Ração

19 jul10:11

Avicultores reclamam de falta de pagamento e ração

Darci Debona | darci.debona@diario.com.br

O alto preço dos insumos como soja e milho estão afetando também a avicultura. Tanto que avicultores integrados da Diplomata estão reclamando do atraso no pagamento e na entrega de ração.

Três mil dos 25 mil frangos da avicultora Franciane Zimmermann morreram, pelo menos dois terços deles em função da falta de ração.

– Eles começaram a se comer – disse.

Mil foram sacrificados e outros morreram debilitados pela falta de comida. Além disso ela está com o pagamento atraso.

Avicultor Mario Nerling, de Xaxim, está sem receber os dois últimos lotes.

O avicultor Mario Nerling, de Xaxim, está com dois lotes, um que entregou em abril e outro em junho, sem receber, o que totaliza R$ 11 mil.

– Estou devendo R$ 1,5 mil no mercado, R$ 1 mil para os vizinhos e R$ 1,5 mil para o banco- explicou.

Além disso ele tem mais R$ 12 mil para pagar até o final do ano, de investimentos no aviário.

Nerling disse que além de não receber chegou a ficar quatro dias sem ração.

– Dava só água – disse.

O problema é que a falta de ração prejudicou o desenvolvimento dos frangos e também o resultado. Aves que deveriam estar com 1,2 quilos em 26 dias estão com 500 a 800 gramas.

O avicultor disse que já passou por uma crise com a Chapecó Alimentos, há nove anos, que acabou indo a falência. Por isso os produtores estão se organizando para o governo federal tome alguma medida de socorro ao setor.

O Sindicato dos Produtores Rurais de Xaxim convocou uma reunião com prefeitos de 47 municípios de Santa Catarina e Paraná, para esta quinta-feira, às 14 horas, na sede do Sindicato. O objetivo é discutir a crise.

A crise já está refletindo no comércio de Xaxim. De acordo com o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Xaxim, Aldicir Alessi, disse que as vendas nos setores ligados à agropecuária caíram 30%. A Diplomata abate 220 mil frangos por dia na unidade de Xaxim, de 250 integrados. Além disso emprega diretamente duas mil pessoas.

A empresa reconheceu dificuldades financeiras por meio de sua assessoria de imprensa. O motivo seria a suspensão de alguns contratos de exportação. A empresa informou ainda que o fornecimento de ração estava sendo normalizado.


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09 fev16:42

Ocesc apoia uso do trigo na ração animal

A proposta de uso do trigo na nutrição animal para amenizar a escassez de milho foi bem recebida pelas classes produtoras. O presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Marcos Antônio Zordan, considera a medida positiva, mas alerta para a necessidade de um programa de incentivo que estabeleça condições de preço, armazenagem e distribuição.

A previsão de quebra na safra de milho originou a pressão para o uso do trigo na ração animal. Por isso, o Ministério da Agricultura promoverá leilões para a venda do cereal. As expectativas das entidades representativas do agronegócio – especialmente aquelas ligadas à produção de aves e suínos – é de que, numa primeira etapa, pelo menos 500 mil toneladas de trigo sejam incluídas no mecanismo de leilões da Companhia Nacional de Abastecimento.

Zordan observa que a utilização do trigo na alimentação animal é uma alternativa viável em face da escassez de milho e da oferta de trigo no mercado. O Brasil consome mais de 10 milhões de toneladas de trigo, produz a metade e importa 5 milhões de toneladas da Argentina, Canadá e Rússia.

Santa Catarina, por outro lado, importa anualmente cerca de 2 milhões de toneladas de milho. Neste ano de 2012, em face da estiagem que assola as áreas produtoras, a importação pode chegar a 3 milhões de toneladas.

- Está faltando milho e há possibilidade de uso do trigo disponível no Brasil e no mercado internacional, mas é necessário estabelecer políticas para uso do trigo no arraçoamento dos plantéis – expõe o dirigente. Lembra que o cenário de alta dos preços do milho e baixa oferta deve persistir, exigindo alternativas de suprimento do grão.


Possível

O presidente da Ocesc calcula que Santa Catarina necessitará de 600 mil toneladas de trigo se adotar a indicação de substituição parcial do milho. O Estado abate cerca de 700 milhões de aves por ano.

Marcos Zordan informou que as cooperativas fizeram testes para substituição parcial (em 20%) do milho por trigo utilizado na formulação das rações para aves. Habitualmente, o milho representa 65% da composição das rações para aves. Os resultados indicaram uma conversão (transformação da ração em carne) menor, o que significa aumento dos custos totais de produção.

A conclusão, de acordo com os testes, é esta: o uso parcial do trigo na formulação da ração para aves se torna viável se a diferença de preço entre os dois insumos for maior que 10% – ou seja, o milho custar 10% mais caro que o trigo.


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