80 se concentrava no Planalto Serrano, para a produção de lã e pelego para a montaria, se expandiu para outras regiões do Estado, com destaque para o Sul e Oeste.

A carne de ovelha já virou atração em restaurantes de Chapecó, onde o pernil e o risoto de cordeiro estão entre os pratos mais apreciados.

De acordo com o médico veterinário e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) de Lages, Volney Silveira de Ávila, a atividade que antes era informal, vem recebendo investimentos em melhoramento genético que melhorou a qualidade do produto.

Atualmente Santa Catarina já faz bonito em exposições nacionais da raça, como a Expointer-RS e Feinco-SP.

– Hoje temo sum padrão genético elevado e animais de ponta- explica Ávila, que também é diretor técnico da Associação Catarinense de Criadores de Ovinos.

Um dos resultados é que, se antes os criadores levavam seis a sete meses para produzir um cordeiro com 35 quilos, agora conseguem o mesmo resultado em três meses. Além disso foram construídos sete frigoríficos de ovinos, que antes inexistiam.

Ávila disse que isso permite oferecer um produto de qualidade e inspecionado. Há três anos o ovinocultor Dagoberto Rampelotto Toledo investiu R$ 1,5 milhão na construção do frigorífico Guatapará, em Guatambu. Antes ele abatia uns 30 cordeiros por mês, de forma terceirizada. Com a unidade própria começou abatendo 200 animais por mês e, atualmente, está com mil cabeças mês.

Toledo tem inspeção nacional e busca a inspeção federal para poder vender para o centro do país e, assim, aumentar a lucratividade. Sua meta é em dois anos atingir a capacidade total de abate, que é de cinco mil cordeiros por mês.

Ele destaca que um dos motivos para o investimento é que 2/3 da carne ovina consumida no Brasil é importada, principalmente do Uruguai e Nova Zelândia.

O empresário e ovinocultor disse que a população está começando a diferenciar o que é uma carne de ovelha, que é de animais adultos, com mais de dois anos, de um cordeiro, que é um animal jovem, com menos de um ano. –A carne do cordeiro é mais tenra, macia, é diferenciada- explica.

A carne dos animais adultos abatidos no frigorífico Guatapará tem outro destino, que é a fabricação de kibe e linguiça. Neste segundo semestre será lançado o salame de carne de ovelha.

>> Da suinocultura para o iogurte e o sorvete de ovelha

>> Criação de ovelhas e as novas indústrias

Rebanho cresceu 20% em três décadas

O rebanho de ovinos em Santa Catarina cresceu de 250 mil cabeças na década de 80 para as atuais 300 mil, o médico veterinário e pesquisador da Epagri de Lages, Volney Silveira de Ávila. Ele estima em 70 mil produtores ligados à atividade. Ele informou que desde a década de 90 a Epagri vem realizando cursos profissionalizantes para produtores e agroindústrias, com foco no manejo e industrialização.

Ele destacou que a atividade tem espaço para crescimento pois a maioria da carne e do queijo de ovelha são importados..

Ávila disse que a carne de cordeiro tem um diferencial no sabor. –É um prato para ocasiões especiais- avaliou.

Com o crescimento da atividade leiteira no estado a Epagri montou um centro de pesquisa em Lages, com 50 animais, e outro de difusão tecnológica em São Miguel do Oeste, também com 50 animais.

Ávila disse que o desafio agora é ganhar em escala de produção para industrializar o produto e ter melhor resultado. Atualmente o produtor ganha cerca de R$ 5 por quilo vivo de ovelha e R$ 12 a R$ 15 pela carcaça.

O pesquisador da Epagri e diretor técnico da Associação Catarinense dos Criadores de Ovinos, Volney Ávila, disse que Santa Catarina tem potencial para a atividade, que pode ser desenvolvida em pequenas áreas com mão de obra familiar.


Tradição de família

A criação de ovelhas já é uma tradição da família Giongo, que tem um rebanho de aproximadamente 60 animais, no interior de Águas de Chapecó. A criação começou com Pedro Giongo, já falecido, e seguiu com a mulher, Leoni Giongo.

– Eu fiquei aqui cuidando pois gosto dos bichinhos- explicou.

Para isso ela conta com a ajuda dos filhos e até dos netos. O advogado Paulo César Giongo deixa o escritório em Chapecó nos finais de semana e vai até a propriedade da mãe para ajudar na criação. Os filhos Luiz Pedro e Gabriela também gostas de cuidar das ovelhas.

-É um animal manso mas muito exigente- observa Paulo. A criação, que praticamente dobrou nos últimos quatro anos, além de divertir a família tem como objetivo a sustentabilidade econômica. Paulo Giongo disse que a atividade dá retorno, desde que tenha um bom manejo.

Para isso é primordial alimentação de qualidade e controle da verminose. As ovelhas ocupam um espaço de quatro hectares junto com a criação de bovinos. No ano passado foram comercializados 40 animais. Neste ano, a produção deve aumentar para 60 cabeças. A cada ano são mais ovelhinhas saltitando no sítio da vovó Leoni.



Preço das carnes*


OVELHA

Costela: R$ 19,90

Carré: R$ 21,90

Pernil e Paleta: R$ 23,80


BOVINO

Costela: R$ 13,90

Filé simples: R$ 12,50

Alcatra com osso: R$ 16,90


SUÍNO

Costela: R$ 10,90

Carré: R$ 10,90

Pernil e paleta: R$ 6,20


FRANGO

Dorso: 3,50

Peito com osso: 5,90

Coxa e sobrecoxa: R$ 5,90


*cotado em açougue de Chapecó (kg)


QUEIJO

De ovelha: R$ 50

De vaca: R$ 18




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03 set10:05

Da suinocultura para o iogurte e o sorvete de ovelha

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

Até o início dos anos 2000 o empresário chapecoense Érico Tormen era conhecido pela indústria de caixas de água e piscinas de fibra e por ser um dos principais suinocultores da região. Cansado das crises na criação de suínos ele resolveu apostar em outra atividade, a criação de ovelhas.

Tormen foi um dos pioneiros na importação de raças ovinas leiteiras para Santa Catarina. Em 2006 ele comprou 30 fêmeas e um macho da raça Lacaune, de um cabanha de Viamão-RS. Em 2008 ele e mais dois produtores importaram 190 animais da raça Frisona, do Uruguai.

Atualmente sua propriedade, a Cabanha Chapecó, tem 1,2 mil animais, sendo 70% de raça leiteira. Cerca de 160 estão em produção. Mas metade dos 250 litros diários vão para alimentar os cordeiros. O restante é vendido para uma indústria de queijo de ovelha em Chapecó. O preço do litro que o produtor recebe é R$ 2,00, o triplo do leite de vaca, que tem preço médio de R$ 0,65.

Mas, para agregar ainda mais valor à produção, há dois anos a cabanha iniciou um projeto de produção de iogurte de leite de ovelha. De acordo com o zootecnista e responsável técnico da cabanha, Anderson Bianchi, o leite ovino tem o dobro de sólidos (proteínas, gorduras, vitaminas) do leite de vaca. Por isso precisa metade do volume para fazer um quilo de queijo e,no caso do iogurte, a consistência fica melhor. –O iogurte de vaca é mais viscoso- explica.

Depois de vários testes foram desenvolvidos três sabores: abacaxi, morango e mamão. O produto já foi lançado em várias feiras da região, mas ainda não está sendo comercializado. A produção em Santa Catarina é pioneira mas no Rio Grande do Sul já existe uma fábrica em Bento Gonçalves.

O que deve ser inédito é o sorvete de iogurte de ovelha, que já foi testado e deve ser lançado em setembro.

– Esse produto deve ser novidade mundial pois pesquisamos e não encontramos nada parecido- disse o proprietário da cabanha, Érico Tormen.

Ele explicou que inicialmente o produto deve ser oferecido numa loja a ser inaugurada na avenida Getúlio Vargas, em Chapecó. A capacidade inicial da indústria é para 150 litros por dia. Mas já há um projeto de inspeção federal para o produto seja comercializado no restante do país.

Daí será necessário ampliar a indústria e também a produção de leite de ovelha em Santa Catarina.


SC tem o maior rebanho leiteiro do Brasil

Apesar de ter iniciado a criação de ovelhas leiteiras há apenas seis anos, Santa Catarina já tem o maior rebanho leiteiro do país, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos Leiteiros, o chapecoense Érico Tormen.

São entre 2,5 mil e 2,8 mil animais, de um rebanho nacional de seis mil cabeças. A produção de leite está em mil litros mês e deve chegar a 1,5 mil até o final do ano. –Vamos crescer 50%- calculou Tormen.

A associação foi criada em 2010 e conta com 30 associados de todo o país. O objetivo é divulgar o leite de ovelha e seus derivados para estimular o consumo e a produção. Tormen aposta na viabilidade da atividade pois está aumentando o consumo de produtos diferenciados, com valor agregado. –A população brasileira está buscando mais qualidade na alimentação- explicou Tormen.


Indústrias investem na produção de queijos nobres

A produção de queijo de ovelha, também chamado de pecorino, é uma das apostas de agregação de valor de indústrias catarinenses. O empresário Jorge Zanotto, de Chapecó, montou há cinco anos um laticínio para a produção de queijo de vacas Jersey, com a marca Gran Paladare. Um ano depois começou também a criação de ovinos de leite e desenvolveu um queijo pecorino, que atualmente abasteces as principais redes de supermercado de Santa Catarina.

Ele tem 200 animais e atualmente industrializa 300 litros por dia, sendo 30% de produção própria e o restante compra de outros dois produtores. A produção do pecorino representa 30% da industrialização. E ele desenvolveu produtos com vários tempos de maturação, que variam de três a seis meses, com sabor mais suave, ou com mais de um ano de maturação, com sabor mais picante.

Estes queijos saem da fábrica com preço entre R$ 40 e R$ 60 e, nos supermercados podem variar de R$ 56 a R$ 96 por quilo.

-A aceitação está sendo boa e, modéstia à parte, nosso produto é melhor que o italiano- afirmou Zanotto. Por enquanto ele comercializa apenas em Santa Catarina, pois a inspeção é estadual. Mas já está trabalhando para conseguir inspeção nacional, através do SISBI ou SIF. Para isso o laticínio já tem um bom estoque, que Zanotto não revela a quantidade mas garante ser o maior do Brasil.

Outro empresário do ramo de queijos, Acari Menestrina, diretor presidente da Gran Mestri, inaugurou a ampliação de sua planta industrial em Guaraciaba no dia 18 de agosto. Ele investiu R$ 2,8 milhões para ampliar a indústria de dois mil metros quadrados, para 10 mil metros quadrados. Além de ampliar a produção do queijo de leite bovino grana padano, Menestrina pretende retomar a produção do pecorino, que foi interrompida quando vendeu a Cedrense para a Bom Gosto.


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17 ago18:21

Catarinense aposta em queijos finos

Darci Debona /darci.debona@diario.com.br

Se o personagem cinematográfico Willie Wonka tinha uma Fantástica Fábrica de Chocolate, em Guaraciaba o empresário Acari Menestrina inaugura hoje, ás 14h30, algo como a Fantástica Fábrica de Queijos. Ela fica no quilômetro 10 da BR 163.


Sirli Freitas/Agencia RBS


Dentro da fábrica, que foi ampliada em seis vezes, há uma sala de maturação do queijos, onde oito mil peças de queijo de quarenta quilos casa, preenchem um espaço de seis metros de altura. É como se fosse um cofre que, em vez de barras de ouro, tem o dourado do queijo. E o valor que está lá dentro mereceria quase ser guardado num cofre, pois chega a R$ 10 milhões. Esse produto tão valioso e saboroso é mantido por pelo menos 12 meses a uma temperatura de 15 a 18 graus e umidade de 78 a 84%.

As peças são viradas e escovadas a cada 10 dias. E um martelinho serve para identificar se há alguma falha no produto. Mas, para conseguir um queijo que custa cerca de R$ 50 ao quilo, é um longo processo. No campo, são selecionados produtores que forneçam um produto de qualidade superior ao normal.  A contagem bacteriana do leite utilizado chega a ser seis vezes menor que o exigido. Antes de entrar na fábrica, o leite passa por uma análise. Ao longo do processo são 22 análises. Cada queijo tem sua data de nascimento, temperatura, percentual de acidez, que é anotada num caderno.

Tudo aliando técnicas centenárias de fabricação com equipamentos modernos, a maioria importados da Itália. Os mestres queijeiros e consultores também vieram da Itália. E o diretor presidente da Gran Mestri, Acari Menestrina, afirma que a qualidade do queijo já é similar ao importado.

Acari trabalha há 35 anos na atividade. Começou ajudando a avó a tirar leite em Rio do Cedros. Foi extensionista da Acaresc (atual Epagri), e ajudou a fomentar a bovinocultura de leite no Oeste. Viajou dezenas de países buscando tecnologia de produção. –Tenho leite nas veias e queijo no coração- brinca. Em 2000 começou a montar a Gran Mestri em Guaraciaba, em parceria com empresários italianos. A produção começou em 2004.

Por uma questão de mercado acabou vendendo as unidades da marca Cedrense e comprou as ações dos sócios italianos, para investir em queijos finos. Com a nova unidade a produção vai aumentar de uma tonelada/dia para 30 toneladas/dia. Além do tipo grana padano, que vai dobrar de produção, Menestrina vai fabricar queijo parmesão, manteigas finas, queijo de ovelha (pecorino), Goya, ralados e manteigas especiais. –Passei das toneladas para os quilos e gramas- explicou.

Ele afirmou que está focando num público de 40 milhões de brasileiros com maior poder aquisitivo e que estão buscando produtos de mais qualidade. Só em Chapecó ele vende mil quilos de queijo grana padano por mês.

Menestrina disse que Santa Catarina deve investir em produtos de valor agregado. Por isso investiu numa fábrica de queijos finos, que podem servir de presente e até como atração turística.

DADOS DA GRAN MAESTRI

Localização: Guaraciaba

Área total da nova fábrica: 35 mil metros quadrados

Área construída e pavimentada: 12 mil metros quadrados

Investimento: R$ 28 milhões

Faturamento anual: R$ 150 milhões

Capacidade de Estocagem: um milhão de quilos de queijos

Empregos diretos: 200*

Produtores rurais: 50

*a partir de janeiro de 2013, atualmente são 50

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23 mai15:51

Epagri ministrou curso de queijos e derivados de leite em São Carlos

A Epagri de São Carlos promoveu no Balneário Pratas um curso completo sobre fabricação caseira de queijos e derivados de leite, nos dias 15 a 17 de maio. Durante os três dias foram trabalhados o queijo colonial, queijo frescal, frescal temperado, ricota, keschmier, queijo mussarela e também doce de leite, leite condensado e iogurte. Além disso, foram feitas receitas de aproveitamento do soro, como o pão de soro, bebida láctea e balas de soro de leite. A instrutora foi a extensionista social da Epagri de Caibi, Jane Zanin.

O curso contou com a participação do engenheiro agrônomo, responsável pela Epagri local, Humberto Bicca Neto, que falou sobre a qualidade do leite, alimentação animal e ordenha higiênica. Também participou das palestras a médica veterinária da Cidasc de Chapecó, Luciane de Cássia Surdi, que palestrou sobre saúde animal e a importância do controle de exames da brucelose e tuberculose.

A extensionista da Epagri de São Carlos, a nutricionista, Lilian Castelani, falou sobre as boas práticas e os cuidados de higiene e limpeza na manipulação de alimentos.

- O público foi pequeno, porém foi discutido durante o curso que a qualidade e sabor do alimento preparado em casa não tem comparação, além disso, tem a questão econômica – destacou Lilian. Segundo ela, para se fazer o queijo colonial – que rendeu uma peça de 1,3 quilos – foram utilizados dez litros de leite, que quando vendidos a R$ 0,75 o litro (média) sairiam por R$ 7,50.

Para comprar este queijo no mercado, a um custo de R$ 15 o quilo em média, a peça sairia por R$ 19,50.

- São cerca de R$12 que não saem do bolso, sem contar a qualidade e a satisfação de servir um produto feito em casa. As participantes aproveitaram muito o conhecimento e as dicas que a instrutora repassou e todas saíram animadas para preparar em casa para a família os produtos aprendidos – completou Lilian.


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